Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

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Q4157196 Medicina
Considere o caso clínico a seguir para responder à questão:


Mulher de 24 anos vai ao pronto atendimento com queixa de dor pélvica insidiosa que acomete todo o hipogástrio e que apareceu logo após seu período menstrual. Não apresenta febre, dispareunia nem sintomas gastrointestinais. Não utiliza método contraceptivo, pois preferia o coito interrompido. Não tinha parceiro fixo. Ao exame físico: bom estado geral, afebril. Apresentava dor à palpação abdominal infraumbilical. No exame especular, observou-se corrimento amarelado e bolhoso sem odor e sem hiperemia; ao toque vaginal, apresentou dor à mobilização cervical.
Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é clínico: em mulher sexualmente ativa com dor pélvica baixa, a dor à mobilização cervical ao toque vaginal sustenta fortemente doença inflamatória pélvica aguda. No caso, esse achado, junto da dor hipogástrica/infraumbilical, torna a DIP a hipótese mais provável, mesmo sem febre.

Tema central: Diagnóstico clínico de DIP
Análise das alternativas
A
Errada
Endometriose não é a hipótese mais provável porque seu padrão típico é de dor pélvica crônica, frequentemente cíclica, com dismenorreia progressiva e dispareunia profunda. Aqui há um quadro compatível com processo infeccioso do trato genital superior, marcado por dor à mobilização cervical, o que não favorece endometriose.
B
Errada
Tricomoníase entra no diferencial pelo corrimento amarelado e bolhoso, que pode ser compatível com vaginite/cervicite por Trichomonas. Porém, esse achado isolado não explica melhor a dor pélvica baixa com dor à mobilização cervical, que aponta para acometimento ascendente do trato genital superior. O erro é ancorar no corrimento e ignorar o sinal semiológico mais forte para DIP.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a dor à mobilização cervical é o achado mais decisivo do caso e aponta para acometimento inflamatório ascendente do trato genital superior. A dor pélvica baixa, a dor à palpação infraumbilical e o contexto de exposição a IST reforçam a hipótese. A ausência de febre não exclui DIP, pois quadros leves ou iniciais podem ocorrer em paciente afebril e em bom estado geral.
D
Errada
Dismenorreia é dor relacionada ao período menstrual, em geral do tipo cólica, sem dor à mobilização cervical e sem achados sugestivos de infecção genital. No caso, a dor apareceu após a menstruação e o exame ginecológico mostra sinal típico de processo inflamatório pélvico, o que afasta dor menstrual funcional como melhor hipótese.
E
Errada
Infecção do trato urinário costuma cursar com sintomas urinários, como disúria, polaciúria e urgência miccional, podendo haver dor suprapúbica. Nesta questão, faltam sintomas urinários e há achados ginecológicos específicos — corrimento e dor à mobilização cervical — que não são explicados adequadamente por ITU.
Pegadinha da questão
A banca induz à tricomoníase pelo aspecto do corrimento, mas o dado que realmente define a hipótese principal é a dor à mobilização cervical associada à dor pélvica; além disso, afebril e bom estado geral não excluem DIP.
Dica para questões semelhantes
  • Em dor pélvica baixa em mulher sexualmente ativa, valorize primeiro a dor à mobilização cervical no toque vaginal, porque esse é o achado mais decisivo para DIP.
  • Não exclua DIP apenas por ausência de febre ou toxemia; quadros leves e iniciais podem ser afebris.
  • Não deixe o aspecto do corrimento sozinho definir o diagnóstico principal quando houver sinal de acometimento do trato genital superior.
  • Use o conjunto sindrômico: exposição sexual + dor hipogástrica/infraumbilical + dor à mobilização cervical favorece DIP.

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