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Q4156392 Medicina

Mulher, 30 anos, refere quadro de tremores, palpitações, irritabilidade e agitação após uso de suplemento com iodo, coenzima Q10, ômega 3 e L-carnitina. Nega antecedentes familiares de tiropatias. Refere que, há 3 anos, constatou nódulo tiroidiano. Ao exame físico, apresenta: IMC = 25 kg/m2; FC = 130 bpm; ausência de exoftalmo; tremores; tiroide indolor à palpação, com nódulo de 2 cm em lobo direito. Dentre os exames laboratoriais: T4L 3 ng/dL (VR: 0,8 a 1,7 ng/dL); TSH < 0,01 mUI/L (VR: 0,4 a 4,5 mUI/L). Captação de iodo radioativa reduzida.



Em face do exposto, qual é o diagnóstico para esse caso? 

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a combinação entre tireotoxicose primária e exposição recente ao iodo em paciente com nódulo tireoidiano prévio: TSH suprimido com T4 livre elevado, uso de suplemento com iodo e captação de iodo radioativo reduzida. Esse conjunto sustenta síndrome de Jod-Basedow e afasta as causas hiperfuncionantes clássicas.

Tema central: Tireotoxicose induzida por iodo
Análise das alternativas
A
Errada
Hipertiroidismo central é incompatível com este perfil hormonal. Em origem hipofisária/central, o TSH estaria inapropriadamente normal ou elevado apesar do T4 livre alto. Aqui o TSH está intensamente suprimido, padrão de tireotoxicose primária.
B
Errada
Tiroidite subaguda pode cursar com captação reduzida, mas o quadro típico envolve dor cervical e sensibilidade importante da glândula, achados ausentes no enunciado, que descreve tireoide indolor. Além disso, há um gatilho iodado claro e nódulo prévio, combinação que sustenta melhor Jod-Basedow.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o caso combina os elementos clássicos da tireotoxicose induzida por iodo: exposição exógena ao iodo, doença nodular tireoidiana pré-existente e confirmação laboratorial de tireotoxicose primária. A captação de iodo radioativo reduzida é compatível com sobrecarga corporal de iodo e afasta as causas hiperfuncionantes clássicas com síntese aumentada difusa, reforçando o diagnóstico de síndrome de Jod-Basedow no contexto descrito.
D
Errada
Hashitoxicose é fase tireotóxica de tireoidite autoimune e exigiria contexto clínico ou laboratorial de Hashimoto, não fornecido no caso. O enunciado oferece uma explicação etiológica mais específica e suficiente: uso de iodo em paciente com doença nodular prévia.
E
Errada
Doença de Graves não se ajusta ao exame de captação. Em Graves, espera-se captação difusamente aumentada; aqui ela está reduzida. A ausência de exoftalmo isoladamente não excluiria Graves, mas somada à captação baixa e ao gatilho por iodo torna esse diagnóstico improvável.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre captação reduzida e tireoidite. Neste caso, captação baixa não aponta para tireoidite porque o contexto decisivo é exposição ao iodo em paciente com nódulo tireoidiano prévio, cenário compatível com Jod-Basedow.
Dica para questões semelhantes
  • Interprete primeiro a relação TSH-T4: TSH suprimido com T4 livre elevado define tireotoxicose primária e afasta causa central.
  • Quando houver exposição recente ao iodo, procure substrato tireoidiano prévio, como nódulo ou bócio nodular; essa combinação favorece Jod-Basedow.
  • Captação de iodo radioativo reduzida afasta Graves e adenoma tóxico clássico; ela deve ser lida junto com o contexto clínico, não isoladamente.
  • Dor e sensibilidade tireoidiana ajudam a sustentar tiroidite subaguda; sua ausência enfraquece esse diagnóstico quando existe outra causa causalmente definida.

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