Uma cadela da raça Golden Retriever, com 6 anos de idade, su...
Gabarito comentado
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Tema central: efeitos endócrinos do uso crônico de glicocorticoides, especialmente a supressão do eixo hipotálamo–hipófise–tireoide (HPT) e suas repercussões clínicas em cadelas (letargia, ganho de peso, bradicardia e infertilidade).
Alternativa correta: C — Hipotireoidismo secundário pela inibição do TSH hipofisário induzida por glicocorticoides. Glicocorticoides em doses farmacológicas reduzem a secreção de TRH/TSH e diminuem a conversão periférica de T4 em T3, resultando em queda de T3/T4 e metabolismo basal mais baixo. Clinicamente, isso explica letargia, ganho de peso, bradicardia e infertilidade/anestro. Referências: ACVIM Consensus on Canine Hypothyroidism (2016); Feldman & Nelson, Canine and Feline Endocrinology; Ettinger & Feldman, Veterinary Internal Medicine.
Como identificar na prova: sinais “metabólicos lentificados” (bradicardia + ganho de peso) e infertilidade apontam para hipoatividade tireoidiana. A pista-chave é o uso crônico de glicocorticoide → supressão de TSH → hipotireoidismo secundário (ou quadro compatível com síndrome do eutireoideo doente).
Por que as demais estão incorretas:
A) Fala em “hiperadrenocorticismo elevando ACTH”. Em uso exógeno de glicocorticoides, ocorre iatrogenia cushingoide com ACTH suprimido, não elevado. Além disso, iatrogenia cushingoide cursa mais com PU/PD, polifiagia, abdômen pendular e alopecia; bradicardia não é típica.
B) Glicocorticoides são diabetogênicos, mas o quadro clínico de diabetes mellitus inclui PU/PD, polifiagia com perda de peso e cataratas — o oposto do ganho de peso e da bradicardia descritos. O mecanismo citado (gliconeogênese) é verdadeiro, mas não explica este conjunto de sinais.
D) “Insuficiência adrenocortical secundária” em geral aparece após retirada abrupta dos esteroides (eixo HPA suprimido), não durante seu uso. Ademais, o problema central da questão é o eixo tireoidiano, não falência adrenal. Hipoadrenocorticismo cursa com vômitos/diarreia, fraqueza, hipotensão e bradicardia por hipercalemia, o que não foi sugerido.
Diagnóstico e conduta: em cães sob glicocorticoide, dosar T4 total, T4 livre por diálise de equilíbrio e TSH canino. Valores baixos de T4 e TSH sustentam hipotireoidismo secundário; contudo, a terapia com esteroide pode causar “eutireoideo doente”. Estratégia: reduzir gradualmente o glicocorticoide à menor dose eficaz, reavaliar função tireoidiana e considerar levotiroxina se a disfunção persistir e for clinicamente relevante. Evitar suspensão abrupta para prevenir crise addisoniana. (ACVIM 2016; UpToDate Vet/obras padrão).
Dica de prova: cuidado com a pegadinha do item A (ACTH “elevado”). Em iatrogenia por esteroide, os hormônios tróficos hipofisários ficam baixos.
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