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Q4192172 Medicina
Analise o caso clínico a seguir para responder à questão:

Paciente, sexo feminino, 71 anos, portadora de hipertensão arterial e diabetes mellitus 2 em insulinoterapia, há 10 anos. Foi admitida, há 4 dias, por infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento de ST em parede inferior, com evolução de 5 horas do início da dor torácica, submetida à angioplastia primária com sucesso em artéria coronária direita proximal, com tempo porta-balão de 90 minutos. Internada na Unidade Coronariana, evoluiu inicialmente de forma estável, em Killip I. No quarto dia de internação, apresenta piora súbita com dispneia intensa, ortopneia e sensação de sufocamento. Refere ansiedade importante e incapacidade de permanecer em decúbito. Ao exame físico: PA: 86 x 58 mmHg; FC: 118 bpm; FR: 32 irpm; saturação: 88% em ar ambiente; extremidades frias e sudoreicas; turgência jugular discreta; ritmo cardíaco regular com sopro holossistólico intenso em foco mitral, irradiado para axila e murmúrio vesicular com estertores crepitantes difusos bilaterais.
Com base nas informações apresentadas e na evolução clínica, é correto afirmar que o diagnóstico é
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No 4º dia após IAM inferior, a piora súbita com dispneia intensa, ortopneia, hipotensão, hipoperfusão e novo sopro holossistólico em foco mitral irradiado para axila caracteriza insuficiência mitral aguda grave por ruptura de músculo papilar, complicação mecânica clássica do infarto que leva à alternativa B.

Tema central: Complicação mecânica pós-IAM
Análise das alternativas
A
Errada
A comunicação interventricular pós-infarto também pode surgir nessa janela temporal e causar choque e insuficiência cardíaca aguda, mas o sopro esperado é mais compatível com borda esternal esquerda, frequentemente com frêmito, por shunt interventricular. Aqui, a topografia e a irradiação do sopro são típicas de insuficiência mitral aguda, não de CIV.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne o padrão temporal e semiológico típico de ruptura de músculo papilar após IAM: instalação abrupta alguns dias após o infarto, insuficiência mitral aguda com sopro holossistólico em foco mitral irradiado para axila, congestão pulmonar intensa com estertores difusos e ortopneia, além de hipotensão e choque por queda do débito anterógrado. O IAM inferior reforça esse diagnóstico, pois essa complicação se associa classicamente ao músculo papilar posteromedial.
C
Errada
Reinfarto com disfunção ventricular esquerda progressiva não explica de forma específica o aparecimento de novo sopro holossistólico mitral irradiado para axila. A descompensação descrita é abrupta e com marcador auscultatório de lesão estrutural valvar, o que favorece complicação mecânica, não mera progressão de disfunção ventricular.
D
Errada
Tamponamento por ruptura de parede livre cursa com colapso hemodinâmico por restrição ao enchimento cardíaco, tipicamente sem o padrão de edema agudo de pulmão com estertores difusos como manifestação dominante, e não produz sopro holossistólico mitral irradiado para axila. A turgência jugular discreta isolada não supera os achados que apontam para insuficiência mitral aguda.
E
Errada
Insuficiência mitral crônica descompensada não corresponde ao contexto de instalação súbita no 4º dia pós-IAM com choque e edema agudo de pulmão. Na forma crônica há adaptação hemodinâmica do átrio esquerdo; aqui, a gravidade abrupta e o vínculo temporal com o infarto indicam insuficiência mitral aguda por complicação mecânica.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre as complicações mecânicas pós-IAM que cursam com choque e sopro sistólico, especialmente CIV versus ruptura de músculo papilar; o desempate está na semiologia do sopro mitral irradiado para axila e no quadro de insuficiência mitral aguda.
Dica para questões semelhantes
  • Em piora súbita entre 2 e 7 dias após IAM, pense primeiro em complicação mecânica.
  • Novo sopro holossistólico em foco mitral com irradiação para axila favorece insuficiência mitral aguda.
  • Edema agudo de pulmão mais choque após IAM inferior é combinação clássica de ruptura de músculo papilar.
  • Não rotule como reinfarto ou descompensação inespecífica quando surgir novo sopro valvar importante no pós-IAM.

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