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Q4195235 Medicina
Homem de 63 anos refere dispneia aos moderados esforços. AP: DM2, HAS e insuficiência cardíaca. Medicações em uso: carvedilol, sacubitril-valsartana, espinonolactona, dapagliflozina e furosemida. Exame físico: sem anormalidades. Eletrocardiograma: ritmo sinusal, com bloqueio de ramo esquerdo e duração do QRS de 168 ms. Ecocardiograma: fração de ejeção de 31%.
A conduta com maior potencial de benefício prognóstico é
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Paciente com insuficiência cardíaca sintomática, FEVE de 31%, ritmo sinusal, bloqueio de ramo esquerdo e QRS de 168 ms, já em terapia medicamentosa otimizada, preenche o fenótipo clássico de maior benefício prognóstico com terapia de ressincronização cardíaca; por isso, a alternativa correta é a E.

Tema central: Indicação de TRC
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Trocar sacubitril-valsartana por enalapril representa regressão terapêutica no manejo contemporâneo da ICFER. O paciente já está em ARNI, que compõe a terapia de base otimizada; substituir por IECA não aumenta benefício prognóstico e não aborda o determinante decisivo do caso, que é a dessincronia por BRE com QRS de 168 ms.
B
Errada
Incorreta. Aumentar diurético de alça só faria sentido diante de congestão clínica, mas o exame físico foi descrito sem anormalidades. Além disso, diuréticos de alça tratam controle volêmico e melhora sintomática, sem benefício prognóstico robusto em mortalidade. Escalonar essa medicação sem evidência de congestão é tecnicamente inadequado e pode expor a hipovolemia, disfunção renal e distúrbios eletrolíticos.
C
Errada
Incorreta. Digoxina não é a estratégia de maior benefício prognóstico neste cenário. Seu papel é limitado a melhora sintomática e/ou redução de hospitalização em casos selecionados, sem ganho de sobrevida comparável ao da TRC no paciente com ICFER, ritmo sinusal, BRE e QRS largo. Ela também não corrige a dessincronia ventricular que está no centro da questão.
D
Errada
Incorreta. A combinação hidralazina-nitrato tem papel adjuvante em contextos específicos, mas não supera a indicação clássica de TRC presente aqui. O paciente já usa bloqueio neuro-hormonal contemporâneo, e o principal alvo terapêutico adicional é a dessincronia elétrica importante por BRE com QRS de 168 ms, situação em que o dispositivo oferece maior benefício prognóstico.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o paciente reúne os achados que identificam maior benefício com ressincronização: FEVE reduzida, sintomas persistentes, ritmo sinusal, BRE e QRS muito alargado. Nesse contexto, o problema não é falta de tratamento farmacológico de base, pois ele já usa betabloqueador, sacubitril-valsartana, espironolactona, dapagliflozina e diurético; o ponto decisivo é a dessincronia ventricular associada ao BRE com QRS de 168 ms. A TRC atua sobre essa dessincronia eletromecânica e, nesse perfil, tem benefício prognóstico robusto, reduzindo desfechos duros.
Pegadinha da questão
A banca contrapõe medidas que podem aliviar sintomas ou ter papel em nichos específicos contra uma intervenção com benefício prognóstico maior; o dado que define a questão é BRE com QRS de 168 ms em paciente com FEVE de 31% já em terapia medicamentosa otimizada.
Dica para questões semelhantes
  • Em insuficiência cardíaca, diferencie melhora sintomática de benefício prognóstico antes de escolher a conduta.
  • Quando aparecer FEVE ≤ 35%, ritmo sinusal, BRE e QRS ≥ 150 ms, pense em indicação clássica de ressincronização cardíaca.
  • Se o paciente já usa os pilares farmacológicos da ICFER, evite interpretar troca para terapia menos avançada como intensificação.
  • Não aumente diurético por dispneia isolada sem sinais de congestão; isso não substitui avaliação do fenótipo elétrico da insuficiência cardíaca.

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