Mulher, 54 anos, refere menopausa há 3 anos. Não se submete...

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Q4156383 Medicina

Mulher, 54 anos, refere menopausa há 3 anos. Não se submeteu à terapia de reposição hormonal e apresenta T-score = –2,8 DP na coluna e T-score = –2,6 DP no colo do fêmur. Nega fraturas. A investigação laboratorial não constatou alterações. Apresenta C-telopeptídeo sérico (CTX) = 0,60 ng/mL (VR pós-menopausa: 0,10 – 0,65 ng/mL) e risco de fratura de quadril em 10 anos igual a 4%.



Assinale a alternativa correta com relação à conduta terapêutica para esse caso.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Pela AACE/ACE 2020, T-score ≤ -2,5 define osteoporose e FRAX de quadril >3% caracteriza alto risco; como a paciente tem T-score de -2,8 na coluna, -2,6 no colo do fêmur e FRAX de 4%, ela tem indicação de tratamento farmacológico e não reúne critérios de risco muito alto.

Tema central: Risco de fratura
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque classifica a paciente como baixo risco e propõe apenas suplementação. Isso contraria dois critérios objetivos do caso: T-score ≤ -2,5 em dois sítios diagnóstica osteoporose, e FRAX de quadril de 4% excede o limiar de alto risco. Nessa situação, cálcio e vitamina D isoladamente não tratam adequadamente a osteoporose estabelecida.
B
Errada
Está errada pela estratificação excessiva para risco muito alto. Embora o uso de bisfosfonato seja compatível com necessidade de tratamento, o enunciado não traz fratura prévia, fratura recente, fraturas múltiplas, T-score < -3,0 nem probabilidade de fratura em patamar típico de muito alto risco. Pela base, o melhor enquadramento é alto risco, não muito alto.
C
Errada
Está errada porque nega o papel da avaliação do risco de fratura na definição terapêutica, quando justamente DMO e FRAX são os elementos que orientam a conduta neste caso. Além disso, propor apenas cálcio e vitamina D em paciente com osteoporose densitométrica e FRAX elevado é inadequado, pois há indicação de antiosteoporótico. O CTX dentro da faixa de referência pós-menopausa não substitui esses critérios nem elimina a necessidade de tratamento farmacológico.
D
Errada
Está errada porque classifica o caso como risco moderado, o que não se sustenta diante de osteoporose densitométrica associada a FRAX de quadril de 4%. Pela base, esse valor de FRAX já ultrapassa o limiar de alto risco, portanto a categoria moderada fica excluída.
E
Certa
A alternativa E é a compatível com o caso porque propõe bisfosfonato para uma paciente com osteoporose densitométrica e FRAX de quadril acima do limiar de alto risco. Assim, a conduta não se limita à suplementação de cálcio e vitamina D, que deve ser associada, mas não substitui o antiosteoporótico.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: achar que ausência de fratura prévia rebaixa automaticamente o caso para baixo ou moderado risco, e supervalorizar o CTX normal como se ele pudesse neutralizar a indicação de tratamento. O dado que resolve é a combinação de T-score osteoporótico com FRAX de quadril de 4%, que define necessidade de tratamento e favorece alto risco, sem critérios para muito alto risco.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro defina se há osteoporose densitométrica: T-score ≤ -2,5 em mulher pós-menopáusica já muda a conduta para tratamento farmacológico.
  • Use o FRAX para estratificar o risco: quadril >3% sustenta alto risco e reforça a intervenção.
  • Separe alto de muito alto risco pela presença de critérios adicionais, como fratura prévia importante/recente, fraturas múltiplas ou T-score mais extremo.
  • Não use marcador de remodelação óssea isoladamente para negar tratamento quando DMO e FRAX já indicam osteoporose com risco elevado.

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