Considerando o quadro clínico e a avaliação pelo Heart Team...

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Q4192168 Medicina
Considere o caso clínico a seguir para responder à questão:

Paciente, sexo feminino, 79 anos, com história de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FE 32%), etiologia isquêmica, portadora de doença arterial coronariana com angioplastia prévia, fibrilação atrial permanente e doença renal crônica estágio 3 é admitida por dispneia progressiva aos mínimos esforços, ortopneia e múltiplas internações por descompensação nos últimos 6 meses. Encontra-se em uso otimizado de terapia para insuficiência cardíaca segundo as diretrizes atuais. Exames complementares: ecocardiograma transtorácico: FEVE: 32%; dilatação importante de VE; insuficiência mitral grave (EROA 0,42 cm2 , volume regurgitante elevado); jato central predominante e etiologia funcional (restrição de folhetos, tethering).

Foi submetida a avaliação pelo Heart Team que ponderou alguns aspectos do caso clínico:

•  EuroSCORE II elevado;

•  Múltiplas comorbidades.
Considerando o quadro clínico e a avaliação pelo Heart Team, assinale a alternativa correta com relação à escolha entre cirurgia cárdiaca aberta ou intervenção percutânea com dispositivo minimamente invasivo de reparação da válvula mitral (MitraClip) nesse caso.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Na insuficiência mitral secundária funcional grave, a diretriz indica/considera TEER (MitraClip) quando há sintomas persistentes apesar de tratamento clínico otimizado da insuficiência cardíaca, anatomia favorável e alto risco cirúrgico/inadequação para cirurgia; no caso, a paciente tem FEVE 32%, IM grave funcional, dispneia/ortopneia e internações recorrentes apesar de terapia otimizada, com EuroSCORE II elevado e múltiplas comorbidades, o que direciona a escolha para TEER e não para cirurgia obrigatória.

Tema central: TEER/MitraClip na insuficiência mitral secundária
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque cirurgia não é mandatória em toda insuficiência mitral grave. A decisão depende da etiologia da regurgitação, da persistência de sintomas, da função ventricular, da anatomia e do risco operatório. Neste caso, a IM é secundária funcional, a paciente tem alto risco cirúrgico e foi avaliada por Heart Team, cenário em que a diretriz admite TEER como alternativa apropriada.
B
Errada
Está errada porque disfunção ventricular esquerda não contraindica qualquer intervenção valvar. Na IM secundária, a disfunção de VE faz parte do próprio mecanismo fisiopatológico da regurgitação. O ponto decisivo não é excluir por FE reduzida, mas selecionar o paciente conforme sintomas, gravidade da IM, tratamento otimizado, anatomia e probabilidade de benefício. FEVE de 32% está dentro da faixa contemplada nas diretrizes para TEER em pacientes selecionados.
C
Errada
Está errada porque, embora o tratamento clínico otimizado seja a base inicial da IM secundária, o enunciado mostra persistência de sintomas importantes e múltiplas internações apesar dessa otimização. Nessa situação, não se sustenta manter conduta exclusivamente clínica. Além disso, a base informa que, em perfil selecionado, a TEER pode melhorar sintomas e reduzir hospitalizações, de modo que é falso dizer que a intervenção não modifica prognóstico em nenhum caso.
D
Errada
Está errada porque o MitraClip não é restrito à insuficiência mitral degenerativa. As diretrizes citadas na base contemplam TEER também na insuficiência mitral secundária funcional grave em pacientes sintomáticos, após tratamento otimizado da insuficiência cardíaca, com anatomia favorável e alto risco cirúrgico ou inadequação para cirurgia.
E
Certa
A alternativa E está correta porque reúne os elementos exigidos para considerar TEER: insuficiência mitral secundária funcional grave, sintomas persistentes apesar de tratamento clínico otimizado da insuficiência cardíaca, FEVE dentro do perfil contemplado nas diretrizes para pacientes selecionados, avaliação por Heart Team e risco cirúrgico elevado. Nesse contexto, a estratégia percutânea minimamente invasiva é apropriada quando a anatomia é favorável. O enunciado ainda descreve jato central predominante e não traz inviabilidade técnica explícita, o que sustenta a escolha proposta pela alternativa.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar toda insuficiência mitral grave como indicação automática de cirurgia aberta e achar que MitraClip só vale para etiologia degenerativa, ignorando sua indicação em IM secundária funcional grave selecionada após terapia otimizada e avaliação por Heart Team.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro classifique a insuficiência mitral em primária/degenerativa ou secundária/funcional, porque isso muda o raciocínio de intervenção.
  • Na IM secundária, verifique se houve tratamento otimizado da insuficiência cardíaca e se o paciente continua sintomático; sem isso, a indicação de TEER não se sustenta.
  • Alto risco cirúrgico, comorbidades e decisão por Heart Team pesam a favor de estratégia percutânea, não de cirurgia obrigatória.
  • FE reduzida isoladamente não exclui intervenção; em IM funcional, ela pode compor exatamente o perfil elegível para TEER.

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