Questões Militares Comentadas sobre sintaxe em português

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Q4238787 Português

TEXTO III 


A BOLA

Luís Fernando Veríssimo


    O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar о velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.

    - Como é que liga? - perguntou.

    - Como, como é que liga? Não se liga. O garoto procurou dentro do papel de embrulho.

    - Não tem manual de instrução?

    O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.

    - Não precisa manual de instrução.

    - O que é que ela faz?

    - Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.

    - O quê?

    - Controla, chuta...

    - Ah, então é uma bola.

    - Claro que é uma bola.

    - Uma bola, bola. Uma bola mesmo.

    - Você pensou que fosse o quê?

    - Nada, não.

    O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.

    - Filho, olha.

   O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.


VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Seleção e apresentação de Ana Maria Machado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.(Adaptado)

Assinale a opção que classifica corretamente o termo destacado na oração "- Filho, olha." (§17).
Alternativas
Q4238785 Português

TEXTO II 


MEDO DA ETERNIDADE

Clarice Lispector


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.

    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

    Afinal minha irmā juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

    - Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.

    - Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.  

    - Não acaba nunca, e pronto.

    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu.que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-derosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

    - E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

    - Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

    Perder a eternidade? Nunca.

  O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamonos para a escola.

    -Acabou-se o docinho. E agora?

    - Agora mastigue para sempre.

    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-pиха cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.

    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

    - Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza.

    Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

    - Já ihe disse, repetiu minha irmă, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmă, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.

    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. (Adaptado)

Coloque F (falso) ou V (verdadeiro) nas orações abaixo, quanto à transitividade dos verbos destacados e às respectivas classificações apresentadas. A seguir, assinale a opção correta. 

( ) "Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa..."(§7) Transitivo direto
( ) "Parei um instante na rua, perplexa." (§5) - Transitivo direto
( ) "... um dia lhe dou outro..." (§18) - Transitivo direto e indireto
( ) "Afinal minha irma juntou dinheiro..." (§3) - Transitivo direto
( ) "...às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira..." (§7) - Transitivo direto e indireto
( ) "- Já lhe disse, repetiu minha irmă, que ela não acaba nunca." (§18)- Transitivo direto
Alternativas
Q4238780 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Se fôssemos reescrever coerentemente o fragmento "Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou." (§3) na ordem direta, teríamos:
Alternativas
Q4238779 Português

TEXTO I 


O TEMPO

Rubem Alves


    Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos, todos os pedaços do tempo - segundos, minutos, dias, anos - são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada.

    Nas Olimpíadas, a performance dos corredores e nadadores é medida até os centésimos. Fico a me perguntar: "Como é que conseguem? Que diferença faz?".

    A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. Os amantes do Cântico dos Cânticos marcavam o tempo do amor pelos frutos maduros que pendiam das árvores. Quando as folhas dos plátanos ficam amarelas sabemos que o outono chegou. Os ipês-rosas e amarelos anunciam o inverno.

    Qual a magia que informa os ipês, todos eles, em lugares muito diferentes, que é hora de perder as folhas e florescer? E sem misturar as cores. Primeiro os rosas, depois os amarelos e, finalmente, os brancos. 

    Sugeri que algum compositor compusesse uma sinfonia ou uma brincadeira musical em três movimentos. Primeiro movimento, "Ipê-rosa", andante tranquilo, em que os violoncelos cantam a paz e a segurança. Segundo movimento, "Ipê-amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com a dos ipês, fazem soar a exuberância da vida. Terceiro movimento, "Ipê-branco", moderato, em que o veludo dos oboés cantam a mansidão. Seria bom se nós, como os ipês, nos abrissemos para o amor no inverno. 

    A precisão dos números marca o tempo das máquinas e do dinheiro. O tempo do amor se marca com o corpo.

    Um calendário é coisa precisa: anos, meses, dias, horas, que são marcados com números. Esses números medem o tempo. Mas os pedaços de tempo são bolsos vazios: nada há dentro deles. O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números. O tempo aparece como um fruto que vai sendo comido: é belo, é colorido, é perfumado. E, à medida que vai sendo comido, vai acabando. Vem a tristeza. O tempo da vida se marca por alegrias e tristezas. Há inícios e há fins.

    Tempus fugit, o tempo foge. Portanto, carpe diem: colha o dia como um fruto que amanhä estará podre.

