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Q4192218 História
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Por volta da década de 1880, era óbvio que a abolição estava iminente. O Parlamento, reagindo ao abolicionismo de dentro e de fora do país, vinha aprovando uma legislação gradualista. O movimento abolicionista tornou- -se irresistível nas áreas cafeeiras, onde quase dois terços da população escrava estava concentrada. Com uma nova consciência de si mesmos e encontrando apoio em segmentos da população que simpatizavam com a causa abolicionista, grandes números de escravos fugiram das fazendas. A escravidão tornou-se uma instituição desmoralizada. Quase ninguém opunha-se à ideia de abolição, embora alguns reivindicassem que os fazendeiros deviam ser indenizados pela perda de seus escravos.
(Emília Viotti da Costa, Da Monarquia à República: momentos decisivos. Adaptado)

No contexto oferecido, um único grupo, no Parlamento, resistiu à abolição da escravatura. Esse grupo foi, para Viotti da Costa, o dos
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O enunciado exige identificar o grupo parlamentar remanescente que resistiu à abolição; pela base, esse núcleo era o dos representantes das antigas áreas cafeeiras.

Tema central: Resistência parlamentar à abolição
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A coincide com a interpretação historiográfica indicada na base: a resistência parlamentar remanescente à abolição estava ligada aos representantes dos fazendeiros das antigas áreas cafeeiras, onde os escravizados ainda tinham peso patrimonial relevante, inclusive como parte do valor das hipotecas.
B
Errada
Erra ao trocar o grupo resistente por conselheiros do Império e por uma motivação de prestígio político. A base afirma que o núcleo resistente era a representação parlamentar de interesses senhoriais das antigas áreas cafeeiras, não uma elite palaciana ou governamental.
C
Errada
Erra porque desloca a resistência para comerciantes ligados ao tráfico interno de escravizados. O enunciado exige a identificação de um grupo parlamentar, e a base exclui agentes mercantis como núcleo da resistência apontada pela autora.
D
Errada
Erra ao substituir os representantes das antigas áreas cafeeiras por grandes banqueiros do Rio de Janeiro. A base não identifica o setor financeiro como o único grupo parlamentar resistente, e a justificativa de temor de falência dos cafeicultores não aparece como elemento central da tese.
E
Errada
Erra no recorte socioeconômico e regional. A base reconhece que a pauta de indenização existia, mas esclarece que isso não basta para identificar o grupo correto; a resistência parlamentar destacada pela autora estava ligada às antigas áreas cafeeiras, não aos grandes senhores de engenho da Bahia e de Pernambuco.
Pegadinha da questão
A confusão explorada é tomar qualquer setor escravista ou qualquer defensor de indenização como resposta correta, quando a autora aponta um grupo parlamentar específico: os representantes das antigas áreas cafeeiras.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão pedir quem resistiu no Parlamento, procure o grupo político-social específico, não apenas setores economicamente interessados no tema.
  • Em questões historiográficas, use o recorte regional indicado pela interpretação do autor para diferenciar grupos escravistas que não tiveram o mesmo papel político.
  • A defesa de indenização, sozinha, não identifica o grupo correto; ela precisa vir junto do perfil parlamentar e da base econômica destacados no texto.

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gabarito A

O Vale do Paraíba

 Essa região (entre RJ e SP) foi a primeira a enriquecer com o café, mas na década de 1880 já estava em franca decadência. O solo estava esgotado e os fazendeiros, atolados em dívidas. O ponto crucial da questão é este: a única riqueza real que eles ainda possuíam eram os próprios escravizados.

Os escravos não eram apenas força de trabalho, eles eram o patrimônio usado como garantia (hipoteca) para os empréstimos nos bancos. Se a abolição acontecesse de forma imediata e sem indenização por parte do governo, esses fazendeiros iriam à falência absoluta. Por isso, os representantes políticos dessa velha guarda lutaram com unhas e dentes contra a abolição no Parlamento.

O Oeste Paulista (As novas áreas) Era a região moderna, de terra roxa e alta produtividade. Essa galera já tinha percebido que a escravidão estava com os dias contados e já financiava a vinda de imigrantes europeus para o trabalho assalariado. Na prática, eles não resistiram tanto à abolição porque o negócio deles já não dependia exclusivamente do braço escravo.

Gabarito: A

Alternativa A (Correta)

Na obra Da Monarquia à República, a historiadora Emília Viotti da Costa demonstra que a resistência mais encarniçada e intransigente à abolição no Parlamento Imperial partiu dos representantes dos cafeicultores do Vale do Paraíba (as "antigas áreas cafeeiras" do Rio de Janeiro, Sul de Minas e São Paulo). Diferente do Oeste Paulista — que já utilizava crescentemente a mão de obra imigrante europeia e assalariada —, a cafeicultura tradicional do Vale do Paraíba enfrentava o esgotamento do solo e um endividamento crônico. Nesses latifúndios, os escravizados constituíam a principal garantia física das hipotecas e dívidas contraídas pelos fazendeiros junto aos bancos e credores (chegando a responder por cerca de um terço do valor de suas garantias patrimoniais). A abolição sem indenização significava a ruína financeira imediata dessa elite, fazendo desse grupo a única bancada a resistir formalmente até a aprovação da Lei Áurea em 1888.

Alternativa B (Incorreta)

A elite cafeeira do Oeste Paulista já vinha promovendo a substituição do braço escravo pelo trabalho assalariado dos imigrantes (especialmente italianos), de modo que o núcleo duro de resistência parlamentar não partia dos defensores dos proprietários paulistas.

Alternativa C (Incorreta)

A alternativa inverte o sentido do fluxo do tráfico interno de escravizados: o comércio interprovincial transferia os cativos das regiões açucareiras do Nordeste para o Centro-Sul cafeeiro, e não o contrário. Além disso, os comerciantes do tráfico não formavam a bancada parlamentar de resistência citada por Viotti da Costa.

Alternativa D (Incorreta)

Embora os bancos e credores tivessem interesses no sistema de crédito agrícola, a articulação e a resistência política direta no Congresso Nacional eram exercidas pela bancada dos latifundiários e deputados cafeicultores do Vale do Paraíba.

Alternativa E (Incorreta)

Os senhores de engenho da Bahia e de Pernambuco haviam vendido grande parte de seu plantel de escravizados para o Sudeste ao longo das décadas anteriores (através do tráfico interprovincial), chegando à década de 1880 com uma dependência significativamente menor do trabalho escravo do que o Vale do Paraíba.

Ponto-chave: Vale do Paraíba vs. Oeste Paulista na Crise do Escravismo. O grupo que resistiu até o fim à abolição no Parlamento representava as antigas áreas cafeeiras (Vale do Paraíba), onde o escravizado não era apenas a força de trabalho, mas a principal garantia (hipoteca) para o crédito das fazendas. Sem indenização, esses proprietários enfrentavam a falência sumária.

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