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Q4156400 Medicina

Mulher, 58 kg, portadora de hipotireoidismo primário, refere cefaleia associada a um aumento de volume urinário (cerca de 5 L/dia), inclusive durante a madrugada, e aumento da sede há 2 m, após submeter-se a uma cesariana. Exames: osmolalidade urinária = 270 mOsm/kg (VR: 300 a 800); osmolalidade sérica = 316 mOsm/kg (VR: 285 a 295); glicemia, calcemia, creatinina, potássio, TSH, T4L, LH, FSH, IGF-1 e GH normais; sódio = 147 mmol/L (VR: 136 a 145); ureia = 50 mg/dL (VR: 10 a 45); cortisol = 4 μg/dL (VR: 5 a 25) ACTH = 6 pg/mL (VR: 7 a 63) PRL = 80 ng/mL (VR: até 30). A ressonância magnética revelou grande massa selar, com realce pós- -contraste, que tocava o quiasma óptico.



Qual é o diagnóstico para esse caso?

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Puerpério + poliúria hipotônica com hiperosmolalidade sérica/hipernatremia + massa selar com hiperprolactinemia moderada por efeito de haste e hipocortisolismo central formam o conjunto típico de hipofisite linfocítica com diabetes insipidus central, o que sustenta o gabarito E.

Tema central: Hipofisite linfocítica puerperal
Análise das alternativas
A
Errada
Adenoma hipofisário não funcionante pode causar massa selar e hipopituitarismo, mas diabetes insipidus é incomum em adenoma hipofisário típico sem cirurgia ou destruição da haste/neuro-hipófise. No contexto de puerpério e com esse perfil hormonal, a hipótese fica menos compatível do que hipofisite linfocítica.
B
Errada
Diabetes insipidus nefrogênico explicaria poliúria com urina diluída, mas não explica massa selar, hiperprolactinemia por efeito de haste, ACTH/cortisol baixos nem o contexto pós-parto. O quadro aponta para causa central, não renal isolada.
C
Errada
Prolactina de 80 ng/mL é elevação moderada e pode decorrer de efeito de haste. Prolactinoma costuma produzir elevação mais marcada e não explica bem diabetes insipidus central. O puerpério e o hipopituitarismo parcial tornam hipofisite linfocítica a melhor hipótese.
D
Errada
Na polidipsia primária/psicogênica, espera-se osmolalidade sérica baixa ou normal-baixa, frequentemente com sódio baixo ou normal. Aqui há hiperosmolalidade sérica e hipernatremia, o que indica perda de água livre e afasta essa hipótese. Além disso, ela não explicaria a massa selar nem as alterações hormonais centrais.
E
Certa
Hipofisite linfocítica integra o puerpério, a cefaleia, a massa selar, a deficiência corticotrófica central, a hiperprolactinemia moderada por efeito de haste e o diabetes insipidus central por acometimento da neuro-hipófise/haste.
Pegadinha da questão
A banca tenta induzir adenoma ou prolactinoma por causa da massa selar e da prolactina elevada. O ponto decisivo é que diabetes insipidus central é incomum em adenoma típico e o puerpério favorece hipofisite linfocítica.
Dica para questões semelhantes
  • Em síndrome poliúrica, urina pouco concentrada com hiperosmolalidade sérica e hipernatremia favorece diabetes insipidus, não polidipsia primária.
  • Em massa selar, diabetes insipidus sugere acometimento de haste/neuro-hipófise e enfraquece adenoma hipofisário típico.
  • Hiperprolactinemia moderada em lesão selar deve ser interpretada como possível efeito de haste, não como prova de prolactinoma.
  • No fim da gestação ou no puerpério, massa hipofisária com cefaleia, disfunção hormonal e diabetes insipidus deve lembrar hipofisite linfocítica.

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