Classificar o relevo implica agrupar suas diferentes formas ...

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Q4238798 Geografia
Classificar o relevo implica agrupar suas diferentes formas em compartimentos de acordo com a semelhança de características externas, com base em determinados critérios.

Moreira, Igor. Vivá: geografia: volume 2. Curitiba: Positivo, 2016. pg. 86.

As classificações do relevo brasileiro avançaram na medida em que a geomorfologia evoluiu. No que diz respeito às classificações do relevo brasileiro, analise as afirmativas a seguir. 

I- Até meados do século XX, as classificações do relevo brasileiro prendiam-se basicamente à estrutura geológica, de modo que, muitas vezes, as formas de relevo eram definidas conforme o tipo de rochas.
II- A classificação do geógrafo Aziz Nacib Ab'Saber, nos anos 1960, foi a primeira a romper, de forma mais definitiva, com certa confusão existente entre estrutura geológica e relevo.
IIl- Na década de 1990, foi elaborada uma nova classificação do relevo, a partir de imagens de radar, na qual o geógrafo Juranyr L. S. Ross levou em consideração, como base em seus estudos, os chamados paleoclimas.

Assinale a opção correta.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era verificar se as três afirmativas estão compatíveis com a evolução das classificações do relevo brasileiro; estando I, II e III corretas, a alternativa E é a única adequada.

Tema central: Classificações do relevo
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque exclui II e III, que também estão corretas.
B
Errada
Errada porque exclui I e III, embora ambas estejam corretas.
C
Errada
Errada porque exclui a II, que é correta.
D
Errada
Errada porque exclui a I, que é correta.
E
Certa
A alternativa E está certa porque as três afirmativas correspondem à evolução consagrada da geomorfologia brasileira: a I reflete o predomínio antigo do critério geológico e do tipo de rocha; a II aponta a ruptura metodológica de Ab'Saber ao separar melhor estrutura geológica e relevo; e a III descreve a classificação de Ross, elaborada com base em imagens de radar e em heranças paleoclimáticas.
Pegadinha da questão
A confusão entre estrutura geológica e relevo pode levar à dúvida sobre a assertiva II, além de gerar hesitação quanto ao uso histórico do tipo de rocha nas classificações antigas.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões sobre relevo brasileiro, observe a sequência histórica dos critérios: geologia nas classificações antigas, distinção geomorfológica com Ab'Saber e refinamento com Ross.
  • Quando aparecer Ab'Saber, o ponto central costuma ser a separação entre estrutura geológica e formas de relevo.
  • Quando aparecer Ross, confirme o uso de radar e a consideração de heranças morfoclimáticas ou paleoclimáticas.

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Comentários

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gabarito: E

Comentário: As três afirmativas estão corretas.

I – Correta. Até meados do século XX, as classificações do relevo brasileiro estavam muito associadas à estrutura geológica, relacionando as formas de relevo aos tipos de rochas e estruturas existentes.

II – Correta. A classificação de Aziz Ab'Saber, elaborada na década de 1960, representou um avanço importante ao considerar de maneira mais adequada os processos geomorfológicos e romper com a simples associação entre estrutura geológica e formas do relevo.

III – Correta. Na década de 1990, Jurandyr Ross elaborou uma nova classificação com auxílio de imagens de radar, considerando aspectos como a estrutura geológica, os processos geomorfológicos e a influência dos paleoclimas na formação do relevo brasileiro.

Resumo:

Classificações antigas → foco na estrutura geológica.

Ab'Saber → maior ênfase nos processos geomorfológicos.

Jurandyr Ross → imagens de radar + processos geomorfológicos + paleoclimas.

Aroldo de Azevedo (década de 1940)

  • Critério principal: Altimetria (nível de altitude) e estrutura geológica.
  • Como funcionava: Foi uma classificação pioneira, porém generalista devido à falta de tecnologia da época. Ele definiu Planaltos estritamente como terrenos com mais de 200 metros de altitude e Planícies como áreas com menos de 200 metros.
  • Na prática: Como a afirmativa I da sua questão cravou corretamente, essa visão prendia a classificação ao tipo de rocha e à estrutura geológica pura e simples. Ele dividiu o Brasil em apenas 8 unidades.

Aziz Ab'Saber (década de 1950/1960)

  • Critério principal: Processos morfoclimáticos (ação do clima no relevo determinando erosão ou sedimentação).
  • Como funcionava: Ab'Saber rompeu com a dependência exclusiva da geologia e da altitude (exatamente o que diz a afirmativa II). Ele passou a focar na dinâmica das forças da natureza.
  • Na prática: O conceito mudou. Para ele, Planalto é qualquer área onde o desgaste (erosão) é maior que o acúmulo de detritos (sedimentação). Já a Planície é a área onde a sedimentação supera a erosão, não importando a cota altimétrica exata. O mapa passou a ter 10 unidades.

Jurandyr Ross (década de 1990)

  • Critério principal: Tripé formado por Morfoestrutura (origem geológica), Morfoescultura (ação do clima atual) e Paleoclimas (marcas deixadas por climas do passado no relevo, validando a afirmativa III).
  • Como funcionava: Ross teve um trunfo absurdo chamado Projeto Radambrasil, que mapeou o território nacional com imagens de radar em altíssima resolução.
  • Na prática: Ele absorveu o conceito de erosão/sedimentação de Ab'Saber, mas trouxe uma grande inovação conceitual: as Depressões (áreas mais baixas que o entorno, formadas por processos erosivos prolongados). Com o nível de detalhe do radar, o mapa saltou para 28 unidades (11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies).

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