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Q3511271 Odontologia
Paciente comparece ao consultório com queixa de escurecimento de um dente após realização de tratamento endodôntico. De acordo com o protocolo clínico para clareamento interno de dentes tratados endodonticamente, é correto afirmar:
Alternativas

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Tema central: Clareamento interno (“walking bleach”) em dente tratado endodonticamente e prevenção de reabsorção radicular, especialmente a reabsorção cervical externa (principal risco).

Alternativa correta – A: O perborato de sódio misturado com água destilada é o agente mais seguro, com menor risco de reabsorção cervical externa. Evita-se o uso de peróxido de hidrogênio a 30–35% e o calor, ambos associados a maior difusão pelos túbulos dentinários e inflamação periodontal. Essa conduta é recomendada por textos de referência (Cohen’s Pathways of the Pulp; Ingle’s Endodontics) e relatada em revisões e posicionamentos clínicos (AAE – American Association of Endodontists; Rotstein et al.).

Estratégia de prova: Atenção à pegadinha do termo “reabsorção interna”. O risco clássico do clareamento interno é reabsorção cervical externa, não interna.

Por que as demais estão incorretas?

B – É correto fazer um selamento cervical sobre a obturação (2–3 mm abaixo da JEC) para impedir difusão do agente ao periodonto. Contudo, a alternativa erra ao justificar “evitar reabsorção interna” e ao falar em “selamento biomecânico”. O objetivo é prevenir reabsorção cervical externa. Além disso, materiais como ionômero de vidro (ou RMGI) são preferidos pela vedação em meio úmido; resina composta pode ser usada, mas não é o “padrão-ouro”.

C – Não se deve desobturar “todo o comprimento da coroa e mais 5 mm”. O correto é remover a guta-percha apenas até 2–3 mm apical à JEC para inserir a barreira cervical, preservando o selamento endodôntico apical. Remover em excesso aumenta risco de infiltração e complicações.

D – O procedimento deve ser feito com isolamento absoluto para proteger tecidos moles e evitar contaminação. “Isolamento relativo” é inadequado. A seleção de cor dos dentes adjacentes é feita antes, mas isso não justifica abrir mão do dique de borracha durante a técnica.

E – A cavidade não deve ser lavada com clorexidina 2% antes do clareamento. CHX pode manchar e não é indicada nessa etapa. Prefere-se água destilada ou soro fisiológico; evita-se NaOCl (reação indesejada com peróxidos). Quando necessário, pode-se neutralizar com bicarbonato de sódio antes do selamento temporário.

Protocolo resumido (seguro e cobrado em provas):

  • Avaliar etiologia do escurecimento e integridade da obturação.
  • Remover guta-percha até 2–3 mm abaixo da JEC e confeccionar barreira cervical (ionômero/RMGI).
  • Aplicar perborato de sódio + água na câmara; selar temporariamente (técnica “walking bleach”).
  • Reavaliar em 7–10 dias; repetir se necessário.
  • Após término, usar Ca(OH)₂ por 1 semana para elevar pH e reduzir risco de reabsorção cervical externa; restaurar definitivamente.

Referências usuais: Cohen’s Pathways of the Pulp; Ingle’s Endodontics; AAE Considerations for Internal Bleaching; estudos de Rotstein sobre risco de reabsorção com H₂O₂ concentrado e calor.

Gabarito: A

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Há um erro na questão. O tipo de reabsorção que pode ocorrer em clareamento interno é EXTERNA e não interna.

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