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Q4192032 História
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No contexto da Crise do Antigo Regime, se havia barreiras de ordem material à difusão das ideias ilustradas (analfabetismo, marginalização do povo da vida política, deficiência dos meios de comunicação), o maior entrave advinha, no entanto, da própria essência dessas ideias, incompatíveis, sob muitos aspectos, com a realidade brasileira. Na Europa, o liberalismo era uma ideologia burguesa voltada contra as Instituições do Antigo Regime, os excessos do poder real, os privilégios da nobreza, os entraves do feudalismo ao desenvolvimento da economia.
(Emília Viotti da Costa, Da monarquia à república: momentos decisivos. Adaptado)


No Brasil, segundo Emília Viotti da Costa,
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O trecho destaca a incompatibilidade parcial entre o liberalismo europeu e a realidade brasileira. A consequência decisiva é que, no Brasil, a adesão liberal foi seletiva e compatível com os interesses dos proprietários, especialmente na defesa da liberdade de comércio e da autonomia administrativa, sem ruptura com a estrutura agrária escravista.

Tema central: liberalismo colonial seletivo
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque traduz o critério central da interpretação cobrada: no Brasil, setores dominantes rurais se apropriavam de pautas liberais compatíveis com seus interesses, como liberdade de comércio e autonomia administrativa, sem romper com a estrutura agrária escravista. Esse é o ponto decisivo da leitura de Emília Viotti da Costa indicada na base.
B
Errada
Está errada porque afirma que a elite do Centro-Sul não combatia o monopólio comercial, quando a defesa da liberdade de comércio era justamente um núcleo da apropriação liberal feita por essas elites. O erro é negar um elemento central da pauta econômica liberal no Brasil.
C
Errada
Está errada porque atribui aos liberais brasileiros defesa do fim do tráfico negreiro e da mão de obra cativa. Isso contraria diretamente o ponto central da questão: a adesão liberal não implicava renúncia à propriedade escrava.
D
Errada
Está errada porque desloca os principais difusores do liberalismo para lideranças católicas e ainda afirma que não legitimavam críticas ao absolutismo e ao controle português. Isso é incompatível com a base social indicada na interpretação cobrada e com o conteúdo político do liberalismo referido.
E
Errada
Está errada porque troca o sujeito histórico principal: em vez de elites agrárias proprietárias, fala em classes médias urbanas espalhadas pela Colônia. Além disso, radicaliza o programa ao associá-lo a república independente com abolição da escravatura, o que não corresponde à apropriação liberal dominante indicada na base.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi supor que receber ideias liberais significava defender transformação social ampla, inclusive abolição, quando a chave do período é a apropriação seletiva dessas ideias pela elite agrária escravista.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado contrapuser liberalismo europeu e realidade brasileira, procure a adaptação seletiva das ideias aos interesses locais, e não sua reprodução integral.
  • Se a alternativa combinar liberdade econômica ou autonomia política com preservação da escravidão e do latifúndio, ela tende a se alinhar à interpretação clássica cobrada.
  • Elimine opções que atribuam protagonismo principal a classes médias urbanas, clericais ou pautas abolicionistas gerais quando a base histórica destacada for a elite agrária colonial.

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GABARITO A

A tese central é que o liberalismo no Brasil foi adaptado às conveniências da elite agrária (proprietários de terras e escravos).

A IDEIA CENTRAL: As elites rurais brasileiras adotaram os aspectos do liberalismo que lhes interessavam (fim do pacto colonial, liberdade de comércio e autonomia em relação a Portugal).

A CONTRADIÇÃO (O LIBERALISMO "DE FACHADA"): Diferente da Europa, onde o liberalismo lutava contra os privilégios e pela liberdade universal, no Brasil a elite liberal manteve intactos os dois pilares da estrutura social e econômica da época: o latifúndio e a escravidão.

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