Quanto à conduta correta no caso apresentado e aos princípi...

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Q4192632 Medicina
Analise o quadro clínico a seguir para responder à questão:

Mulher de 45 anos, tabagista, refere aumento progressivo do volume pré-auricular à direita há cerca de um ano, mas com alteração do ritmo de crescimento nos últimos dois meses, associado a dor local e com irradiação para a região temporal. Ao exame físico, observa-se lesão de 3,5 cm, endurecida, bem delimitada, pouco móvel, com discreta alteração da motilidade do lábio superior. Por meio da ultrassonografia, observa-se lesão sólida e heterogênea, sem adenomegalias associadas. Foi submetida à punção aspirativa com agulha fina, e a análise citológica do aspirado apresenta sugestão de neoplasia epitelial com atipias. Frente a esse resultado, a paciente foi submetida a ressonância magnética, com identificação de tumor sem planos claros de clivagem com os tecidos adjacentes, espessamento do nervo facial e alargamento do forame estilomastóideo.
Quanto à conduta correta no caso apresentado e aos princípios terapêuticos para as neoplasias malignas de glândula salivar, especificamente de parótidas, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Tumor maligno de parótida com suspeita de invasão/perineural do nervo facial e extensão proximal ao forame estilomastóideo: nesse cenário, o princípio curativo é ressecção cirúrgica com margem livre ao longo do trajeto neural comprometido, podendo exigir exploração do segmento intratemporal do facial. Isso favorece a alternativa A e afasta as propostas não cirúrgicas.

Tema central: Neoplasia maligna de parótida com invasão perineural do nervo facial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está alinhada ao princípio oncológico central do caso. Os achados clínicos sugerem malignidade local: crescimento progressivo com piora recente, dor, lesão endurecida e pouco móvel, além de discreta alteração da motilidade do lábio superior. A RM acrescenta o dado decisivo de acometimento perineural proximal, com espessamento do nervo facial e alargamento do forame estilomastóideo. Em doença ressecável de parótida com esse padrão, o tratamento curativo é cirúrgico, com extensão da ressecção conforme o trajeto neural comprometido para obter margem negativa.
B
Errada
Está errada porque radioterapia neoadjuvante em sítio primário e níveis de drenagem linfática não é conduta padrão em neoplasia maligna ressecável de parótida. O tratamento de escolha é cirúrgico, com radioterapia reservada sobretudo como adjuvante em fatores de alto risco ou em situações selecionadas não operáveis.
C
Errada
Está errada porque a evidência de acometimento do nervo facial não torna a radioterapia definitiva equivalente à cirurgia em doença ressecável. Nessa situação, o manejo oncológico central permanece cirúrgico, com ressecção do segmento comprometido para controle locorregional.
D
Errada
Está errada porque ablação percutânea guiada por ultrassonografia, por radiofrequência ou outras fontes térmicas não é estratégia terapêutica padrão estabelecida para neoplasias malignas de glândulas salivares maiores. No carcinoma de parótida, ela não substitui o controle cirúrgico de margens e do acometimento neural.
E
Errada
Está errada porque terapia-alvo sistêmica em neoadjuvância para tentar preservar estruturas nobres não dispõe de evidência robusta como padrão em carcinoma ressecável de parótida com invasão do facial. A base da conduta continua sendo a ressecção cirúrgica, com terapias sistêmicas reservadas a contextos selecionados.
Pegadinha da questão
A banca tenta desviar a atenção para o fato de a massa ser 'bem delimitada', mas o dado decisivo é o acometimento clínico-radiológico do nervo facial, especialmente o espessamento do facial e o alargamento do forame estilomastóideo.
Dica para questões semelhantes
  • Em tumor de parótida, dor, endurecimento, pouca mobilidade, mudança recente do ritmo de crescimento e déficit facial pesam mais que o aspecto de 'bem delimitada' na suspeita de malignidade.
  • Espessamento do nervo facial e alargamento do forame estilomastóideo na RM sugerem disseminação perineural proximal e podem exigir ressecção seguindo o trajeto neural.
  • Em carcinoma ressecável de parótida, o tratamento curativo de escolha é cirúrgico; radioterapia costuma ser adjuvante, não neoadjuvante de rotina nem equivalente à cirurgia.
  • Desconfie de alternativas que proponham ablação percutânea ou terapia-alvo neoadjuvante como padrão para preservar o facial em carcinoma de parótida.

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