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Q3874779 Medicina
Um motociclista de 25 anos de idade é vítima de acidente de moto com presenciado impacto direto da região pélvica contra um anteparo fixo. Durante o transporte para o pronto atendimento foram infundidos 1000 mL de solução cristaloide. Na admissão, estava pálido, orientado e com dor pélvica. Ao exame físico, FC 125 bpm, SpO2 96% em ar ambiente, PA 88x60 mmHg, FR 21 irpm, enchimento capilar de 4 segundos, abdome livre e crepitação ao mobilizar pelve. Ultrassonografia beira-leito focada no trauma (FAST) sem líquido livre intra-abdominal.

Marque a alternativa com a MEDIDA INICIAL INDICADA para este caso. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trauma pélvico fechado, hipotensão, taquicardia e hipoperfusão indicam choque hemorrágico; com crepitação pélvica e FAST negativo, a pelve/retroperitônio é a fonte presumida do sangramento, tornando indicada a estabilização pélvica associada à ressuscitação com hemocomponentes, inclusive com possibilidade de protocolo de transfusão maciça.

Tema central: Trauma pélvico hemorrágico
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Dor intensa pode justificar taquicardia, mas não explica adequadamente hipotensão sustentada com palidez e enchimento capilar de 4 segundos após trauma de alta energia. O quadro é de choque hemorrágico até prova em contrário. Analgesia e observação isoladas atrasam o controle da provável fonte de sangramento.
B
Errada
Incorreta. Laparotomia exploradora inicial pressupõe suspeita relevante de sangramento intra-abdominal como causa do choque. No enunciado, o abdome está livre e o FAST não mostra líquido livre intra-abdominal. Com forte suspeita de fratura pélvica hemorrágica, a prioridade inicial é controle de hemorragia pélvica, não abertura abdominal imediata.
C
Certa
A alternativa C está correta porque enfrenta a fisiopatologia provável do caso: hemorragia por fratura pélvica instável. A estabilização pélvica reduz a mobilidade do anel e pode diminuir o volume pélvico, favorecendo controle temporário do sangramento venoso/ósseo. Como o paciente está em choque e já recebeu 1000 mL de cristaloide sem reversão da instabilidade, a reposição adequada passa a ser com hemocomponentes, não com expansão volêmica liberal. O FAST negativo, neste contexto, não afasta hemorragia grave, apenas enfraquece a hipótese de hemoperitônio como causa imediata do choque.
D
Errada
Incorreta. O paciente já recebeu 1000 mL de cristaloide e permanece instável, o que mostra que insistir em mais cristaloide não corrige a perda sanguínea. Em choque hemorrágico traumático, grande volume de cristaloide é inadequado porque não trata a causa e pode agravar hemodiluição, coagulopatia e hipotermia. Além disso, aguardar exames laboratoriais posterga uma conduta que deve ser imediata.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa segurança de um FAST negativo: ele não exclui hemorragia grave no trauma pélvico, porque o sangramento pode ser predominantemente retroperitoneal. Outra confusão real é atribuir a instabilidade apenas à dor porque o paciente está orientado.
Dica para questões semelhantes
  • Em traumatizado com hipotensão, taquicardia e hipoperfusão, pense primeiro em choque hemorrágico.
  • Se houver mecanismo pélvico, dor/crepitação da pelve e FAST negativo, presuma a pelve como fonte importante de sangramento.
  • Na fratura pélvica instável com instabilidade hemodinâmica, a medida inicial é estabilização pélvica precoce com ressuscitação hemostática.
  • Não escolha reposição liberal com cristaloide quando o quadro é de hemorragia traumática.

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