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Q3874777 Medicina
Um homem de 37 anos de idade é admitido com quadro de confusão mental, sonolência, febre e cefaleia. Sem comorbidades conhecidas. Intercorreu na triagem com crise convulsiva tônico-clônica generalizada. Realizou tomografia de crânio, sem alterações. Líquido cefalorraquiano demonstrou: pressão de abertura elevada, celularidade 2.000 células/mm3 (90% polimorfonucleares), proteína 300 mg/dL, glicemia 28 mg/dL e bacterioscopia por gram não observa bactérias.

Sobre o caso apresentado, marque a alternativa CORRETA. 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O caso mostra líquor com padrão típico de meningite bacteriana aguda e, em adulto imunocompetente de 18 a 50 anos sem fatores para Listeria, a conduta empírica indicada é ceftriaxona ou cefotaxima associada à vancomicina; isso torna correta a alternativa D.

Tema central: Meningite bacteriana aguda
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque quimioprofilaxia de contactantes não é rotina nos casos de meningite pneumocócica. A indicação clássica de bloqueio pós-exposição é para doença meningocócica e também para Hib em contextos específicos. A alternativa erra ao colocar pneumococo e meningococo no mesmo regime de profilaxia.
B
Errada
Está errada porque diplococos gram-negativos no líquor sugerem meningococo, e não é esse o cenário em que se vincula o benefício mais bem estabelecido do corticoide adjuvante. Pela base, a dexametasona tem benefício mais consistente sobretudo na meningite pneumocócica quando administrada antes ou com a primeira dose de antibiótico. Portanto, atrelar benefício em mortalidade à identificação de diplococo gram-negativo é tecnicamente incorreto.
C
Errada
Está errada porque a afirmação é categórica e contraria o critério de segurança para neuroimagem antes da punção lombar. O paciente tinha rebaixamento do nível de consciência e convulsão recente, achados que justificam tomografia antes da punção. É correto evitar atraso indevido do antimicrobiano, mas isso não torna a tomografia mal indicada nesse cenário.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso descreve um adulto de 37 anos, sem comorbidades conhecidas, com quadro clínico e liquórico típico de meningite bacteriana aguda. Nesse perfil etário e clínico, a recomendação empírica é cefalosporina de 3ª geração em dose para meningite associada à vancomicina, para cobrir meningococo e pneumococo, inclusive cepas de Streptococcus pneumoniae com redução de sensibilidade a beta-lactâmicos. A bacterioscopia negativa não afasta meningite bacteriana e não autoriza retardar nem reduzir a cobertura empírica.
Pegadinha da questão
A banca mistura três confusões frequentes: achar que gram negativo exclui meningite bacteriana, tratar quimioprofilaxia como se valesse para qualquer meningite bacteriana e dizer que tomografia antes da punção é sempre erro, mesmo quando há convulsão recente e rebaixamento do sensório.
Dica para questões semelhantes
  • Reconheça primeiro o padrão do líquor: neutrofilia, proteína alta, glicose baixa e pressão de abertura elevada sustentam meningite bacteriana, mesmo com bacterioscopia negativa.
  • No adulto imunocompetente de 18 a 50 anos sem fator de risco para Listeria, o esquema empírico decisivo é ceftriaxona ou cefotaxima associada à vancomicina.
  • Antes de chamar a tomografia de desnecessária, confira se há rebaixamento do nível de consciência ou convulsão recente, porque esses achados justificam neuroimagem pré-punção.
  • Não generalize medidas adjuntas: profilaxia de contactantes e benefício do corticoide dependem do agente provável.

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Gabarito: D.

O quadro é de meningite bacteriana aguda grave: febre, cefaleia, rebaixamento, crise convulsiva, pressão de abertura elevada, LCR neutrofílico, proteína muito alta e glicose baixa. Gram negativo não exclui meningite bacteriana, especialmente se a carga bacteriana for baixa, se houve antibiótico prévio ou limitação técnica.

A alternativa D está correta porque, em adulto jovem sem imunossupressão, o esquema empírico clássico é:

ceftriaxona 2 g IV 12/12 h + vancomicina 15–20 mg/kg IV 8/8 ou 12/12 h

A vancomicina entra para cobrir pneumococo resistente à cefalosporina. Em maiores de 50 anos, gestantes, alcoolismo, imunossupressão ou suspeita de Listeria, acrescentaria ampicilina. Diretrizes recomendam ceftriaxona/cefotaxima como base do tratamento empírico, e diretrizes da IDSA incluem vancomicina associada a ceftriaxona/cefotaxima quando há preocupação com pneumococo resistente.

Por que as outras estão erradas:

A — errada.

Quimioprofilaxia de contactantes é indicada para doença meningocócica, não para meningite pneumocócica em geral. Para meningococo, os contactantes próximos recebem rifampicina, ciprofloxacino, ceftriaxona ou alternativa conforme resistência/localidade.

B — errada.

Diplococos gram-negativos no líquor sugerem Neisseria meningitidis. O benefício mais clássico do corticoide em meningite bacteriana no adulto é quando há suspeita/confirmação de meningite pneumocócica, especialmente se iniciado antes ou junto da primeira dose do antibiótico. Não é a presença de meningococo que define benefício em mortalidade. A diretriz europeia recomenda dexametasona empírica em adultos com meningite bacteriana, mas a associação de benefício mais consolidada é pneumocócica.

C — errada, com pegadinha.

A TC estava indicada antes da punção lombar porque o paciente tinha alteração do nível de consciência e crise convulsiva. Esses são critérios clássicos para neuroimagem antes da punção. O ponto importante é: a TC não deve atrasar antibiótico. Se houver indicação de TC, colhe-se hemocultura e inicia-se antibiótico/dexametasona imediatamente, antes da TC ou antes da punção se necessário. A alternativa erra ao dizer que a TC “não estava bem indicada”.

Resumo para memorizar:

Meningite bacteriana grave + adulto 18–50 anos:

ceftriaxona + vancomicina + dexametasona precoce.

Adicionar ampicilina se risco de Listeria: >50 anos, gestante, imunossuprimido, alcoolismo, extremos de idade.

Quimioprofilaxia: pense em meningococo, não pneumococo.

A diferenciação clássica no Gram do líquor é:

Meningococo = diplococo Gram-negativo.

Pneumococo = diplococo Gram-positivo.

Haemophilus = cocobacilo Gram-negativo.

A pegadinha da alternativa B era exatamente essa: diplococo Gram-negativo aponta para meningococo, e o benefício mais cobrado do corticoide com redução de desfechos graves/mortalidade é principalmente na meningite pneumocócica, que no Gram seria diplococo Gram-positivo, não negativo.

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