    Viver ao ritmo de alegrias e tristezas é ser sábio. "Sapio", no latim, quer dizer, "eu saboreio". O sábio é um degustador da vida. A vida não é para ser medida. Ela é para ser saboreada.

    Um texto bíblico diz: "Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos um coração sábio". Acho que Jesus sorriria se eu acrescentasse ao "Pai-Nosso" outra súplica: "A fruta nossa de cada dia dános hoje...". Caqui, pitanga, morango à beira do abismo, melancia...

    Heráclito foi um filósofo grego fascinado pelo tempo. Contemplava o rio e via que tudo é rio. Percebeu que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio; na segunda vez, as águas serão outras, o primeiro rio já não existirá. Tudo é água que flui: as montanhas, as casas, as pedras, as árvores, os animais, os filhos, o corpo... Assim é tudo, assim é a vida: tempo que flui sem parar. Daquilo que ele supostamente escreveu, restam apenas fragmentos enigmáticos. Dentre eles, um me encanta: "Tempo é criança brincando, jogando; da criança o reinado".

    Para nós, o tempo é um velho, cada vez mais velho, sobre quem se acumulam os anos que passam e de quem a vida foge.

    Heráclito, ao contrário, diz que o tempo é criança, início permanente, movimento circular, o fim que volta sempre ao início, fonte de juventude eterna, possibilidade de novo começos.

    Tempo é criança? O que o filósofo queria dizer exatamente eu não sei. Mas sei que as crianças odeiam Chronos, o deus dos cronômetros, dos segundos, dos centésimos de segundos. O relógio é o tempo do dever: corpo engaiolado.


ALVES, Rubem. O tempo. In: ALVES, Rubem. Viva a Jabuticaba! Campinas: Papirus, 2012. (Adaptado).

Leia o trecho abaixo e, a seguir, assinale a opção na qual a reescritura do trecho manteve o seu sentido original e obedeceu à modalidade culta da língua:

"O bolso vazio do tempo se torna parte do nosso corpo quando o enchemos com vida. Aí o tempo não mais pode ser representado por números." (§7)
Alternativas
Q4192542 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão



As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz


    Não é trivial analisar, ao menos a meus olhos míopes, a complexidade do mundo de hoje, e, menos ainda, ter claro como deveríamos lidar com o que há, e com o que o destino nos traz. Uma provocação interessante seria explorar eventuais conexões entre “fato” (aquilo que foi feito), “fado” (destino, aquilo que foi dito, postulado por alguma transcendência) e “fatalidade”, um acontecimento vivido como destino.


    Quando sentimos a serenidade abalada, vem à memória o torturado solilóquio* de Hamlet: o dilema entre sofrer passivamente as flechas da fortuna**, ou postar-se contra o mar de aflições. O célebre trecho não refletiria uma opção entre coragem e covardia, mas entre duas atitudes diante da fatalidade. Hamlet sabe que “o mar” não pode ser derrotado e hesita, não porque teme agir, mas porque sabe que sua ação não resolverá o mundo. A pergunta dele talvez não seja “o que se deve escolher?”, mas “como viver com o que não escolhemos?”.


    Para os estoicos, o destino não é capricho dos deuses, mas uma necessidade racional do cosmos. A ética consistiria em viver de acordo com a natureza, aceitar o que não depende de nós e agir virtuosamente no que depende. O estoico não se queixa, rejeita o ressentimento e mantém a dignidade sem ilusões; o mundo seria, no fundo, compreensível, e a serenidade, possível.


    Uma terceira via, que seguiria sem rebelar-se ao fado, nem tentar sua “domesticação” via razão, seria a adotada por Nietzsche: o “amor fati”, literalmente “amor ao destino”, amor ao mundo como é, sem buscar desculpas. Em Ecce Homo, ele afirma: “Minha receita para a grandeza do ser humano (amor fati) é não querer nada diferente, nem para frente, nem para trás, por toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, ou justificá-lo, mas amá-lo”. Assumir o destino como fato, e responder por ele, sem a resignação estoica, nem a hesitação hamletiana. Não se questiona se o mundo é justo, racional ou digno; pergunta-se apenas se somos capazes de afirmá-lo. Amor fati – amar o destino – seria a recusa radical ao álibi. Não cabe dizer “tudo acontece por alguma razão”, mas sim afirmar “isto aconteceu – e eu o assumo”. Amar o destino é tratar o fado como se fato fosse, não no sentido de tê-lo causado, mas em responder por ele.


