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Q4191457 História
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No contexto da Crise do Antigo Regime, se havia barreiras de ordem material à difusão das ideias ilustradas (analfabetismo, marginalização do povo da vida política, deficiência dos meios de comunicação), o maior entrave advinha, no entanto, da própria essência dessas ideias, incompatíveis, sob muitos aspectos, com a realidade brasileira. Na Europa, o liberalismo era uma ideologia burguesa voltada contra as Instituições do Antigo Regime, os excessos do poder real, os privilégios da nobreza, os entraves do feudalismo ao desenvolvimento da economia.

(Emília Viotti da Costa, Da monarquia à república: momentos decisivos. Adaptado)

No Brasil, segundo Emília Viotti da Costa,
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A chave era identificar a apropriação seletiva do liberalismo no Brasil: defesa de liberdade de comércio e autonomia administrativa, sem ruptura com o latifúndio e a escravidão.

Tema central: Liberalismo no Brasil colonial
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca os principais difusores do liberalismo para lideranças católicas e ainda diz que elas não consideravam legítimas as críticas ao absolutismo e ao controle português. Isso contraria o conteúdo político da apropriação liberal mencionada na base, que se voltava justamente contra restrições metropolitanas e por maior autonomia.
B
Certa
A alternativa B traduz a apropriação seletiva do liberalismo no Brasil colonial. Segundo a interpretação indicada, os setores dominantes rurais aderiam ao que lhes interessava no liberalismo — liberdade de comércio e autonomia administrativa — sem romper com a estrutura interna da Colônia, isto é, com o latifúndio e a propriedade escrava. Esse é o descompasso entre o liberalismo europeu e a realidade colonial-escravista brasileira apontado no texto.
C
Errada
Está errada porque atribui ao liberalismo colonial uma base social de classes médias urbanas espalhadas pela Colônia e um programa republicano e abolicionista. A base sustenta o contrário: a recepção relevante estava ligada a frações da elite proprietária e exportadora, e não se pode associar, como regra, esse liberalismo à abolição da escravidão.
D
Errada
Está errada porque reduz o fenômeno à elite pernambucana e acrescenta um programa específico de monarquia dual constitucional com fim do tráfico e da mão de obra cativa. A interpretação pedida não se resume a essa regionalização nem sustenta um liberalismo colonial definido por pauta antiescravista.
E
Errada
Está errada porque afirma que a elite colonial do Centro-Sul não combatia o monopólio comercial. Esse ponto colide diretamente com a base, segundo a qual a liberdade de comércio era um dos aspectos centrais da apropriação local do liberalismo contra as restrições mercantis metropolitanas.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tratar o liberalismo no Brasil como se implicasse automaticamente abolicionismo, base urbana ampla ou ataque à estrutura social interna; a chave era perceber que ele podia ser liberal contra o monopólio metropolitano e conservador quanto à escravidão e ao latifúndio.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto comparar Europa e Brasil, procure a adaptação local da ideia, não a transposição automática do modelo europeu.
  • Em questões sobre liberalismo no Brasil colonial, verifique se a alternativa separa luta contra restrições metropolitanas de defesa da ordem escravista interna.
  • Desconfie de alternativas que associem como traço geral do período liberalismo, abolicionismo e base social urbana ampla.

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