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Q3256295 Português

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O seu CD favorito


    Em sua enquete de domingo, há duas semanas, a Folha perguntou ao leitor: "Qual é o seu CD favorito? Você ainda tem exemplares físicos?". Seguiram-se 18 respostas. Li-as atentamente, fazendo uma tabulação de orelhada, apurei o seguinte.


    Dos 18 discos citados, há apenas três de artistas brasileiros: Sandy & Junior, Marisa Monte e o Clube da Esquina. Três em 18. Não sei explicar essa desnacionalização do nosso gosto musical. Em outros tempos seriam citados Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Wilson Simonal, Rita Lee, Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa, Beth Carvalho, Clara Nunes, Fagner, Ney Matogrosso e outros, para ficarmos apenas nos artistas de grande vendagem e prestigio. Talvez fosse uma questão de idade - os leitores, certamente mais jovens, já não se identificariam com aqueles nomes, todos dos anos 60 e 70.


     Mas, ao observar quais os discos estrangeiros, veem-se George Harrison, Bonnie Tyler, Iron Maiden, Pink Floyd, Queen, os Bee Gees e os Beatles, todos igualmente dos anos 60 e 70, e Madonna, o Tears for Fears e o Destruction, dos anos 80. A caçula das referências é a pop-punk Avril Lavigne, que já tem mais de 20 anos de carreira. Duas citações surpreendentes são o cantor folk-rock-country Kenny Rogers e a orquestra do francês Paul Mauriat, que vieram dos pré-diluvianos anos 50. Não se trata, pois, de uma questão de idade.


    Nem de género musical porque, se os roqueiros ingleses e americanos predominam, os brasileiros estão conspicuamente ausentes — ninguém falou em Blitz, Titãs, Legião Urbana, RPM, Paralamas, Sepultura, Gang 90 & Absurdettes, Lobão e os Ronaldos. Ninguém se lembrou de Raul Seixas. E, em outra área, nem de Roberto Carlos, Waldick Soriano, Nelson Ned, Agnaldo Timóteo. 


    Onze dos 18 leitores ainda escutam "exemplares físicos". Há algo de errado aí - não se diz que ninguém mais quer saber deles?


CASTRO, Ruy. Folha de São Paulo, 20.6.24.


Leia atentamente o seguinte trecho:

"A Folha perguntou ao leitor [...]". (1° §)

A substituição do termo destacado por um pronome está correta em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema da questão: pronomes pessoais oblíquos (morfologia) e regência verbal do verbo perguntar.

Estratégia para resolver: identifique o termo sublinhado “ao leitor”. Ele traz a preposição “a” + artigo “o” (contração “ao”), o que indica objeto indireto (quem pergunta, pergunta algo a alguém). Para substituir um objeto indireto de 3ª pessoa, usa-se o pronome lhe (singular) ou lhes (plural).

Regra normativa aplicada: o verbo perguntar é transitivo direto e indireto: perguntar algo a alguém. Assim, o complemento com preposição “a” é objeto indireto, substituído por lhe/lhes. Exemplos consagrados em gramáticas normativas: “Perguntei ao aluno a página” → “Perguntei-lhe a página”. Ver: Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo; Bechara, Moderna Gramática Portuguesa.

Observação sobre colocação pronominal: Embora a tradição prefira a ênclise quando não há palavra atrativa (ex.: “A Folha perguntou-lhe”), a próclise em início de oração (“A Folha lhe perguntou”) é amplamente aceita no português do Brasil e reconhecida por gramáticas descritivas (Bechara). Em provas, o ponto central aqui é a escolha do pronome correto para o objeto indireto.

Alternativa correta: A — “a Folha lhe perguntou.”

• “lhe” retoma “ao leitor” (3ª pessoa, objeto indireto). Concorda em pessoa e número e atende à regência de perguntar. Portanto, a substituição está correta.

Por que as demais estão incorretas?

B — “a Folha vos perguntou.” O pronome “vos” é 2ª pessoa do plural. Há desacordo de pessoa e número com “o leitor” (3ª pessoa, singular). Além disso, “vos” é pouco usado no padrão brasileiro atual, reservado a contextos específicos.

C — “a Folha o perguntou.”o” é pronome de objeto direto. Como “ao leitor” é objeto indireto, a troca por “o” viola a regência do verbo perguntar. O correto seria “lhe”.

D — “a Folha perguntou-nos.”nos” é 1ª pessoa do plural. Muda indevidamente o referente (“o leitor” → “nós”), o que altera o sentido e não corresponde ao termo sublinhado.

E — “a Folha perguntou a estes.” Al��m de recorrer a um pronome demonstrativo (“estes”), não a um pronome pessoal oblíquo, há inadequação de pessoa e número (plural) em relação a “o leitor” (singular). A questão pede substituição por pronome adequado ao papel de objeto indireto, o que se cumpre com “lhe”.

Dicas para não errar:

• Olhe a preposição: se o complemento vem com “a” (ao, à, aos, às), há forte indício de objeto indireto → use lhe/lhes (3ª pessoa).
• Verbo perguntar: padrão “perguntar algo a alguém”. Ex.: “Perguntei ao diretor” → “Lhe perguntei”.
• Não troque OI por OD: “o/a/os/as” substituem objetos diretos, não indiretos.
• Cuidado com a pessoa e o número do pronome: mantenha o referente (o leitor = 3ª pessoa, singular).

Gabarito: A

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