    Amenizando, haveria talvez ainda outra resposta, bem menos rebuscada e muito mais conhecida, que veio de um conjunto musical nos anos 70. Ela nos tranquiliza lembrando-nos que, quando estamos em tempos de tribulação, “… a mãe Maria vem a mim e me diz, com palavras de sabedoria, ‘deixa estar’”… Let it be!



(Demi Getschko, “As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz”, O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/economia/demi-getschko/as-dificuldades-para-lidar-com-o-que-o-destino-nos-traz/. Adaptado)



*Solilóquio: monólogo.
**Fortuna: destino, fado.
Assinale a alternativa que reescreve passagem do texto de acordo com a norma-padrão de concordância verbal e de colocação dos pronomes átonos.
Alternativas
Q4192536 Português

Para responder a questão, leia o trecho a seguir, extraído das reflexões filosóficas do imperador Marco Aurélio (121– 180 d.C.):


    O homem deve levar em conta que, a cada dia, parte da sua vida se vai e que cada vez menos resta para ele, mas também que, mesmo que ele tenha uma longa vida, não se sabe se sua inteligência será como antes para lidar com seus negócios e para ter um vislumbre do conhecimento que tem como objetivo entender tanto as coisas humanas quanto as divinas. No início da decrepitude, a respiração, a alimentação, a imaginação, o impulso, entre outros atributos, não falharão.

Entretanto, o autocontrole, o cumprimento de suas funções com exatidão, a capacidade de escrutinar que se apossa dos seus sentidos ou até de decidir quando é hora de parar, e enfim, todos os poderes que exigem uma com preensão e um raciocínio bem treinados, serão nele extintos.


    Deixa-o, então, estar ativo, não apenas porque a morte aproxima-se a cada dia, mas porque a compreensão e a inteligência com frequência nos abandonam antes de morrermos.



(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta expressões que substituem os termos destacados no texto, com correção e sem prejuízo às relações de sentido que estabelecem nos respectivos contextos.
Alternativas
Q4190794 Português
Leia o texto para responder à questão.


      Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

    Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna1 e mais longos que seu talhe de palmeira.

    O favo da jati2 não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

     Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu3 , onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara4 . O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

   Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica5 , mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem, os pássaros ameigavam o canto.

    Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará6 as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

    A graciosa ará7 , sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru8 de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá9 , as agulhas da juçara10 com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.


(José de Alencar, Iracema. 2020)


Vocabulário:


1 Graúna – É o pássaro conhecido de cor negra luzidia. Seu nome vem de guira (pássaro) e una (abreviação de pixuna – preto).

2 Jati – Pequena abelha.

3 Ipu – Certa qualidade de terra muito fértil, que forma grandes coroas ou ilhas no meio dos tabuleiros e sertões. Daí se deriva o nome desse local.

4 Tabajaras – Senhores das aldeias, de taba (aldeia) e jara (senhor). Essa nação dominava o interior da província, especialmente a serra de Ibiapaba.

5 Oiticica – Árvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura de sua sombra.

6 Gará – Ave paludal, muito conhecida pelo nome de guará. Também assim chamada pela bela cor vermelha.

Ará – Periquito.

8 Uru – Cestinho que servia de cofre às selvagens para guardar seus objetos de mais preço e estimação.

9 Crautá – Bromélia vulgar, de que se tiram fibras tão ou mais finas que as do linho.

10 Juçara – Palmeira de grandes espinhos.
Assinale a alternativa em que o primeiro termo destacado estabelece relação de subordinação entre orações e o segundo termo destacado estabelece relação de coordenação entre termos da oração.
Alternativas
Q4190790 Português
Leia o texto para responder à questão.


      Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

    Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna1 e mais longos que seu talhe de palmeira.

    O favo da jati2 não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

     Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu3 , onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara4 . O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

   Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica5 , mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem, os pássaros ameigavam o canto.

    Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará6 as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

    A graciosa ará7 , sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru8 de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá9 , as agulhas da juçara10 com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.


(José de Alencar, Iracema. 2020)


Vocabulário:


1 Graúna – É o pássaro conhecido de cor negra luzidia. Seu nome vem de guira (pássaro) e una (abreviação de pixuna – preto).

