Homem de 56 anos, etilista crônico, com diagnóstico prévio ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4156461 Medicina
Homem de 56 anos, etilista crônico, com diagnóstico prévio de cirrose hepática por hepatite C, dá entrada no pronto-socorro com quadro de hematêmese volumosa e melena. Encontra-se hipotenso (PA 82/53 mmHg), taquicárdico (FC 116 bpm) e com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 12). Hemoglobina inicial: 6,8 g/dL; Plaquetas: 60.000/mm³; INR: 2,1. A endoscopia digestiva alta realizada 6 horas após estabilização parcial revela varizes esofágicas calibrosas com sangramento ativo. Após manutenção das vias aéreas/ventilação/oxigenação, qual é a melhor conduta terapêutica inicial para esse paciente, com intuito de promover estabilização hemodinâmica?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso é de hemorragia digestiva alta varicosa confirmada por endoscopia em cirrótico com instabilidade hemodinâmica; nesse cenário, a conduta inicial padrão após assegurar via aérea/ventilação/oxigenação é transfusão restritiva, início precoce de vasoativo esplâncnico, antibioticoprofilaxia e hemostasia endoscópica por ligadura elástica, o que torna a alternativa A a correta.

Tema central: Sangramento varicoso agudo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque contempla os pilares do manejo inicial da hemorragia varicosa aguda no cirrótico: estratégia transfusional restritiva, evitando sobretransfusão que pode elevar a pressão portal e favorecer ressangramento; início precoce de octreotida ou terlipressina para reduzir fluxo esplâncnico e pressão portal; antibioticoterapia, que faz parte do tratamento inicial padrão nesse contexto; e hemostasia endoscópica por ligadura elástica, que é a terapia endoscópica de escolha para varizes esofágicas sangrantes.
B
Errada
Está errada por três motivos técnicos. Primeiro, transfusão maciça não corresponde à estratégia inicial recomendada no sangramento varicoso, em que a reposição deve ser restritiva. Segundo, inibidor de bomba de prótons EV não é a terapia específica para varizes esofágicas sangrantes; seu papel principal é em sangramento não varicoso, como úlcera péptica. Terceiro, a escleroterapia não é o tratamento endoscópico preferencial quando a etiologia é varicosa esofágica, pois a ligadura elástica é a técnica de escolha.
C
Errada
Está errada porque cirurgia com derivação portossistêmica não é a melhor conduta terapêutica inicial no sangramento varicoso agudo. Trata-se de medida invasiva de resgate, reservada para casos selecionados e refratários, enquanto o tratamento inicial correto é clínico-endoscópico com vasoativo, antibiótico, transfusão restritiva e ligadura elástica.
D
Errada
Está errada porque o balão de Sengstaken-Blakemore não é a melhor medida inicial rotineira; ele é recurso temporário de ponte ou resgate quando o sangramento maciço não é controlado ou quando a terapia definitiva não está imediatamente disponível. Além disso, a meta transfusional para Hb >10 g/dL é inadequada no sangramento varicoso, pois a supertransfusão pode aumentar a pressão portal e piorar o risco de ressangramento.
E
Errada
Está errada porque TIPSS não é a melhor conduta terapêutica inicial universal para todo paciente com sangramento varicoso. É estratégia avançada considerada em falha do controle inicial ou em subgrupos selecionados de alto risco, sem substituir o pacote inicial padrão. Além disso, o enunciado não fornece dados completos para afirmar Child-Pugh C, e aguardar transplante não promove estabilização hemodinâmica do episódio agudo.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre hemorragia digestiva alta genérica e sangramento varicoso já confirmado: quem aplica lógica de úlcera péptica, transfusão liberal ou medida de resgate como primeira linha erra o eixo decisivo da questão.
Dica para questões semelhantes
  • Se a etiologia varicosa já está confirmada, troque o raciocínio de hemorragia digestiva alta inespecífica pelo pacote específico: transfusão restritiva, vasoativo esplâncnico, antibiótico e ligadura elástica.
  • Em varizes sangrantes, meta de hemoglobina em torno de 7 g/dL é parte do tratamento; alvo de 10 g/dL sugere supertransfusão e aumenta a chance de alternativa errada.
  • Balão, TIPSS e cirurgia devem acender a ideia de resgate ou exceção, não de primeira medida universal.
  • Escleroterapia e IBP podem aparecer como distratores quando a questão quer saber a conduta específica para varizes esofágicas.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo