Mulher de 27 anos com hipertireoidismo de Graves vem sendo ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4156982 Medicina
Mulher de 27 anos com hipertireoidismo de Graves vem sendo tratada com metimazol, 10 mg por dia, há 14 meses. À palpação, a glândula tireoide está no limite superior do tamanho normal, sem sopro. O histórico é positivo para tabagismo há 9 anos. Ela está interessada em interromper o uso de metimazol. Resultados dos exames laboratoriais atuais: TSH: 0,7 mU/L (normal: 0,5 a 5,0); T3 total: 166 ng/dL (normal: 70 a 200); T4 livre: 1,6 ng/dL (normal: 0,8 a 1,8); Anticorpos anti-TPO: 594 UI/mL (normal: <2,0); imunoglobulina estimulante da tireoide: 396%.
Qual característica dessa paciente prediz maior probabilidade de recidiva do hipertireoidismo por doença de Graves, caso o metimazol seja descontinuado? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: Na doença de Graves, o melhor preditor de recidiva após suspender o metimazol é a persistência de autoanticorpos estimuladores do receptor de TSH. Neste caso, a imunoglobulina estimulante da tireoide está muito elevada (396%), indicando atividade autoimune ainda presente e maior probabilidade de retorno do hipertireoidismo se a droga for descontinuada.

Tema central: Recidiva no Graves
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a TSI elevada é o marcador mais diretamente ligado à fisiopatologia do hipertireoidismo de Graves. Se esse anticorpo estimulador permanece alto ao final do tratamento com tionamida, isso indica que a remissão foi apenas bioquímica sob efeito do metimazol, e não imunológica. Portanto, entre as opções, é o melhor preditor de retorno do hipertireoidismo após retirada da medicação.
B
Errada
O anti-TPO elevado confirma autoimunidade tireoidiana, mas não mede especificamente a atividade estimuladora do receptor de TSH, que é o mecanismo causal do Graves. Por isso, não tem o mesmo valor prognóstico para recidiva do hipertireoidismo após suspensão de metimazol.
C
Errada
O tabagismo é clinicamente relevante na doença de Graves, especialmente pela associação com orbitopatia, e pode se relacionar a pior evolução. Ainda assim, ele é um fator indireto e menos específico do que a persistência de TSI elevada, que reflete diretamente atividade autoimune estimuladora em curso.
D
Errada
Bócio volumoso pode associar-se a menor chance de remissão, mas esse não é o cenário descrito: a tireoide está apenas no limite superior da normalidade, sem bócio importante. Além disso, mesmo quando presente, o tamanho glandular é preditor menos específico do que TSI persistentemente elevada.
E
Errada
Idade mais jovem pode aparecer como fator associado a maior recidiva em alguns contextos, mas é um preditor demográfico inespecífico. Diante de um biomarcador diretamente causal e francamente alterado, como a TSI elevada, a idade não é o melhor elemento prognóstico entre as alternativas.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre controle hormonal sob metimazol e remissão real da doença, além da troca indevida entre qualquer anticorpo tireoidiano positivo e o anticorpo estimulador do receptor de TSH, que é o marcador prognóstico decisivo.
Dica para questões semelhantes
  • Em Graves tratado com tionamida, diferencie eutireoidismo laboratorial de remissão imunológica.
  • Para prever recidiva após suspender antitireoidiano, priorize TRAb/TSI persistente elevado sobre fatores clínicos inespecíficos.
  • Não iguale anti-TPO a anticorpo estimulador do receptor de TSH: eles não têm o mesmo papel prognóstico.
  • Se o enunciado trouxer bócio discreto e TSI muito alto, o marcador imunológico prevalece como critério decisivo.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo