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Q4192224 História
Leia o texto a seguir.

É no espaço mais amplo do Atlântico Sul que a história da América portuguesa e a gênese do Império do Brasil tomam toda a sua dimensão. A continuidade da história colonial não se confunde com a continuidade do território da Colônia. Na verdade, os condicionantes atlânticos, africanos — distintos dos vínculos europeus —, só desaparecem do horizonte do país após o término do tráfico negreiro e a ruptura da matriz espacial colonial, na segunda metade do século XIX. Tais condicionantes marcam a originalidade da formação histórica brasileira.
(Luiz Felipe de Alencastro, O Trato dos Viventes. Adaptado)

De acordo com o historiador Luiz Felipe de Alencastro em sua obra,
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo era identificar qual alternativa preservava o eixo explicativo do texto: a centralidade do Atlântico Sul e dos vínculos atlântico-africanos, em vez de leituras que deslocam a explicação para outros vínculos ou para a continuidade territorial da Colônia.

Tema central: História do Brasil
Análise das alternativas
A
Certa
A está correta porque corresponde diretamente à tese apresentada por Luiz Felipe de Alencastro no trecho: a formação histórica brasileira é explicada pela centralidade do espaço atlântico-sul e pelos vínculos atlântico-africanos estruturados pelo tráfico negreiro, e não apenas pelos laços europeus. Além disso, a alternativa preserva o marco temporal indicado no texto, segundo o qual esses condicionantes só se dissolvem na segunda metade do século XIX.
B
Errada
Está errada porque desloca o centro da explicação para as relações entre colônias ibéricas americanas. O excerto não aponta esse espaço intercolonial como fundamento da tese; o recorte decisivo é o Atlântico Sul com ênfase nas conexões africanas.
C
Errada
Está errada porque inverte a hierarquia do texto. O trecho não trata os vínculos com a metrópole portuguesa como essenciais e os condicionantes africanos como secundários; faz justamente o contrário ao atribuir a originalidade da formação brasileira aos condicionantes atlântico-africanos.
D
Errada
Está errada porque afirma que a gênese do Império decorre da continuidade territorial da Colônia, quando o excerto nega expressamente essa identificação. O texto ainda ressalta que as relações com a África são parte decisiva dessa formação, o que a alternativa ignora.
E
Errada
Está errada porque acrescenta consequências que o excerto não menciona: ruptura imediata, início da industrialização e integração ao capitalismo industrial europeu. A base textual sustenta apenas que os condicionantes desaparecem após o término do tráfico negreiro e a ruptura da matriz espacial colonial, sem autorizar esses desdobramentos.
Pegadinha da questão
Trocar o eixo atlântico-africano por outra chave explicativa e confundir continuidade histórica com continuidade territorial.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão de interpretação historiográfica, procure a alternativa que preserve o eixo explicativo central do texto, sem substituí-lo por outro espaço ou relação.
  • Quando o texto faz uma negação expressa, elimine a alternativa que afirma exatamente o que foi negado.
  • Se a alternativa acrescenta consequências históricas não mencionadas no trecho, trate isso como extrapolação indevida.
  • Observe a hierarquia dos fatores no texto: se um elemento aparece como central, a alternativa que o torna secundário está errada.

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GABARITO: A

COMENTÁRIO:

Segundo Luiz Felipe de Alencastro, a formação histórica do Brasil não pode ser compreendida apenas pela relação entre Brasil e Portugal. O autor destaca a importância dos vínculos estabelecidos no espaço do Atlântico Sul, especialmente as relações entre a América portuguesa e a África.

Nesse contexto, o tráfico negreiro teve um papel fundamental, pois conectava diretamente a economia e a sociedade colonial brasileira ao continente africano. Para Alencastro, esses condicionantes atlântico-africanos foram elementos essenciais e originais da formação histórica brasileira, distinguindo-se dos tradicionais vínculos europeus.

O próprio texto afirma que esses condicionantes africanos só deixaram de exercer influência após o fim do tráfico negreiro, na segunda metade do século XIX. Assim, a alternativa A interpreta corretamente a ideia central defendida pelo historiador.

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