Adolescente de 17 anos procura atendimento por irregularida...

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Q4157204 Medicina
Adolescente de 17 anos procura atendimento por irregularidade menstrual, com ciclos a cada dois ou três meses desde a menarca, aos 14 anos. Queixa-se de acne e ganho de 7 kg, com aumento da barriga. Não tem histórico familiar de diabetes, mas a mãe também tem “problemas hormonais”. Ao EF, apresenta IMC de 30 kg/m2 , hirsutismo (15 pontos na escala Ferriman-Gallwey) e acne moderada. Sem hipertensão. Sem clitoromegalia.

Com base no quadro apresentado, qual a hipótese diagnóstica mais provável e o exame corretamente indicado, respectivamente? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A decisão se apoia na combinação de disfunção ovulatória crônica e hiperandrogenismo clínico em adolescente, na ausência de virilização rápida/franca ou de sinais que priorizem outras endocrinopatias; isso favorece síndrome dos ovários policísticos e torna a alternativa D a melhor entre as oferecidas.

Tema central: SOP na adolescência
Análise das alternativas
A
Errada
Tumor virilizante ovariano fica enfraquecido porque o enunciado não mostra virilização franca nem instalação rápida/progressiva do hiperandrogenismo; faltam sinais como clitoromegalia, voz grave ou aumento importante de massa muscular. O padrão é crônico desde a menarca, mais compatível com SOP.
B
Errada
Síndrome de Cushing não é a hipótese mais provável porque obesidade e irregularidade menstrual são achados inespecíficos. Para priorizá-la, seriam esperados estigmas cushingoides mais característicos, como fácies cushingoide, estrias violáceas largas, fraqueza muscular proximal, hipertensão ou equimoses fáceis, ausentes na descrição. O exame proposto também está inadequado: TSH não define Cushing.
C
Errada
Hiperprolactinemia não é sustentada pelo quadro clínico, que é dominado por hiperandrogenismo, não por síndrome hiperprolactinêmica. Faltam galactorreia, sintomas neurológicos ou sinais de efeito de massa que priorizem essa hipótese. Além disso, ressonância de crânio/sela não é exame inicial sem documentação bioquímica de hiperprolactinemia ou sinais compressivos.
D
Certa
A alternativa D acerta a hipótese diagnóstica porque o quadro reúne os dois pilares clínicos mais relevantes da SOP nesta faixa etária: oligomenorreia persistente após o período pós-menarca e hiperandrogenismo clínico, documentado por hirsutismo importante e acne. A obesidade reforça a plausibilidade clínica. A dosagem de androgênios séricos é pertinente na avaliação etiológica inicial do hiperandrogenismo, e o US pélvico pode ter papel complementar/excludente na avaliação ginecológica. Em adolescente, porém, o ultrassom não é o critério diagnóstico central nem confirma SOP isoladamente.
E
Errada
Hiperplasia adrenal congênita não clássica entra no diferencial do hiperandrogenismo, mas a alternativa erra no exame. O exame-chave nessa suspeita é laboratorial, especialmente 17-hidroxiprogesterona; US abdominal não confirma esse diagnóstico. Portanto, mesmo que o diagnóstico diferencial exista, a combinação proposta está tecnicamente incorreta.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar hirsutismo importante como sinônimo de tumor virilizante, quando o decisivo seria virilização rápida/franca, e supervalorizar o ultrassom como se fosse o critério principal de SOP na adolescente, quando o núcleo diagnóstico aqui é hiperandrogenismo clínico associado à disfunção ovulatória persistente.
Dica para questões semelhantes
  • Em adolescente com ciclos persistentemente espaçados anos após a menarca, procure primeiro se há hiperandrogenismo clínico; essa combinação favorece SOP.
  • Diferencie hirsutismo crônico de virilização tumoral: clitoromegalia e progressão rápida mudam a prioridade diagnóstica.
  • Na suspeita de hiperprolactinemia, não antecipe imagem hipofisária sem sustentação clínica/laboratorial.
  • Se a alternativa citar HAC não clássica, confira se o exame proposto é 17-hidroxiprogesterona; imagem abdominal não confirma esse diagnóstico.

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