Menino de 2 anos de idade tem diagnóstico de anemia falcifo...

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Q4191428 Medicina
Menino de 2 anos de idade tem diagnóstico de anemia falciforme (HbSS), com hemoglobina basal de 7,8 g/dL. Há 5 dias, apresentou dois picos febris, coriza e tosse. Foi avaliado, medicado e recebeu orientação de hidratação oral intensiva. Hoje queixa-se de dor abdominal e está pálido. Ao exame, está descorado +++/4+; FC: 134 bpm; FR: 38 mrm; TEC: 3 segundos. Não tem alterações na ausculta pulmonar, o abdome está tenso, doloroso, fígado palpável a 1 cm do RCD e baço a 4 cm do RCE. A hemoglobina é de 5,2 g/dL.

A melhor conduta para o quadro descrito é 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O quadro é de sequestro esplênico agudo em criança com HbSS: queda da hemoglobina em relação ao basal, esplenomegalia dolorosa e sinais de hipoperfusão. Entre as alternativas, a prioridade imediata é a estabilização hemodinâmica com expansão volêmica IV.

Tema central: Sequestro esplênico agudo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca a conduta para investigação por imagem e avaliação cirúrgica em um quadro cujo diagnóstico sindrômico é clínico e cuja urgência é hemodinâmica. Dor abdominal e abdome tenso podem confundir com abdome cirúrgico, mas o achado decisivo é a esplenomegalia aguda associada à queda importante da hemoglobina e sinais de má perfusão, compatíveis com sequestro esplênico. Fazer Doppler antes de estabilizar a circulação atrasa a medida prioritária.
B
Errada
Está errada porque supõe infecção invasiva abdominal ou meníngea sem base clínica suficiente e propõe investigação extensa que não corrige o problema imediato. A febre prévia com coriza e tosse foi interpretada na base como quadro viral de vias aéreas superiores, e não há sinais de meningite, peritonite ou foco abdominal séptico que sustentem líquor, metronidazol ou essa bateria de exames como melhor conduta inicial. O eixo do caso é hipovolemia por sequestro esplênico.
C
Certa
A alternativa C é a melhor porque, no sequestro esplênico agudo, há aprisionamento de sangue no baço com redução do volume circulante efetivo. No caso, a palidez importante, a taquicardia e o tempo de enchimento capilar de 3 segundos mostram comprometimento circulatório, então a primeira medida é restaurar a perfusão com cristalóide IV. A analgesia também é adequada como suporte. A transfusão de concentrado de hemácias pode ser necessária na sequência, mas a alternativa que respeita a prioridade inicial do quadro é a expansão volêmica.
D
Errada
Está errada porque conduz o raciocínio para infecção bacteriana grave ou síndrome torácica aguda, mas o enunciado não traz foco pulmonar: a ausculta é normal, e a base afirma que faltam achados respiratórios compatíveis. Além disso, mesmo que exames e antibiótico possam ter lugar conforme contexto, essa alternativa não prioriza a correção da hipoperfusão, que é a necessidade imediata no sequestro esplênico agudo.
E
Errada
Está errada como melhor resposta porque, embora a transfusão de concentrado de hemácias seja frequentemente indicada no sequestro esplênico agudo com anemia importante, a alternativa isolada de transfusão não contempla a prioridade inicial diante de sinais de comprometimento circulatório. O critério decisivo da base é a sequência do atendimento: primeiro estabilização hemodinâmica, depois a terapia corretiva da anemia. A questão explora exatamente essa hierarquia.
Pegadinha da questão
A banca mistura febre prévia, dor abdominal e queda de hemoglobina para induzir sepse, abdome cirúrgico ou transfusão imediata como resposta automática; o achado que decide é a esplenomegalia aguda com sinais de hipoperfusão em criança com HbSS, caracterizando sequestro esplênico e exigindo reposição volêmica primeiro.
Dica para questões semelhantes
  • Em criança com HbSS, aumento súbito do baço + queda aguda da hemoglobina + palidez/taquicardia apontam para sequestro esplênico agudo.
  • Quando houver TEC lentificado e taquicardia, a hierarquia da resposta é estabilização hemodinâmica imediata antes de investigação ampliada.
  • Não deixe febre prévia desviar o diagnóstico principal se o quadro atual for dominado por esplenomegalia e hipovolemia.
  • Transfusão pode ser necessária no sequestro esplênico, mas em prova é preciso distinguir tratamento frequente de primeira medida prioritária.

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