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Ano: 2022 Banca: NC-UFPR Órgão: PM-PR Prova: NC-UFPR - 2022 - PM-PR - Cadete |
Q1901533 Português
O texto a seguir é referência para a questão.

Da Violência

Hannah Arendt

Estas reflexões foram causadas pelos eventos e debates dos últimos anos comparados com o background do século vinte, que se 2 tornou realmente, como Lênin tinha previsto, um século de guerras e revoluções; um século daquela violência que se acredita 3 comumente ser o denominador comum destas guerras e revoluções. Há, todavia, um outro fator na situação atual que, embora não 4 previsto por ninguém, é pelo menos de igual importância. O desenvolvimento técnico dos implementos da violência chegou a tal 5 ponto que nenhum objetivo político concebível poderia corresponder ao seu potencial destrutivo, ou justificar seu uso efetivo num 6 conflito armado. Assim, a arte da guerra – desde tempos imemoriais o impiedoso árbitro final em disputas internacionais – perdeu 7 muito de sua eficácia e quase todo seu fascínio. O “apocalíptico” jogo de xadrez entre as superpotências, ou seja, entre os que 8 manobram no plano mais alto de nossa civilização, está sendo jogado segundo a regra “se qualquer um ‘ganhar’ é o fim de ambos”; 9 é um embate sem qualquer semelhança com os outros embates militares precedentes. Seu objetivo “racional” é intimidação e não 10 vitória, e a corrida armamentista, já não sendo uma preparação para a guerra, só pode ser justificada agora pela ideia de que quanto 11 mais intimidação houver maior é a garantia de paz.

(Extraído e adaptado de: Arendt, H. Crises da República. SP: Perspectiva, 2017.)
Acerca dos relatores de coesão presentes no texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas

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Tema central: A questão aborda coesão textual e valor semântico de conectivos, um tema fundamental na banca de concursos para Cabo da Polícia Militar. Interpretar corretamente esses elementos é crucial para compreender as relações entre as ideias no texto.

Análise da alternativa correta (D):

O termo "embora" é uma conjunção subordinativa adverbial concessiva. Segundo a norma-padrão e gramáticas como as de Cunha & Cintra e Bechara, essa conjunção indica concessão, ou seja, introduz uma ideia de contraste entre o que é expresso na oração subordinada e o que ocorre na principal. A locução "por mais que" também introduz orações concessivas, com valor semântico equivalente a "embora": algo acontece apesar de alguma circunstância.

Exemplo:Embora esteja cansado, vai trabalhar.” ≈ “Por mais que esteja cansado, vai trabalhar.”

Análise das alternativas incorretas:

A) O "que" em “daquela violência que se acredita” é pronome relativo, não uma conjunção integrante (que introduziria uma oração subordinada substantiva). Não tem valor aditivo.

B) O termo “assim” tem valor de conclusão ou consequência, não de oposição (adversidade); logo, não é adversativo.

C) “Ou seja” apresenta uma explicação ou esclarecimento; já “quer seja” indica alternância entre possibilidades. Têm funções distintas na coesão.

E) “Já não” indica negação ou cessação de hábito, e não concessão. Não equivale a “ainda que”, que expressa concessividade.

Estratégia para a prova:

Atente sempre ao valor semântico dos conectivos: concessão (“embora”, “por mais que”), consequência (“assim”, “portanto”), oposição (“mas”, “porém”) e explicação (“ou seja”). Trocá-los pode alterar completamente o sentido do texto.

Referência:

Gramáticas de Cunha & Cintra e Bechara reforçam que “embora” e “por mais que” têm valor concessivo equivalente.

Gabarito: D

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ambas concessivas !

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