Lactente de 1 ano foi admitido em pronto atendimento com rel...

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Q3874051 Medicina
Lactente de 1 ano foi admitido em pronto atendimento com relato de sonolência e hipotermia de início há poucas horas. Quadro foi precedido por coriza de 2 dias de evolução, sem febre. Nega uso de medicamentos, tendo feito uso apenas de “soro nasal”. Ao exame físico: sonolento, pupilas dilatadas e bradicardia, com pulsos finos.

Em relação ao caso clínico acima, marque a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é reconhecer a intoxicação por descongestionante nasal alfa-adrenérgico/imidazólico em lactente, sugerida por sonolência, hipotermia, bradicardia com pulsos finos, midríase e história de uso de “soro nasal”; nesse cenário o tratamento é de suporte, e se a bradicardia com repercussão hemodinâmica persistir após as medidas iniciais, a atropina intravenosa é conduta adequada.

Tema central: Intoxicação por imidazolínicos
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o quadro é compatível com intoxicação por agonista alfa-adrenérgico tópico nasal, que em lactentes pode causar depressão do SNC, hipotermia e bradicardia. A conduta principal é suporte clínico com monitorização e estabilização hemodinâmica. Como o enunciado descreve bradicardia associada a pulsos finos, há sinal de baixo débito; nessa situação, se a repercussão hemodinâmica persistir após as medidas iniciais, a atropina intravenosa é uma medida apropriada para bradicardia sintomática em contexto tóxico farmacológico.
B
Errada
Lavagem gástrica está errada porque não é conduta rotineira nessa intoxicação. O enunciado não comprova ingestão oral maciça, e o paciente está sonolento, o que torna o procedimento tecnicamente inadequado pelo risco associado ao rebaixamento do nível de consciência. Além disso, a base do manejo aqui é suporte, não descontaminação gastrointestinal.
C
Errada
A alcalinização urinária está errada porque não tem papel no tratamento da intoxicação por descongestionantes nasais alfa-adrenérgicos/imidazolínicos. Não há fundamento farmacológico ou toxicológico, nesta base, para usar essa medida com esse agente.
D
Errada
Está errada porque o mecanismo não é aumento dos efeitos da acetilcolina. O quadro provável decorre de ação agonista alfa central, com redução da descarga simpática, levando a sonolência, bradicardia e hipotermia. Além disso, a semiologia não sustenta síndrome colinérgica típica: o enunciado traz midríase, enquanto excesso colinérgico costuma cursar com manifestações muscarínicas como miose, broncorreia, sialorreia e diarreia.
Pegadinha da questão
A banca esconde o agente no termo “soro nasal” para induzir erro diagnóstico e ainda tenta fazer o candidato chamar o quadro de síndrome colinérgica só porque há bradicardia e sonolência, apesar da midríase e do contexto apontarem para intoxicação por descongestionante nasal imidazólico.
Dica para questões semelhantes
  • Em lactente com sonolência, hipotermia e bradicardia após produto nasal, pense primeiro em descongestionante alfa-adrenérgico/imidazólico confundido com soro fisiológico.
  • Nessa intoxicação, o eixo da conduta é suporte clínico e monitorização; não procure antídoto específico inexistente na base.
  • Bradicardia com má perfusão persistente após medidas iniciais muda a questão para manejo de bradicardia sintomática, onde atropina pode ter indicação.
  • Não confunda esse quadro com síndrome colinérgica sem confrontar a semiologia, especialmente as alterações pupilares e a ausência de sinais muscarínicos típicos.

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