Assinale a opção que apresenta corretamente a figura de sin...

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Q3221193 Português

COM O CACHORRO AO LADO 


Toda manhã saía levando o cachorro a passear. Era uma boa justificativa o cachorro, para ele que, aposentado, talvez não tivesse outra. la caminhando devagar até a avenida junto ao mar, e lá chegando deixava-se ficar num banco, o olhar posto nos navios fundeados ao largo. Havia sempre muitos navios. No seu tempo de prático, navios não precisavam esperar. De lancha ou rebocador, em calmaria ou em tempestade, ele cruzava a barra e, no mar aberto, se aproximava do casco tão mais alto do que sua própria embarcação, olhava para cima avaliando a distância, começava a subir pela escadinha ondeante. Havia riscos. Muitas vezes chegara na ponte de comando encharcado. Mas era o que sabia fazer, e o fazia melhor do que outros. Melhor do que outros conhecia as lajes submersas, os bancos de areia, as correntezas todas daquele porto, e nele conduzia os navios como se a água fosse vidro e ele visse o que para os demais era oculto. Os navios entravam no porto como cegos guiados por quem vê. Havia sido um belo trabalho. Agora sentava-se no banco junto ao mar, e olhava ao longe os navios. Sabia que não estavam ali à espera do prático. O tráfego marítimo havia aumentado ano a ano, e aos poucos tornara-se necessário esperar por uma vaga no porto, como em qualquer estacionamento de automóveis. Mas, sentado no banco. com o cachorro deitado a seu lado, gostava de pensar que na névoa da manhã os navios esperavam por ele, esperavam a lancha ou o rebocador que o traria até junto do alto casco, quando então levantaria a cabeça avaliando a distância antes de começar a subir. Um a um, aqueles navios agora cravados na água como se na rocha, sairiam da névoa e, comandados por ele cruzariam a barra entrando no porto. Progressivamente, o horizonte ficaria despovoado. Seus devaneios chegavam só até esse ponto, só até o horizonte desimpedido. Acrescentava ainda um lamento de sirene, longo. Depois se levantava do banco. О cachorro se levantava do chão. O passeio da manhã estava terminado.


COLASANTI, Marina. Hora de alimentar serpentes. São Paulo:

Editora Global, 2013.

Assinale a opção que apresenta corretamente a figura de sintaxe observada no seguinte trecho: "No seu tempo de prático, navios não precisavam esperar".
Alternativas

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Tema central da questão: Figuras de sintaxe (ou de construção), especificamente a análise da estrutura da frase e o emprego estilístico na organização dos termos.

Justificativa da alternativa correta — Hipérbato (B):

O hipérbato é uma figura de sintaxe caracterizada pela inversão da ordem direta dos termos na oração. Pela norma-padrão, o sujeito usualmente antecede o verbo e seus complementos. No trecho analisado: “No seu tempo de prático, navios não precisavam esperar”, temos, na ordem canônica: os navios não precisavam esperar, no seu tempo de prático. A estrutura utilizada pelo autor cria um estilo literário e destaca o elemento “no seu tempo de prático”, deslocando o adjunto adverbial para o início e omitindo o artigo antes de “navios”.

Segundo Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), o hipérbato ocorre justamente quando a disposição dos termos não segue a ordem tradicional de sujeito + verbo + complemento, trazendo efeitos de ênfase, ritmo ou estilização.

Análise das alternativas incorretas:

A) Silepse: Forma de concordância com a ideia e não com a forma gramatical; por exemplo, silepse de número: “A gente fomos” (em vez de “foi”). Não há, no trecho, discordância desse tipo.

C) Zeugma: É a omissão de um termo citado anteriormente. Não há nenhum termo previamente citado que tenha sido omitido aqui.

D) Elipse: Consiste na omissão de um termo que se subentende pelo contexto. No máximo, pode-se argumentar a ausência do artigo “os” antes de “navios”, mas o efeito mais relevante é a inversão, e não a mera omissão.

E) Assíndeto: Trata-se da ausência de conjunção entre orações coordenadas. O trecho não envolve coordenação de orações sem conectivo.

Estratégia para resolver questões do tipo:

Ao se deparar com trechos com ordem diferente da estrutura usual (Sujeito + Verbo + Complemento), desconfie de hipérbato. Sempre verifique se há inversão para dar destaque estilístico, o que é frequente em textos literários.

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Comentários

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GAB:B

Hipérbato: Consiste na inversão da ordem direta dos termos na frase, geralmente para dar ênfase ou criar um efeito estilístico. Exemplo: "Dos teus olhos corriam lágrimas." (ordem direta: "Lágrimas corriam dos teus olhos").

Tudo posso naquele que me fortalece - Filipenses 4:13

Hipérbato: inversão sintática. (sujeito – verbo – complemento)

Ex: ouviram do Ipiranga, as margens plácidas, de um povo heroico o brado retumbante. (As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico)

São como uns anjos os meus alunos. (Os meus alunos são como uns anjos)



OBS: Na ANÁSTROFE ocorre uma inversão suave que cria apenas um ligeiro efeito surpresa e enfático na frase. - No hipérbato ocorre uma inversão brusca que, embora possa prejudicar a clareza da mensagem, não compromete o entendimento e sentido da mesma

eu pensei que era assindeto

No seu tempo de prático, (os) navios não precisavam esperar".

não foi dessa vez.. kkk

hipérbato é caracterizada pela inversão da ordem direta dos termos na oração. Pela norma-padrão, o sujeito usualmente antecede o verbo e seus complementos. 

Silepse: Forma de concordância com a ideia e não com a forma gramatical; por exemplo, silepse de número: “A gente fomos” (em vez de “foi”). Não há, no trecho, discordância desse tipo.

Zeugma: É a omissão de um termo citado anteriormente. Não há nenhum termo previamente citado que tenha sido omitido aqui.

Elipse: Consiste na omissão de um termo que se subentende pelo contexto. No máximo, pode-se argumentar a ausência do artigo “os” antes de “navios”, mas o efeito mais relevante é a inversão, e não a mera omissão.

Assíndeto: Trata-se da ausência de conjunção entre orações coordenadas. O trecho não envolve coordenação de orações sem conectivo.

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