2 Jati – Pequena abelha.

3 Ipu – Certa qualidade de terra muito fértil, que forma grandes coroas ou ilhas no meio dos tabuleiros e sertões. Daí se deriva o nome desse local.

4 Tabajaras – Senhores das aldeias, de taba (aldeia) e jara (senhor). Essa nação dominava o interior da província, especialmente a serra de Ibiapaba.

5 Oiticica – Árvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura de sua sombra.

6 Gará – Ave paludal, muito conhecida pelo nome de guará. Também assim chamada pela bela cor vermelha.

Ará – Periquito.

8 Uru – Cestinho que servia de cofre às selvagens para guardar seus objetos de mais preço e estimação.

9 Crautá – Bromélia vulgar, de que se tiram fibras tão ou mais finas que as do linho.

10 Juçara – Palmeira de grandes espinhos.
Comentando a ordem dos termos no sintagma verbal, Nilce Sant’anna Martins (2008) explica que “A inversão, processo de colocar em evidência um termo que se deseja privilegiar, rompe a monotonia da ordem usual, podendo favorecer um ritmo mais adequado ou propiciar um tom mais elegante.” As considerações da autora são comprovadas com a passagem do texto, com inversão da posição do sujeito:
Alternativas
Q4190782 Português
Leia o texto para responder à questão.


O Brasil está envelhecendo, mas ainda não sabe onde vai morar


   O Brasil está envelhecendo – e rápido. Em poucas décadas, o País deixou de ser majoritariamente jovem para ingressar numa transição demográfica profunda, que redefine não apenas políticas públicas, mas também a forma como pensamos cidades, moradia e qualidade de vida. Segundo dados do IBGE, atualmente a população entre 60 e 69 anos representa cerca de 16% dos brasileiros (mais de 31 milhões de pessoas). As projeções são ainda mais contundentes: em 2060, o Brasil deverá somar 73,4 milhões de idosos, com crescimento acelerado sobretudo entre aqueles acima dos 90 anos.

    Esse novo desenho etário impõe desafios estruturais. Afinal, não se trata apenas de viver mais, mas de como viver melhor. O envelhecimento da população exige respostas que vão além da saúde e da previdência: passam necessariamente pela moradia. É nesse ponto que surge um debate ainda pouco amadurecido no Brasil, mas central no mundo desenvolvido: o da moradia pensada para o envelhecimento ativo.

    Isso porque envelhecer com dignidade não é apenas um conceito abstrato. É um direito. De um lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o direito à moradia digna como um direito humano fundamental e estabelece princípios específicos para as pessoas idosas, baseados em independência, participação social, cuidado, autorrealização e dignidade.

   De outro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça esse olhar por meio do programa Cidades Amigas do Idoso, que propõe lares e ambientes adaptados às necessidades físicas, sociais e emocionais da população idosa. Ou seja, a premissa é clara: envelhecer não deve significar isolamento, perda de autonomia ou exclusão da vida comunitária.


(Caio Calfat. Em: https://www.estadao.com.br/ opiniao/espaco-aberto/o-brasil-esta-envelhecendo-masainda-nao-sabe-onde-vai-morar/, 16.03.2026. Adaptado)
A concordância verbal e a concordância nominal estão em conformidade com a norma-padrão em:
Alternativas
Q4190780 Português
Leia o texto para responder à questão.


O Brasil está envelhecendo, mas ainda não sabe onde vai morar


   O Brasil está envelhecendo – e rápido. Em poucas décadas, o País deixou de ser majoritariamente jovem para ingressar numa transição demográfica profunda, que redefine não apenas políticas públicas, mas também a forma como pensamos cidades, moradia e qualidade de vida. Segundo dados do IBGE, atualmente a população entre 60 e 69 anos representa cerca de 16% dos brasileiros (mais de 31 milhões de pessoas). As projeções são ainda mais contundentes: em 2060, o Brasil deverá somar 73,4 milhões de idosos, com crescimento acelerado sobretudo entre aqueles acima dos 90 anos.

    Esse novo desenho etário impõe desafios estruturais. Afinal, não se trata apenas de viver mais, mas de como viver melhor. O envelhecimento da população exige respostas que vão além da saúde e da previdência: passam necessariamente pela moradia. É nesse ponto que surge um debate ainda pouco amadurecido no Brasil, mas central no mundo desenvolvido: o da moradia pensada para o envelhecimento ativo.

