Paciente do sexo feminino, com 62 anos, apresenta queixas ...

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Q4156264 Medicina
 Paciente do sexo feminino, com 62 anos, apresenta queixas de fadiga, fraqueza muscular proximal, poliúria e constipação intestinal há oito meses. Relata episódio de cólica renal há dois meses. Exames laboratoriais mostram: cálcio sérico: 12,2 mg/dL (VR: 8,5 – 10,5); fósforo: 2,1 mg/dL (VR: 2,5 – 4,5); PTH: 180 pg/mL (VR: 15 – 65); creatinina: 1,1 mg/dL; calciúria de 24 horas: 450 mg (VR: < 250). A densitometria óssea evidencia T-score de – 2,8 em terço distal do rádio, – 2,3 em colo femoral e – 1,8 em coluna lombar. A ultrassonografia cervical mostra nódulo hipoecogênico de 2,1 cm em topografia de paratireoide inferior direita, sem outras alterações, e cintilografia com Tecnécio sestamibi confirma captação do isótopo na mesma topografia.
Qual a conduta terapêutica mais adequada para esse caso?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Hiperparatireoidismo primário sintomático constitui indicação de paratireoidectomia; quando a ultrassonografia e o sestamibi são concordantes para doença uniglandular, a melhor opção é a paratireoidectomia minimamente invasiva. Neste caso, a paciente tem hipercalcemia, PTH inadequadamente elevado, hipofosfatemia, hipercalciúria, nefrolitíase e perda óssea cortical, além de localização pré-operatória concordante em paratireoide inferior direita.

Tema central: Hiperparatireoidismo primário cirúrgico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque cinacalcete e bisfosfonatos não são o tratamento de escolha em paciente operável com hiperparatireoidismo primário sintomático e lesão localizada. Esses fármacos podem atuar como adjuvantes, mas não tratam definitivamente a fonte de hipersecreção de PTH. Neste caso, há nefrolitíase e osteoporose, o que indica tratamento cirúrgico definitivo.
B
Errada
Está errada porque alcoolização percutânea não é o tratamento padrão de primeira linha para adenoma de paratireoide em hiperparatireoidismo primário operável. O fato de a lesão estar localizada não muda o padrão terapêutico: a conduta preferencial continua sendo paratireoidectomia, especialmente quando o caso é sintomático e com exames concordantes para glândula única.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o caso reúne indicação de tratamento definitivo por cirurgia e forte evidência de doença uniglandular. A paciente tem hiperparatireoidismo primário manifesto, com repercussão renal e óssea: nefrolitíase, hipercalcemia, hipercalciúria e osteoporose com padrão cortical no terço distal do rádio. Como ultrassonografia cervical e cintilografia com sestamibi localizaram a mesma lesão em topografia de paratireoide inferior direita, o cenário é compatível com adenoma único, favorecendo paratireoidectomia minimamente invasiva.
D
Errada
Está errada porque observação clínica é incompatível com este cenário. A paciente já tem manifestações de órgão-alvo e doença sintomática: cólica renal compatível com nefrolitíase, hipercalcemia manifesta, hipercalciúria e osteoporose no terço distal do rádio. Esses achados afastam seguimento expectante em hiperparatireoidismo primário sintomático.
E
Errada
Está errada porque ablação térmica guiada por ultrassonografia não é a conduta padrão preferencial em paciente com hiperparatireoidismo primário cirúrgico e adenoma localizado. Métodos ablativos percutâneos não substituem a paratireoidectomia como tratamento de escolha nesse cenário clássico de doença operável.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre lesão bem localizada e indicação de procedimento percutâneo. Na verdade, a localização concordante em ultrassonografia e sestamibi não aponta para alcoolização ou ablação; ela favorece cirurgia focada/minimamente invasiva.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver hipercalcemia com PTH elevado ou inadequadamente não suprimido, pense em hiperparatireoidismo PTH-dependente; hipofosfatemia e hipercalciúria reforçam hiperparatireoidismo primário.
  • Nefrolitíase e osteoporose no hiperparatireoidismo primário caracterizam repercussão de órgão-alvo e afastam conduta expectante.
  • Quando ultrassonografia e sestamibi localizam a mesma glândula, isso sustenta doença uniglandular e favorece paratireoidectomia minimamente invasiva.
  • Não confunda controle medicamentoso do cálcio ou da massa óssea com tratamento definitivo em paciente com indicação cirúrgica.

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