“do botão à pétala caída" equivale a:

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Q588813 Português
O GOSTO DA SURPRESA
Betty Milan

    Nada é melhor do que se surpreender, olhar o mundo com olhos de criança. Por isso as pessoas gostam de viajar. Nem o trânsito, nem a fila do aeroporto, nem o eventual desconforto do hotel são empecilhos neste caso. Só viajar importa, ir de um para outro lugar e se entregar à cena que se descortina. Como, aliás, no teatro.
    O turista compra a viagem baseado nas garantias que a agência de turismo oferece, mas se transporta em busca de surpresa. Porque é dela que nós precisamos mais. Isso explica a célebre frase “navegar é preciso, viver não", erroneamente atribuída a Fernando Pessoa, já que data da Idade Média.
    Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar um monumento histórico.
    Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade natural da criança e que o adulto precisa conquistar, suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se deixando absorver por preocupações egocêntricas. Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete perfeitamente numa água tranquila.
“do botão à pétala caída" equivale a:
Alternativas

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Tema central da questão:
A questão trata de interpretação de texto, especificamente da compreensão de uma metáfora contextualizada. O objetivo é identificar o significado da expressão “do botão à pétala caída” no texto, observando como ela representa uma ideia maior, de forma figurada.

Justificativa da alternativa correta – D) do nascimento à morte
No texto, Betty Milan menciona “olhar atentamente uma flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala caída”. Aqui, “botão” é a fase inicial de uma flor (inicio da vida), enquanto “pétala caída” representa o término do ciclo, quando a flor murcha e morre. Trata-se de uma metáfora para o ciclo completo da vida—do nascimento à morte. Ao compreender o contexto, percebe-se que a autora associa observar o ciclo da flor com o próprio renovar-se do ser humano, reforçando a ideia de transitoriedade da vida, conforme explicitado por Bechara em sua obra (“Moderna Gramática Portuguesa”) ao abordar o uso da metáfora.

Análise das alternativas incorretas:

A) do diminuto ao grandioso: Incorreta. O texto não trata do aumento de tamanho. “Botão” e “pétala caída” são fases do ciclo, não expressam grandeza.

B) do antes ao depois: Incorreta. Embora haja temporalidade, a expressão vai além da mera ordem cronológica. Ela destaca fases vitais, não só a passagem do tempo.

C) da beleza à feiura: Incorreta. Não há julgamento estético no trecho. O foco está no ciclo de vida, não na aparência.

Como interpretar corretamente:
Para resolver questões desse tipo, atenha-se ao contexto em que a expressão está inserida. Busque no texto pistas sobre o sentido metafórico ou simbólico, evitando interpretações literais ou precipitadas. Ler atentamente e questionar o que cada parte representa no todo é fundamental, como recomendam Celso Cunha e Lindley Cintra ao tratarem de semântica e interpretação textual.

Dica de prova:
Fique atento a expressões em sentido figurado e evite se enganar com alternativas que simplificam demais (ex: apenas “antes e depois”), pois muitas vezes elas não abarcam toda a riqueza do texto.

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