    Isso porque envelhecer com dignidade não é apenas um conceito abstrato. É um direito. De um lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o direito à moradia digna como um direito humano fundamental e estabelece princípios específicos para as pessoas idosas, baseados em independência, participação social, cuidado, autorrealização e dignidade.

   De outro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça esse olhar por meio do programa Cidades Amigas do Idoso, que propõe lares e ambientes adaptados às necessidades físicas, sociais e emocionais da população idosa. Ou seja, a premissa é clara: envelhecer não deve significar isolamento, perda de autonomia ou exclusão da vida comunitária.


(Caio Calfat. Em: https://www.estadao.com.br/ opiniao/espaco-aberto/o-brasil-esta-envelhecendo-masainda-nao-sabe-onde-vai-morar/, 16.03.2026. Adaptado)
Com base no proposto por Evanildo Bechara (2019), na passagem do 4º parágrafo “Ou seja, a premissa é clara: envelhecer não deve significar isolamento, perda de autonomia ou exclusão da vida comunitária.”, os sinais de pontuação são empregados, correta e respectivamente, pelos seguintes motivos:
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Q4189733 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Giustizia climatica: diritti e responsabilità di tutti!


  Il cambiamento climatico è senza dubbio la più grave minaccia alla nostra stessa esistenza che ci troviamo ad affrontare. Le drammatiche immagini delle alluvioni in Pakistan dell’estate 2022, con oltre un terzo del Paese sommerso dall’acqua e 33 milioni di persone direttamente colpite dall’emergenza, ha reso ancora più evidente, in maniera drammatica, come l’impatto dei cambiamenti climatici comprometta la possibilità per milioni di persone di godere dei propri diritti fondamentali, con conseguenze negative sul diritto alla salute, all’alloggio, all’istruzione ed alla vita.

  Gli effetti del cambiamento climatico non riguardano solamente i Paesi del sud del mondo, seppur saranno proprio questi Paesi, che hanno storicamente contribuito in misura minore all’aumento delle temperature globali medie di circa 1,1 °C rispetto all’età preindustriale, a causa dell’incremento delle emissioni di gas serra derivanti da attività umane, a subire le conseguenze più gravi come perdite di vite umane e di danni economici.

  L’estate del 2022 ha infatti registrato le più gravi siccità in Europa degli ultimi 500 anni, causate da temperature medie anormali rispetto alla norma e da livelli di precipitazione più bassi rispetto alla media del periodo, con la conseguenza che l’estate del 2022 passerà alla storia come l’estate più calda di sempre da quando vengono registrate le temperature, ancor più calda dell’estate del 2003. Le conseguenze della siccità e delle temperature record hanno causato oltre 15.000 decessi solamente in Europa secondo l’Organizzazione Mondiale della Sanità.

   Amnesty International ritiene che l’incapacità dei governi di intraprendere azioni, di fronte alle evidenze scientifiche rispetto alle cause antropogeniche dei cambiamenti climatici rappresentano la più grave violazione intergenerazionale dei diritti umani.


(HUB Scuola, “Giustizia climatica: diritti e responsabilità di tutti!”. Disponível em: https://area-italiano-ss2g.hubscuola.it/educazione-civica/amnesty-international/ giustizia-climatica-diritti-e-responsabilita-di-tutti/?8029#/. Adaptado)
Considere o seguinte trecho:

“Gli effetti del cambiamento climatico non riguardano solamente i Paesi del sud del mondo, seppur saranno proprio questi Paesi (...) a subire le conseguenze più gravi...” (2o parágrafo)

É correto afirmar que a oração iniciada por “seppur”, em relação à oração anterior,
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Q4189218 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão


As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz


    Não é trivial analisar, ao menos a meus olhos míopes, a complexidade do mundo de hoje, e, menos ainda, ter claro como deveríamos lidar com o que há, e com o que o destino nos traz. Uma provocação interessante seria explorar eventuais conexões entre “fato” (aquilo que foi feito), “fado” (destino, aquilo que foi dito, postulado por alguma transcendência) e “fatalidade”, um acontecimento vivido como destino.


    Quando sentimos a serenidade abalada, vem à memória o torturado solilóquio* de Hamlet: o dilema entre sofrer passivamente as flechas da fortuna**, ou postar-se contra o mar de aflições. O célebre trecho não refletiria uma opção entre coragem e covardia, mas entre duas atitudes diante da fatalidade. Hamlet sabe que “o mar” não pode ser derrotado e hesita, não  porque teme agir, mas porque sabe que sua ação não resolverá o mundo. A pergunta dele talvez não seja “o que se deve  escolher?”, mas “como viver com o que não escolhemos?”.


