Aquele carro parara na linha de resguardo, desde a véspera, tinha vindo com o expresso do Rio, e estava lá, no desvio de dentro, na esplanada da estação. Não era um vagão
comum de passageiros, de primeira, só que mais vistoso,
tudo novo. A gente reparando, notava as diferenças. Assim
repartido em dois, num dos cômodos as janelas sendo de
grades, feito as de cadeia, para os presos. A gente sabia que,
com pouco, ele ia rodar de volta... [...] Ia servir para levar
duas mulheres, para longe, para sempre. O trem do sertão
passava às 12h45m.[...]
A mãe de Sorôco era de idade, com para mais de uns
setenta. A filha, ele só tinha aquela. Sorôco era viúvo. Afora
essas, não se conhecia dele parente nenhum. [..]
A filha – a moça – tinha pegado a cantar, levantando os
braços, a cantiga não vigorava certa, nem no tom nem no
se-dizer das palavras – o nenhum.[...]
O que os outros se diziam: que Sorôco tinha tido muita
paciência. Sendo que não ia sentir falta dessas transtornadas
pobrezinhas, era até um alívio.
(Rosa, Guimarães. Sorôco, sua mãe, sua filha.
In: Primeiras estórias.10 ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1977.Adaptado)
Da leitura do trecho e do conhecimento do conto, é correto afirmar: