“Só viajar importa"; a reescritura dessa frase que altera o ...

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Q588810 Português
O GOSTO DA SURPRESA
Betty Milan

    Nada é melhor do que se surpreender, olhar o mundo com olhos de criança. Por isso as pessoas gostam de viajar. Nem o trânsito, nem a fila do aeroporto, nem o eventual desconforto do hotel são empecilhos neste caso. Só viajar importa, ir de um para outro lugar e se entregar à cena que se descortina. Como, aliás, no teatro.
    O turista compra a viagem baseado nas garantias que a agência de turismo oferece, mas se transporta em busca de surpresa. Porque é dela que nós precisamos mais. Isso explica a célebre frase “navegar é preciso, viver não", erroneamente atribuída a Fernando Pessoa, já que data da Idade Média.
    Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar um monumento histórico.
    Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade natural da criança e que o adulto precisa conquistar, suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se deixando absorver por preocupações egocêntricas. Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete perfeitamente numa água tranquila.
“Só viajar importa"; a reescritura dessa frase que altera o seu sentido original é:
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de texto e ambiguidade causada pela posição do advérbio “só”. A colocação desse termo pode alterar o sentido da frase, conforme destacam gramáticas como a de Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra.

Justificativa da alternativa correta (A): A alternativa A) viajar só importa modifica o sentido original da frase “Só viajar importa”. No texto, “só viajar importa” significa que apenas o ato de viajar tem importância, excluindo outras coisas. Ao colocar "só" depois do verbo (viajar só importa), cria-se ambiguidade: pode significar que viajar só tem importância em algumas situações, diferente do foco da frase original. Assim, há alteração de sentido, exatamente o que a questão pede.

Análise das alternativas incorretas:

B) só importa viajar: Esta frase mantém o sentido original — “apenas viajar importa”. O advérbio “só” está antes do verbo, limitando a importância exclusivamente ao viajar (ações de outros tipos não importam). Não altera o sentido.

C) só importa a viagem: Apesar de trocar “viajar” (verbo) por “a viagem” (substantivo), o sentido central da exclusividade se preserva. A diferença é sutil e não altera fundamentalmente o que se quis comunicar; ainda restringe a importância ao fato de “a viagem”.

D) só a viagem importa: Este caso enfatiza que "apenas a viagem" tem valor, mantendo o foco exclusivo. Não incide alteração relevante no sentido. Segue o padrão original: o exclusivo valor do viajar.

Explicação das regras envolvidas: Os advérbios posicionados antes ou depois de verbos modificam o termo ao qual se referem. Segundo Bechara, “só” antes do verbo é restritivo ao verbo; depois, pode-se interpretar como restrição a toda situação, acarretando ambiguidade (Ex: "ela só estudou” ≠ “ela estudou só”).

Estratégia para provas: Sempre observe o posicionamento e o termo modificado pelo advérbio. Mudanças sutis costumam ser exploradas como pegadinhas.

Resumo: A alternativa A foi escolhida por alterar o sentido, ao introduzir ambiguidade. Nas demais, a essência da frase original permanece preservada.

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Sentido de viajar sozinho

A) viajar só importa

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