Homem de 54 anos, com hipertensão arterial e infarto do mio...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4156984 Medicina
Homem de 54 anos, com hipertensão arterial e infarto do miocárdio com elevação de segmento ST há 2 anos, tratado com implante de stent na artéria descendente anterior, é atendido na clínica para acompanhamento de rotina. Ele nega qualquer desconforto torácico ou dispneia com as atividades diárias. Desde sua consulta anterior, há 6 meses, ele foi diagnosticado com diabetes mellitus. Os medicamentos diários incluem: aspirina (81 mg/dia); atenolol (50 mg/dia); lisinopril (10 mg/dia); rosuvastatina (20 mg/dia). Exame físico: frequência cardíaca: 62 bpm; pressão arterial: 112 × 65 mmHg; o restante do exame é normal. O ecocardiograma revela fração de ejeção do ventrículo esquerdo normal. A creatinina é de 0,9 mg/dL e o LDL é 73 mg/dL.
Nesse momento, a recomendação correta para esse paciente é
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: Paciente 2 anos após IAM com supra, assintomático, hemodinamicamente controlado, com FEVE preservada, função renal normal e LDL já em nível compatível com prevenção secundária; nesses achados, não há indicação objetiva para intensificar ou trocar a terapêutica, portanto a conduta é manter o esquema atual.

Tema central: Prevenção secundária pós-IAM
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há indicação clínica objetiva para intensificar o lisinopril. A PA é 112 x 65 mmHg, a FEVE é normal, a creatinina é normal e o enunciado não traz hipertensão não controlada, insuficiência cardíaca, remodelamento ventricular, proteinúria ou outra condição que sustente aumento do IECA.
B
Errada
Está errada porque a troca de atenolol por carvedilol não é exigida no cenário descrito. O paciente já usa beta-bloqueador, está com FC de 62 bpm, assintomático e com FEVE preservada. O papel preferencial clássico do carvedilol aparece especialmente quando há disfunção ventricular ou insuficiência cardíaca, o que não foi apresentado no caso.
C
Errada
Está errada porque o paciente já está em estatina de alta intensidade e o LDL de 73 mg/dL, dentro da lógica da questão, não impõe obrigatoriamente aumento de dose. A base indica que não há falha terapêutica, progressão clínica ou valor de LDL que torne necessária a intensificação para resolver o caso.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o quadro apresentado é de estabilidade clínica e controle dos principais parâmetros do seguimento pós-IAM. O paciente está sem angina ou dispneia, sem evidência de insuficiência cardíaca, com FEVE normal, creatinina preservada, pressão arterial adequada e já faz uso de aspirina, beta-bloqueador, IECA e estatina de alta intensidade. O diagnóstico recente de diabetes aumenta o risco cardiovascular global, mas, isoladamente, não obriga nenhuma das mudanças propostas nas demais alternativas.
E
Errada
Está errada porque, na fase crônica estável 2 anos após IAM com stent, aspirina isolada é compatível com o seguimento de muitos pacientes. O enunciado não informa síndrome coronariana aguda recente, intolerância à aspirina, alto risco trombótico adicional ou outra justificativa específica para substituir aspirina por ticagrelor.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de intensificar tratamento apenas porque o paciente teve IAM e recebeu diagnóstico recente de diabetes. O erro está em ignorar o dado decisivo do enunciado: ele já está estável, com FEVE preservada, hemodinâmica controlada e prevenção secundária adequadamente montada.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de mudar medicação no pós-IAM, procure o gatilho clínico objetivo: sintomas, FEVE reduzida, insuficiência cardíaca, PA fora de controle, piora renal ou evento isquêmico recorrente.
  • Em DAC estável, a presença dos pilares da prevenção secundária bem tolerados e com parâmetros controlados costuma favorecer manutenção, não escalonamento automático.
  • Não generalize indicações específicas: carvedilol não substitui qualquer beta-bloqueador em todo pós-IAM, e ticagrelor não troca aspirina rotineiramente na fase crônica estável.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo