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Q1827512 Medicina
Mulher de 62 anos de idade apresenta quadro de febre, vômitos, queda do estado geral e dor abdominal difusa há 2 dias. Há histórico de cirrose causada por hepatite C, escore de Child-Pugh B. Ao exame físico: PA: 92 x 56 mmHg, FC: 118 bpm, FR: 22 ipm, SatO2: 93% e afebril; abdome: com ascite, doloroso difusamente. Exames séricos: albumina sérica: 3,2 g/dL; desidrogenase lática (DHL) sérica: 189 U/L e glicemia: 89 mg/dL. A paracentese realizada mostra: células: 17860/mm3 (neutrófilos: 77%); albumina: 2,7 g/dL, DHL: 3360 U/L e glicose: 28 mg/dL. O diagnóstico mais provável é
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Tema central: Esta questão aborda o diagnóstico diferencial das causas de peritonite em paciente cirrótica com ascite e quadro infeccioso abdominal. É essencial para o médico intensivista reconhecer rapidamente as diferenças entre peritonite bacteriana espontânea (PBE) e peritonite bacteriana secundária (PBS), pois há impacto imediato na abordagem terapêutica e prognóstico.

Justificativa para a alternativa correta (B - Peritonite bacteriana secundária):

O caso apresenta diversos critérios clássicos de PBS:

  • Contagem de células no líquido ascítico muito elevada (17.860/mm³), muito acima do critério mínimo para diagnóstico de PBE (≥250 neutrófilos/mm³).
  • Albumina no líquido ascítico elevada (2,7 g/dL), indicando proteína total alta (>1 g/dL), sugestivo de infecção secundária.
  • DHL no líquido ascítico: 3.360 U/L, muito superior ao sérico (189 U/L). Esse achado, segundo o Manual de Cuidados Intensivos em Hepatologia, indica necrose tecidual significativa.
  • Glicose baixa no líquido ascítico (28 mg/dL), reforçando o diagnóstico de PBS.
  • Presença de sinais sistêmicos de sepse.

Portanto, de acordo com diretrizes, pelo menos dois destes achados já direcionam fortemente o diagnóstico para PBS, quadro que frequentemente decorre de perfuração visceral com múltiplos microrganismos (urgência cirúrgica).

Análise crítica das alternativas incorretas:

  • A) Peritonite neoplásica: Rara; líquor hipo ou normocelular, sem DHL ou neutrófilos tão altos, e sem tanta hipoglicorraquia.
  • C) Peritonite tuberculosa: Geralmente tem líquido ascítico exsudativo linfocítico, progressão subaguda, sem critérios bioquímicos/laboratoriais deste caso.
  • D) PBE: Habitualmente apresenta contagem menor de células, baixo DHL, glicose normal e proteínas baixas (<1 g/dL), e é raramente tão explosiva.
  • E) Pancreatite aguda: Espera-se dor abdominal com irradiação típica e elevação de amilase/lipase, não descritas. O padrão de líquido ascítico não condiz.

Estratégia para questões semelhantes: Fique atento aos níveis de DHL, glicose e proteína do líquido ascítico. Contagem muito alta de células + critérios bioquímicos alterados = sugerem PBS. Pegadinhas comuns incluem apresentar dados compatíveis com infecção, mas omitir detalhes laboratoriais-chave.

Diretriz relevante: “Na PBS, espera-se líquido ascítico com polimicrobianismo, proteína total elevada (>1g/dL), DHL elevado, glicose <50mg/dL e neutrocitose expressiva” (Manual de Cuidados Intensivos em Hepatologia, p. 52).

Lembre-se: PBS é uma emergência cirúrgica em pacientes cirróticos com sinais importantes de inflamação e alterações no líquido ascítico!

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De acordo com as informações apresentadas, o diagnóstico mais provável é de peritonite bacteriana secundária, indicado pela presença de febre, dor abdominal difusa, queda do estado geral, ascite e presença de neutrófilos na paracentese. Além disso, a paciente apresenta fatores de risco, como a cirrose e o escore de Child-Pugh B. É importante ressaltar que a peritonite bacteriana espontânea também pode ser uma possibilidade, mas não é a resposta mais provável, já que a paciente apresenta um quadro clínico mais grave. O diagnóstico diferencial com outras causas de peritonite, como a neoplásica e a tuberculosa, deve ser considerado e descartado adequadamente.

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