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Q4156520 Medicina
Paciente com 5 anos de idade, sexo masculino, apresenta quadro de síndrome dispéptica alta há 1 ano. Endoscopia digestiva alta: esofagite em terço médio do esôfago sem evidência de hérnia hiatal. Biópsia do esôfago: edema da mucosa, espessamento da lâmina própria, infiltrado linfoplasmocitário e 28 eosinófilos por campo de grande aumento. Qual a conduta mais adequada? 
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A biópsia esofágica com 28 eosinófilos por campo de grande aumento, em criança com sintomas esofágicos crônicos, ultrapassa o limiar clássico de esofagite eosinofílica (>=15/CGA). Sem achado anatômico que justifique cirurgia, a conduta compatível com esse mecanismo inflamatório é corticoide tópico deglutido.

Tema central: Esofagite eosinofílica
Análise das alternativas
A
Errada
Hiatoplastia corrige defeito anatômico do hiato, especialmente hérnia hiatal. O enunciado informa ausência de hérnia hiatal, portanto falta a base anatômica que indicaria esse procedimento. O dado decisivo do caso não é alteração do hiato, mas inflamação eosinofílica em biópsia.
B
Errada
Esofagectomia é cirurgia de exceção, incompatível com o cenário descrito. Não há neoplasia, perfuração, necrose, estenose irreversível complexa ou outra condição grave que justifique ressecção esofágica. Propor cirurgia mutiladora para esofagite inflamatória em criança é tecnicamente inadequado neste contexto.
C
Errada
Válvula antirrefluxo é estratégia para refluxo gastroesofágico refratário em situações selecionadas, mas não trata a inflamação eosinofílica primária da esofagite eosinofílica. Além disso, o enunciado não fornece cenário anatômico ou funcional que sustente indicação cirúrgica antirrefluxo. A histologia com 28 eosinófilos/CGA direciona para doença inflamatória eosinofílica, não para correção cirúrgica de refluxo.
D
Errada
Repetir endoscopia em 6 meses sem instituir tratamento posterga o manejo de uma inflamação já documentada histologicamente. A biópsia já fornece elemento suficiente para indicar terapia dirigida; vigilância isolada não é a conduta mais adequada diante de eosinofilia esofágica significativa.
E
Certa
A alternativa E está correta porque a biópsia esofágica mostra infiltrado eosinofílico importante, achado que, associado aos sintomas esofágicos, sustenta esofagite eosinofílica. Nessa condição, a conduta deve tratar o mecanismo inflamatório local. O corticoide tópico deglutido é terapia apropriada de primeira linha para reduzir a inflamação eosinofílica da mucosa esofágica. Isso é compatível com o quadro clínico-histológico apresentado e, entre as opções oferecidas, é a única que corresponde ao mecanismo da doença descrita.
Pegadinha da questão
A banca tentou induzir raciocínio de DRGE cirúrgica pelo quadro dispéptico e pela endoscopia com esofagite, mas o achado que decide a questão é a biópsia com 28 eosinófilos por campo, que redireciona para esofagite eosinofílica.
Dica para questões semelhantes
  • Em esofagite, não pare na endoscopia: a biópsia pode mudar completamente o diagnóstico e a conduta.
  • Contagem esofágica >=15 eosinófilos por campo de grande aumento, em paciente com sintomas esofágicos, favorece esofagite eosinofílica.
  • Quando o mecanismo é inflamação eosinofílica da mucosa, a conduta correta é anti-inflamatória local; cirurgia antirrefluxo não trata essa fisiopatologia.
  • Sem hérnia hiatal, sem complicação estrutural grave e sem indicação funcional documentada, alternativas cirúrgicas devem ser afastadas.

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