Em uma mulher de 58 anos, com diagnóstico de espondilite anq...

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Q4192610 Medicina
Em uma mulher de 58 anos, com diagnóstico de espondilite anquilosante em vigência de seguimento clínico e sem indicação de tratamento medicamentoso atual, é observada uma lesão em mucosa de língua oral e realizada a hipótese diagnóstica de líquen plano oral, por meio do exame físico. Tabagista de cerca de 5 cigarros ao dia, ela refere o surgimento da lesão há três meses, com discreta progressão de sua extensão.
Assinale a alternativa correta acerca do caso descrito e a hipótese diagnóstica de líquen plano oral.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A questão se resolve ao reconhecer que o líquen plano oral é uma desordem inflamatória crônica imunomediada, com potencial de malignização, o que exige seguimento clínico periódico e biópsia quando a apresentação é atípica ou há necessidade de excluir displasia/carcinoma; por isso, a alternativa E é a correta.

Tema central: Líquen plano oral
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque o diagnóstico não é sempre exclusivamente clínico, e a biópsia não é contraindicada. O dado correto é o oposto: nas formas atípicas, sintomáticas ou com dúvida diagnóstica, a biópsia é indicada para confirmação e para excluir displasia ou carcinoma. A alternativa erra no critério diagnóstico e cria uma falsa contraindicação.
B
Errada
Errada porque compartilhar caráter imunomediado com a espondilite anquilosante não permite afirmar associação etiológica direta entre as duas doenças. Também não há base para indicar imunossupressor sistêmico apenas por essa hipótese de lesão oral. O erro está em extrapolar fisiopatologia para causalidade e tratamento.
C
Errada
Errada porque o líquen plano oral não tem etiologia infecciosa fúngica. Portanto, raspado para pesquisa de fungos e antifúngicos tópicos ou sistêmicos não constituem abordagem de primeira linha para essa doença. A alternativa confunde líquen plano oral com candidíase oral.
D
Errada
Errada porque tabagismo aumenta a preocupação com transformação maligna e reforça a necessidade de seguimento e eventual avaliação histológica, mas não transforma uma lesão presumida como líquen plano oral em indicação automática de ressecção cirúrgica com margens oncológicas. Cirurgia oncológica exige confirmação de neoplasia; sem isso, a conduta é inadequada.
E
Certa
A alternativa E descreve corretamente os três pontos centrais do líquen plano oral cobrados na questão: natureza imunomediada, potencial de malignização e necessidade de vigilância periódica. Além disso, acerta a conduta diagnóstica ao indicar biópsia nas formas clínicas atípicas, como erosivas, atróficas e em placa, especialmente quando é preciso confirmação histopatológica ou exclusão de displasia/neoplasia. Isso está de acordo com o manejo consolidado em medicina oral: formas típicas podem ser reconhecidas clinicamente, mas apresentações não clássicas, persistentes ou progressivas exigem maior esclarecimento diagnóstico.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar toda lesão branca oral como infecção fúngica e interpretar potencial de malignização como se já houvesse câncer, o que leva a antifúngico indevido ou cirurgia oncológica sem confirmação diagnóstica.
Dica para questões semelhantes
  • Se a lesão for de líquen plano oral, pense primeiro em doença inflamatória crônica imunomediada, não em etiologia fúngica.
  • Formas típicas podem ser reconhecidas clinicamente, mas lesões atípicas, persistentes, progressivas, erosivas, atróficas ou em placa pedem biópsia.
  • Potencial de malignização significa necessidade de seguimento periódico, não tratamento oncológico imediato.
  • Não deduza associação etiológica direta nem imunossupressão sistêmica apenas porque outra doença do paciente também é imunomediada.

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