Assinale a alternativa correta sobre o caso.

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Q4192631 Medicina
Analise o quadro clínico a seguir para responder à questão:

Mulher de 45 anos, tabagista, refere aumento progressivo do volume pré-auricular à direita há cerca de um ano, mas com alteração do ritmo de crescimento nos últimos dois meses, associado a dor local e com irradiação para a região temporal. Ao exame físico, observa-se lesão de 3,5 cm, endurecida, bem delimitada, pouco móvel, com discreta alteração da motilidade do lábio superior. Por meio da ultrassonografia, observa-se lesão sólida e heterogênea, sem adenomegalias associadas. Foi submetida à punção aspirativa com agulha fina, e a análise citológica do aspirado apresenta sugestão de neoplasia epitelial com atipias. Frente a esse resultado, a paciente foi submetida a ressonância magnética, com identificação de tumor sem planos claros de clivagem com os tecidos adjacentes, espessamento do nervo facial e alargamento do forame estilomastóideo.
Assinale a alternativa correta sobre o caso.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O caso reúne sinais clínicos de malignidade em tumor de parótida — dor, crescimento recente mais acelerado, endurecimento, pouca mobilidade e discreto déficit facial — além de citologia com atipias e achados de RM sugestivos de disseminação perineural, com espessamento do nervo facial e alargamento do forame estilomastóideo. Nessa suspeita, a história e o exame físico já justificam a ressonância magnética para avaliação da extensão local e do trajeto neural, sustentando a alternativa D.

Tema central: Tumor maligno de parótida
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque, neste cenário, a dor não aponta primariamente para sialadenite associada. Quando a massa parotídea vem com crescimento acelerado, endurecimento, pouca mobilidade, paresia facial e sinais de invasão perineural, a interpretação correta é suspeita de malignidade. Atribuir a dor a processo inflamatório ignora o valor semiológico da dor por invasão neural e tecidual em tumor maligno.
B
Errada
Está errada porque não existe, para a principal hipótese diagnóstica deste caso, um padrão obrigatório de baixa restrição à difusão e alto sinal em T2. Nos tumores malignos de glândulas salivares, a difusão e o sinal em T2 variam conforme o subtipo histológico, e maior celularidade pode inclusive se associar a restrição à difusão. A alternativa erra ao transformar um padrão não obrigatório em expectativa fixa.
C
Errada
Está errada porque a PAAF não é exame reservado apenas para casos duvidosos. Na propedêutica pré-operatória de tumores de glândulas salivares, ela é ferramenta útil para diferenciar lesão inflamatória de neoplásica e para sugerir benignidade versus malignidade, embora não estabeleça com perfeição o subtipo histológico definitivo. A limitação da PAAF não autoriza desqualificá-la como método de baixa utilidade.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso já era clinicamente suspeito de neoplasia maligna da parótida antes da punção: dor, alteração recente do ritmo de crescimento, lesão endurecida e pouco móvel e comprometimento motor facial discreto são sinais de alarme. Nessa situação, a ressonância magnética é o exame mais útil para definir extensão em partes moles, relação com planos profundos e comprometimento perineural, informação decisiva para estadiamento local e planejamento cirúrgico. A própria RM descrita depois confirmou exatamente o tipo de acometimento que a clínica já fazia suspeitar.
E
Errada
Está errada porque a ausência de componente cístico na imagem não exclui carcinoma adenoide cístico. Esse diagnóstico depende de histopatologia, e o nome histológico não exige demonstração de cistos nos exames de imagem. Além disso, o dado radiológico mais relevante no caso é o padrão de comprometimento perineural, que é compatível com neoplasia maligna salivar e não é afastado pela falta de componente cístico.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de tratar dor em glândula salivar como inflamação e de subestimar um déficit facial discreto. Aqui, justamente esses achados, somados aos sinais de invasão perineural na RM, é que deslocam o raciocínio para malignidade e tornam a RM indicada já pela clínica.
Dica para questões semelhantes
  • Em massa parotídea, dor, crescimento acelerado, endurecimento, hipomobilidade e paresia facial devem ser lidos como sinais de malignidade até prova em contrário.
  • Se houver suspeita de comprometimento do nervo facial ou de extensão para partes moles profundas, a RM ganha papel central no estadiamento local pré-operatório.
  • Não descarte a utilidade da PAAF por ela não fechar o subtipo histológico: ela continua sendo exame pré-operatório útil na distinção entre processo neoplásico e inflamatório e na estimativa de malignidade.
  • Não use ausência de componente cístico para excluir carcinoma adenoide cístico; o critério decisivo não é esse.

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