Mulher de 36 anos refere massa cervical lateral pulsátil há ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4192634 Medicina
Mulher de 36 anos refere massa cervical lateral pulsátil há quatro anos e história familiar de tumores vasculares cervicais. A lesão ocupa o nível II cervical, há mobilidade lateral e restrição à manipulação craniocaudal, sem outros sinais ou sintomas. A ressonância magnética indicou a presença de tumor bem delimitado, hipervascular, com padrão “sal e pimenta”. Realizou uma angiotomografia computadorizada, que identificou um tumor na bifurcação carotídea alargando o espaço entre as carótidas interna e externa, classificação de Shamblin III. A dosagem de metanefrinas plasmáticas encontra-se dentro dos limites das referências laboratoriais.
Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o reconhecimento de paraganglioma de corpo carotídeo com provável forma hereditária: a massa cervical lateral pulsátil com sinal de Fontaine, a RM com padrão “sal e pimenta” e a angiotomografia mostrando alargamento entre as carótidas na bifurcação carotídea definem o diagnóstico, e a história familiar ativa a indicação de pesquisa genética, cuja principal consequência é intensificar a vigilância pós-terapêutica, o rastreamento de outros tumores relacionados e o aconselhamento familiar.

Tema central: Paraganglioma carotídeo familiar
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o caso tem achados clínicos e radiológicos típicos de paraganglioma de corpo carotídeo, e a história familiar aumenta a probabilidade de predisposição germinativa. Nessa situação, a pesquisa genética tem utilidade clínica objetiva: orientar seguimento mais rigoroso, rastrear tumores sincrônicos ou metacrônicos e direcionar o aconselhamento e rastreamento dos familiares. Esse é o impacto principal da positividade genética descrito na base.
B
Errada
Está errada porque Shamblin III não corresponde a baixo risco cirúrgico. Essa classificação indica tumor grande, intimamente aderido ou envolvendo os vasos carotídeos, com maior complexidade técnica e maior risco operatório. Além disso, a afirmação de que envolve somente uma face das carótidas descreve incorretamente essa classe. A parte final também erra ao transformar a embolização pré-operatória em algo dispensável por regra; pela base, essa decisão não é automática nem definida apenas pela classificação.
C
Errada
Está errada porque os paragangliomas de cabeça e pescoço não são universalmente radiorresistentes, e a radioterapia não é formalmente contraindicada em todos os casos. Pela base, ela pode ser opção terapêutica de controle local em situações selecionadas. Portanto, a alternativa erra por absolutizar uma contraindicação que não existe.
D
Errada
Está errada em três pontos técnicos. Primeiro, metanefrinas normais não excluem paraganglioma de cabeça e pescoço, porque esses tumores frequentemente são não funcionantes. Segundo, o conjunto semiológico e de imagem favorece fortemente paraganglioma carotídeo, não schwannoma: massa pulsátil, sinal de Fontaine, padrão “sal e pimenta” e separação entre carótida interna e externa na bifurcação carotídea são achados clássicos do primeiro. Terceiro, punção aspirativa por agulha fina não é o método confirmatório de escolha em massa carotídea hipervascular suspeita de paraganglioma, por baixo rendimento e potencial risco hemorrágico.
E
Errada
Está errada porque atribui à pesquisa genética um papel principal na escolha da técnica cirúrgica que a base não sustenta. A utilidade central da testagem genética, neste contexto, é sindrômica e de seguimento: vigilância pós-tratamento, rastreamento de outros tumores e rastreamento/aconselhamento familiar. O planejamento técnico cirúrgico depende sobretudo da anatomia tumoral, da extensão e da relação com vasos e nervos, não da positividade genética isoladamente.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões reais: usar metanefrinas normais para afastar paraganglioma de cabeça e pescoço e deslocar o papel principal da testagem genética do seguimento/rastreamento para a definição da técnica cirúrgica.
Dica para questões semelhantes
  • Massa cervical pulsátil na bifurcação carotídea com mobilidade lateral e restrição craniocaudal, somada ao padrão “sal e pimenta” e à separação entre carótidas, aponta para paraganglioma de corpo carotídeo.
  • Em paraganglioma de cabeça e pescoço, metanefrinas normais não excluem o diagnóstico; muitas lesões são não secretoras.
  • História familiar em paraganglioma deve acionar testagem genética com foco em vigilância, busca de outros tumores relacionados e aconselhamento de parentes.
  • Shamblin III significa maior envolvimento vascular e maior complexidade cirúrgica, não lesão de baixo risco.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo