“As ligações internas entre as ‘ilhas’ econômicas eram fráge...
(Fonte: MAGNOLI, Demétrio. Geografia para o Ensino Médio. 2. ed. São Paulo: Atual, 2012. pág. 250).
O texto acima reforça uma transformação na estrutura econômica brasileira ocorrida entre as últimas décadas do século XIX e a primeira metade do século passado. Como uma das consequências diretas desta transformação, pode-se apontar:
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A alternativa correta é a C) A destruição da tradicional indústria têxtil doméstica do Nordeste.
O texto de Demétrio Magnoli descreve o processo de integração nacional do mercado brasileiro. Antes da industrialização, o Brasil funcionava como um "arquipélago econômico", onde cada região era isolada e voltada para o mercado externo. Com a concentração industrial no Sudeste (São Paulo e Rio de Janeiro), as mercadorias produzidas em larga escala e com tecnologia superior passaram a circular por todo o território nacional através da expansão dos transportes. Como consequência direta, as pequenas produções artesanais e manufaturas regionais menos competitivas do país — como a tradicional indústria têxtil doméstica do Nordeste — não conseguiram concorrer com o preço e o volume dos produtos vindos do Sudeste e acabaram sendo destruídas.
- ❌ A) O desenvolvimento do complexo cafeeiro exportador em São Paulo: O complexo cafeeiro foi a causa inicial que gerou o acúmulo de capital, a infraestrutura e o mercado consumidor necessários para a industrialização paulista, e não uma consequência da invasão dos manufaturados no mercado nacional.
- ❌ B) A eliminação de impostos interestaduais que protegiam os mercados regionais: A abolição dos impostos interestaduais (barreiras fiscais internas) ocorreu formalmente com a Constituição de 1891 e foi um fator facilitador para a posterior unificação do mercado, e não uma consequência da expansão industrial descrita.
- ❌ D) A diminuição dos fluxos de nordestinos que buscavam oportunidades no Sudeste: O efeito foi exatamente o inverso. A destruição das economias regionais e a concentração da riqueza e das indústrias no Sudeste intensificaram as migrações em massa de nordestinos em direção a São Paulo e Rio de Janeiro ao longo do século XX.
- ❌ E) A transformação do Centro-Oeste no grande “celeiro agrícola” do País: A transformação do Centro-Oeste em um polo da fronteira agrícola e do agronegócio é um processo mais recente, que ganhou força a partir da segunda metade do século XX (décadas de 1970 e 1980) com a modernização agrícola e o desenvolvimento do Cerrado.
Antes: Cada região do Brasil vivia na sua própria "bolha". O Nordeste produzia o açúcar e o algodão dele e vendia para o exterior; o Sul cuidava da pecuária; o Sudeste focava no café. Eles quase não comercializavam entre si porque era mais fácil e barato deparar com o mercado europeu ou americano do que mandar produtos de uma ponta a outra do Brasil.
Depois (Século XX): São Paulo e Rio de Janeiro acumularam muito dinheiro com o café e criaram as primeiras grandes indústrias. Quando essas fábricas começaram a produzir em massa, os produtos do Sudeste ficaram muito mais baratos e competitivos do que qualquer coisa feita de forma artesanal ou manual nas outras regiões.
O impacto no Nordeste: Com a melhoria dos transportes (como as ferrovias e estradas), as mercadorias industriais vindas de SP e RJ "invadiram" o resto do país. A produção têxtil e artesanal do Nordeste, que era mais tradicional e doméstica, não aguentou competir com o preço e a quantidade dos produtos industriais do Sudeste e acabou sendo quebrada.
Por isso, a alternativa correta é a C) A destruição da tradicional indústria têxtil doméstica do Nordeste.
E quem era o presidente?
Getúlio Vargas.
Embora o café tenha enriquecido o Sudeste na República Velha (com a política do café com leite), foi Vargas (que governou de 1930 a 1945) o grande responsável por "furar a bolha" e centralizar a economia.
O mais curioso é que Vargas não valorizava os barões do café; na verdade, ele tirou o poder político deles. Mas ele usou o capital e a estrutura que o café tinha deixado para focar tudo na industrialização de base e na integração nacional, unificando o mercado brasileiro de vez.
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