    Para os estoicos, o destino não é capricho dos deuses, mas uma necessidade racional do cosmos. A ética consistiria em viver de acordo com a natureza, aceitar o que não depende de nós e agir virtuosamente no que depende. O estoico não se queixa, rejeita o ressentimento e mantém a dignidade sem ilusões; o mundo seria, no fundo, compreensível, e a serenidade, possível.


    Uma terceira via, que seguiria sem rebelar-se ao fado, nem tentar sua “domesticação” via razão, seria a adotada por  Nietzsche: o “amor fati”, literalmente “amor ao destino”, amor  ao mundo como é, sem buscar desculpas. Em Ecce Homo, ele afirma: “Minha receita para a grandeza do ser humano  (amor fati) é não querer nada diferente, nem para frente, nem para trás, por toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, ou justificá-lo, mas amá-lo”. Assumir o destino como fato, e responder por ele, sem a resignação estoica, nem a hesitação hamletiana. Não se questiona se o mundo é justo, racional ou digno; pergunta-se apenas se somos capazes de afirmá-lo. Amor fati – amar o destino – seria a recusa radical ao álibi. Não cabe dizer “tudo acontece por alguma  razão”, mas sim afirmar “isto aconteceu – e eu o assumo”.  Amar o destino é tratar o fado como se fato fosse, não no sentido de tê-lo causado, mas em responder por ele.


    Amenizando, haveria talvez ainda outra resposta, bem menos rebuscada e muito mais conhecida, que veio de um conjunto musical nos anos 70. Ela nos tranquiliza lembrando-nos que, quando estamos em tempos de tribulação, “… a mãe Maria vem a mim e me diz, com palavras de  sabedoria, ‘deixa estar’”… Let it be!


(Demi Getschko, “As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz”,  O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/ economia/demi-getschko/as-dificuldades-para-lidar-com- o-que-o-destino-nos-traz/. Adaptado)


*Solilóquio: monólogo.


**Fortuna: destino, fado.

Considere as passagens a seguir:


•  “… ter claro como deveríamos lidar com o que há…” (1o parágrafo)


•  “A ética consistiria em viver de acordo com a natureza,  aceitar o que não depende de nós…” (3o parágrafo)


•   “ Assumir o destino como fato, e responder por ele…” (4o parágrafo)



De acordo com a norma-padrão de regência e com o sentido original do texto, as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:

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Q4188147 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz


    Não é trivial analisar, ao menos a meus olhos míopes, a complexidade do mundo de hoje, e, menos ainda, ter claro como deveríamos lidar com o que há, e com o que o destino nos traz. Uma provocação interessante seria explorar eventuais conexões entre “fato” (aquilo que foi feito), “fado” (destino, aquilo que foi dito, postulado por alguma transcendência) e “fatalidade”, um acontecimento vivido como destino.

    Quando sentimos a serenidade abalada, vem à memória o torturado solilóquio* de Hamlet: o dilema entre sofrer passivamente as flechas da fortuna**, ou postar-se contra o mar de aflições. O célebre trecho não refletiria uma opção entre coragem e covardia, mas entre duas atitudes diante da fatalidade. Hamlet sabe que “o mar” não pode ser derrotado e hesita, não porque teme agir, mas porque sabe que sua ação não resolverá o mundo. A pergunta dele talvez não seja “o que se deve escolher?”, mas “como viver com o que não escolhemos?”.

    Para os estoicos, o destino não é capricho dos deuses, mas uma necessidade racional do cosmos. A ética consistiria em viver de acordo com a natureza, aceitar o que não depende de nós e agir virtuosamente no que depende. O estoico não se queixa, rejeita o ressentimento e mantém a dignidade sem ilusões; o mundo seria, no fundo, compreensível, e a serenidade, possível.

