“Nem o trânsito, nem a fila do aeroporto, nem o eventual de...
O turista compra a viagem baseado nas garantias que a agência de turismo oferece, mas se transporta em busca de surpresa. Porque é dela que nós precisamos mais. Isso explica a célebre frase “navegar é preciso, viver não", erroneamente atribuída a Fernando Pessoa, já que data da Idade Média.
Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar um monumento histórico.
Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade natural da criança e que o adulto precisa conquistar, suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se deixando absorver por preocupações egocêntricas. Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete perfeitamente numa água tranquila.
Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de texto e concordância verbal em sujeito composto. A questão pede a reescrita de uma frase sem alterar seu sentido, exigindo atenção ao uso das conjunções e à estrutura do sujeito composto.
Regra central: Quando temos um sujeito composto ligado por “nem” (valor aditivo, isto é, ideia de “um e outro”), o verbo fica no plural, conforme a norma-padrão. Exemplo da Moderna Gramática Portuguesa (Evanildo Bechara): “Nem João nem Maria foram vistos ontem”.
Análise da alternativa correta (B):
O trânsito, a fila do aeroporto, o eventual desconforto do hotel não são empecilhos.
Esta frase preserva o sentido original: a ideia de que nenhum dos elementos citados constitui obstáculo, construindo um sujeito composto (trânsito + fila + desconforto) com verbo no plural (“não são”). Os artigos (“o”, “a”, “o”) garantem a precisão referencial dos itens, e a oração negativa (“não são”) dialoga diretamente com o “nem... nem... nem...” do texto-base.
Análise das alternativas incorretas:
- A) “ou” indica alternância/exclusão, alterando o sentido de adição presente em “nem... nem... nem...”. Assim, a frase não mantém a ideia de que todos juntos não são empecilho.
- C) Omite os artigos, tornando a frase menos precisa e não fiel à forma original. Além disso, o plural em “filas” e a ausência de negação distorcem o significado e a estrutura textual.
- D) “Ora... ora...” também marca alternância (um ou outro, nunca todos juntos), o que contraria o valor aditivo pretendido.
Estratégias para provas: Sempre identifique se o conectivo entre os elementos do sujeito indica soma (adição), alternância ou exclusão. “Nem... nem...” une e soma; “ou... ou” ou “ora... ora...” separam ou alternam — isso pode mudar toda a resposta! Fique atento também à presença de negação e à estrutura do sujeito.
Referência: Celso Cunha & Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, cap. Concordância verbal; Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa.
Resumo: A alternativa B é a correta pois mantém o sentido de adição e negação entre os elementos, aplicando a concordância plural, de acordo com a norma-padrão.
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