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Q3874781 Medicina
Homem de 75 anos é admitido no pronto atendimento com história de rebaixamento do nível de consciência, vômitos e cefaleia. Dados vitais: FC 48 bpm, PA 170x95 mmHg, SpO2 99% ar ambiente e FR 7 irpm. Em avaliação inicial, apresenta-se com escala de coma de Glasgow 8, papiledema e paresia do VI par craniano.

Sobre o diagnóstico sindrômico do caso apresentado, marque a alternativa INCORRETA.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O caso é de síndrome de hipertensão intracraniana, sugerida por rebaixamento do nível de consciência, cefaleia, vômitos, papiledema, paresia do VI par e padrão de Cushing com bradicardia, hipertensão e bradipneia. Nesse contexto, hiperventilação com pCO2 de 30-35 mmHg não deve ser recomendada de rotina, pois a hipocapnia reduz transitoriamente a pressão intracraniana por vasoconstrição cerebral, mas pode comprometer o fluxo sanguíneo cerebral; seu uso é apenas temporário, como medida de resgate em piora aguda ou herniação iminente.

Tema central: Hipertensão intracraniana
Análise das alternativas
A
Errada
Não é a alternativa incorreta pedida. A ultrassonografia point-of-care da bainha do nervo óptico pode ser útil à beira-leito para sugerir aumento da pressão intracraniana em paciente com quadro clínico compatível. Ela reforça a suspeita de hipertensão intracraniana, embora não defina a etiologia nem substitua neuroimagem.
B
Errada
Não é a alternativa incorreta pedida. No contexto de neurointubação, o fentanil pode ser usado como pré-medicação para atenuar a resposta simpática à laringoscopia, a tosse e a elevação da pressão intracraniana. Trata-se de medida dependente do contexto clínico e hemodinâmico, não de uso obrigatório em todo caso.
C
Certa
A alternativa C é a incorreta da questão porque apresenta como recomendação geral uma medida que tem indicação restrita no manejo neurointensivo. Embora a redução da PaCO2 diminua transitoriamente a pressão intracraniana, esse efeito ocorre à custa de vasoconstrição cerebral e possível redução da perfusão, o que pode precipitar isquemia. Assim, manter pCO2 entre 30-35 mmHg de forma contínua em paciente ventilado com síndrome de hipertensão intracraniana não é conduta padrão; trata-se de recurso de curto prazo em deterioração aguda.
D
Errada
Não é a alternativa incorreta pedida. As etiologias listadas são plausíveis para a síndrome descrita: AVC e trauma cranioencefálico são causas clássicas; encefalopatia hipertensiva pode cursar com edema cerebral; hiponatremia grave pode causar edema cerebral e aumento da pressão intracraniana. O enunciado pede diagnóstico sindrômico, não definição etiológica única.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre efeito fisiológico útil e indicação clínica: a hiperventilação reduz a pressão intracraniana, mas isso não significa que deva ser usada rotineiramente ou de forma sustentada.
Dica para questões semelhantes
  • Reconheça rapidamente a síndrome de hipertensão intracraniana quando houver cefaleia, vômitos, papiledema, paresia do VI par, rebaixamento do nível de consciência e padrão de Cushing.
  • Se uma alternativa tratar hiperventilação como conduta contínua de rotina na hipertensão intracraniana, a tendência é estar errada; pense nela como medida temporária de resgate.
  • Diferencie ferramenta sindrômica de definição etiológica: a bainha do nervo óptico pode sugerir pressão intracraniana elevada, mas não define a causa.
  • Não exclua causas metabólicas de edema cerebral: hiponatremia grave pode entrar no diagnóstico etiológico da hipertensão intracraniana.

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