Homem de 19 anos, desacompanhado, é triado no pronto atendim...

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Q3874773 Medicina
Homem de 19 anos, desacompanhado, é triado no pronto atendimento após ingestão intencional de 8 comprimidos de dipirona sódica, de 500 mg cada, há 4 horas. História pregressa de transtorno depressivo. No momento, queixa-se de dispepsia leve, sem outros sintomas. Dados da triagem: Glasgow 15, FC 90 bpm, PA 110x70 mmHg, SpO2 96% em ar ambiente, FR 18 irpm, temperatura axilar 36,8ºC.

Marque a alternativa com a conduta CORRETA frente a esse caso.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A ingestão referida foi de 4 g de dipirona há 4 horas, em adulto lúcido, hemodinamicamente estável e com sintomas mínimos, o que não indica gravidade toxicológica nem sustenta carvão ativado por mera suspeita de coingesta; porém, por se tratar de autointoxicação intencional em paciente com transtorno depressivo, é necessária avaliação psiquiátrica antes da alta.

Tema central: Autointoxicação medicamentosa
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque carvão ativado não é indicado de rotina em toda ingestão medicamentosa nem por suspeita inespecífica. A descontaminação gastrointestinal deve ser seletiva e baseada na substância, dose, tempo desde a ingestão e benefício provável. Aqui, a ingestão conhecida foi de dipirona, há 4 horas, em dose de baixo potencial de letalidade e com quadro clínico leve. O fato de o paciente estar desacompanhado não comprova coingesta de agente mais letal e, isoladamente, não justifica carvão ativado.
B
Errada
Está errada porque reduz a decisão apenas à baixa toxicidade orgânica do fármaco e ignora a intencionalidade suicida. Mesmo com baixa letalidade imediata, autointoxicação exige observação em serviço de urgência e avaliação formal do risco psiquiátrico antes da alta. Deixar o paciente apenas em fluxo de sala de espera com perspectiva de encaminhamento ambulatorial posterior é inadequado para um caso de autoenvenenamento.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro sugere baixo potencial de letalidade por dipirona: dose isolada de 4 g, 4 horas de evolução, Glasgow 15, sinais vitais estáveis e apenas dispepsia leve, sem depressão do sensório, instabilidade hemodinâmica, convulsões, insuficiência respiratória ou outras manifestações sistêmicas. Isso afasta necessidade de UTI e não justifica medidas agressivas de descontaminação. Apesar da baixa gravidade toxicológica, a ingestão foi intencional, em contexto de transtorno depressivo, e esse dado impõe avaliação psiquiátrica antes da alta hospitalar.
D
Errada
Está errada porque generaliza como grave toda intoxicação exógena, o que é falso. A indicação de UTI depende de critérios clínicos de gravidade e necessidade de suporte avançado. Neste caso, o paciente está lúcido, hemodinamicamente estável, sem insuficiência respiratória, choque, arritmia, convulsão ou rebaixamento do nível de consciência. Não há fundamento toxicológico nem clínico para internação em terapia intensiva por 24 horas.
Pegadinha da questão
A banca tenta fazer o candidato decidir apenas pela baixa toxicidade da dipirona; o detalhe decisivo é que a ingestão foi intencional, e isso impede alta ambulatorial direta mesmo com exame clínico benigno.
Dica para questões semelhantes
  • Em intoxicação medicamentosa, separe gravidade toxicológica imediata de risco psiquiátrico; são eixos diferentes de decisão.
  • Carvão ativado só entra quando há indicação técnica pela substância, dose, tempo e benefício provável; suspeita inespecífica não basta.
  • Autointoxicação intencional, mesmo por agente de baixa letalidade, exige avaliação psiquiátrica antes da alta.
  • UTI em intoxicação depende de instabilidade clínica ou necessidade de suporte avançado, não do rótulo genérico de intoxicação exógena.

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