Recém-nascido a termo apresenta volumosa massa cervical late...

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Q4192612 Medicina
Recém-nascido a termo apresenta volumosa massa cervical lateral esquerda ao nascimento, de consistência macia, mal delimitada, com extensão para região submandibular e assoalho oral, e dificuldade respiratória progressiva. A lesão é translúcida à inspeção. Por meio de ultrassonografia, observa-se lesão multicística infiltrativa, compatível com linfangioma cervical e com extensão para os espaços cervicais profundos. Nos exames pré-natais, não houve diagnóstico da lesão.
Diante desse cenário, assinale a alternativa correta sobre o seguimento do caso.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a prioridade da via aérea diante de massa cervical congênita com insuficiência respiratória progressiva. Neste caso, o recém-nascido tem linfangioma cervical extenso, multicístico e infiltrativo, com acometimento de assoalho oral e espaços cervicais profundos, o que indica risco real de obstrução de via aérea e afasta a ideia de ressecção simples; por isso, a conduta correta é primeiro garantir a via aérea e, como tratamento inicial da lesão, privilegiar abordagem não cirúrgica como escleroterapia.

Tema central: Via aérea no linfangioma
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A reúne os dois pontos técnicos corretos do caso. Primeiro, a dificuldade respiratória progressiva em recém-nascido com massa cervical extensa impõe estabilização e proteção da via aérea como prioridade, podendo exigir procedimento invasivo, inclusive traqueostomia, se necessário. Segundo, a ultrassonografia descreve lesão multicística infiltrativa com extensão profunda, padrão típico de malformação linfática em que a abordagem inicial frequentemente é não cirúrgica, especialmente escleroterapia, porque a infiltração dificulta ressecção completa e aumenta o risco sobre estruturas adjacentes.
B
Errada
Está errada porque punção aspirativa esvaziadora isolada não é tratamento definitivo padrão da malformação linfática, já que pode apenas descomprimir temporariamente e a lesão tende a persistir ou recidivar. Além disso, radioterapia externa não é terapia de escolha para linfangioma cervical neonatal e acrescenta morbidade sem fundamento na condução padrão desse quadro.
C
Errada
Está errada porque escleroterapia intrauterina não é tratamento padrão ideal, seguro e rotineiro para essas lesões. A ausência de diagnóstico pré-natal não muda o dado decisivo do caso, que é o manejo neonatal de uma massa extensa com comprometimento respiratório; quando há preocupação fetal com via aérea ao nascimento, o foco é planejamento periparto e controle seguro da via aérea, não escleroterapia fetal como conduta padrão.
D
Errada
Está errada porque contradiz diretamente a caracterização da lesão. O enunciado informa malformação multicística infiltrativa com extensão para espaços cervicais profundos e assoalho oral, portanto não se trata de massa encapsulada de excisão completa simples e segura. Nesse contexto, cirurgia imediata como regra inicial é tecnicamente inadequada, pois a infiltração eleva a dificuldade de ressecção e o risco de lesão de estruturas nobres.
E
Errada
Está errada porque a textura macia e o caráter cístico não reduzem o risco de comprometimento da via aérea quando a lesão é volumosa e ocupa assoalho oral e espaços cervicais profundos. O recém-nascido já apresenta dificuldade respiratória progressiva, o que torna a relação causal com a massa o principal problema clínico do caso; investigar a dispneia em paralelo sem priorizar essa ameaça respiratória seria tecnicamente inadequado.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões: achar que uma lesão cística e macia oferece pouco risco respiratório e concluir que, por haver compressão, a cirurgia imediata seria a conduta padrão. O termo decisivo é "infiltrativa", somado à piora respiratória progressiva.
Dica para questões semelhantes
  • Em massa cervical congênita com desconforto respiratório progressivo, a primeira decisão é sempre a proteção da via aérea antes do tratamento definitivo da lesão.
  • Se a imagem descreve malformação linfática multicística ou macrocística infiltrativa, não assuma ressecção simples; esse padrão favorece abordagem inicial com escleroterapia.
  • Não confunda descompressão temporária por punção com tratamento padrão definitivo de malformação linfática.
  • Topografia e extensão para assoalho oral e espaços cervicais profundos pesam mais para risco de via aérea do que o fato de a lesão ser macia ou translúcida.

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