    Uma terceira via, que seguiria sem rebelar-se ao fado, nem tentar sua “domesticação” via razão, seria a adotada por Nietzsche: o “amor fati”, literalmente “amor ao destino”, amor ao mundo como é, sem buscar desculpas. Em Ecce Homo, ele afirma: “Minha receita para a grandeza do ser humano (amor fati) é não querer nada diferente, nem para frente, nem para trás, por toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, ou justificá-lo, mas amá-lo”. Assumir o destino como fato, e responder por ele, sem a resignação estoica, nem a hesitação hamletiana. Não se questiona se o mundo é justo, racional ou digno; pergunta-se apenas se somos capazes de afirmá-lo. Amor fati – amar o destino – seria a recusa radical ao álibi. Não cabe dizer “tudo acontece por alguma razão”, mas sim afirmar “isto aconteceu – e eu o assumo”. Amar o destino é tratar o fado como se fato fosse, não no sentido de tê-lo causado, mas em responder por ele.

    Amenizando, haveria talvez ainda outra resposta, bem menos rebuscada e muito mais conhecida, que veio de um conjunto musical nos anos 70. Ela nos tranquiliza lembrando-nos que, quando estamos em tempos de tribulação, “… a mãe Maria vem a mim e me diz, com palavras de sabedoria, ‘deixa estar’”… Let it be!


(Demi Getschko, “As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz”, O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/ economia/demi-getschko/as-dificuldades-para-lidar-como-que-o-destino-nos-traz/. Adaptado)


*Solilóquio: monólogo.

**Fortuna: destino, fado.



Assinale a alternativa em que o termo em destaque tem equivalência morfossintática ao destacado na passagem “… vem à memória o torturado solilóquio de Hamlet…” (2° parágrafo).
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Q4188139 Português
Para responder à questão, leia o texto do imperador Marco Aurélio (121 – 180 d.C.) a seguir:


    O próprio Hipócrates, que curou muitas doenças, caiu doente e morreu. Os caldeus* previram as mortes de multidões e, ao final, o destino também ceifou suas vidas. Alexandre Pompeu e Caio César, que destruíram muitas cidades e tiraram a vida de milhares de soldados de cavalaria e infantaria no campo de batalha, também um dia deixaram esta vida. Heráclito, que muito especulou sobre a conflagração do mundo, morreu engolido pela água e coberto de estrume de gado. Demócrito foi destruído por vermes; Sócrates foi morto por outro tipo de verme. Por que tudo isso?

    Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo. A alma é, pois, inteligência e divindade, mas o corpo, pó e corrupção.

(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)


*Caldeus: habitantes da Caldeia, país na antiga Mesopotâmia.
Na relação de subordinação entre orações, uma oração (ou mais de uma) exerce uma função sintática de outra, dita principal.

A partir dessa informação, assinale a alternativa em que uma oração exerce função sintática de outra.
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Q4188137 Português
Para responder à questão, leia o texto do imperador Marco Aurélio (121 – 180 d.C.) a seguir:


    O próprio Hipócrates, que curou muitas doenças, caiu doente e morreu. Os caldeus* previram as mortes de multidões e, ao final, o destino também ceifou suas vidas. Alexandre Pompeu e Caio César, que destruíram muitas cidades e tiraram a vida de milhares de soldados de cavalaria e infantaria no campo de batalha, também um dia deixaram esta vida. Heráclito, que muito especulou sobre a conflagração do mundo, morreu engolido pela água e coberto de estrume de gado. Demócrito foi destruído por vermes; Sócrates foi morto por outro tipo de verme. Por que tudo isso?

    Embarcaste, empreendeste tua viagem e atracaste no ancoradouro. Desembarca. Se for em outra vida, lá também haverá um Deus; se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo. A alma é, pois, inteligência e divindade, mas o corpo, pó e corrupção.

(Marco Aurélio, Meditações. Adaptado)


*Caldeus: habitantes da Caldeia, país na antiga Mesopotâmia.
Sem que haja prejuízo ao sentido original e de acordo com a norma-padrão, no trecho “… se for no meio do nada, ao menos não haverá mais dores e prazeres e não serás mais escravo de um corpo tão vil quanto seu escravo.” (2° parágrafo), as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:
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Q4187021 Português
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


     O estresse compreende uma resposta física, normal para acontecimentos que fazem o indivíduo se sentir ameaçado ou quando o indivíduo está sobre pressão, sendo uma posição de alerta de autoproteção, podendo ser definido como uma totalização de estímulos físicos e mentais da inaptidão para definir o que é fato, e que são os anseios pessoais (NICOLAU, 2009). Os riscos inerentes à atividade de segurança pública remetem a situações de incertezas e tensões constantes, mesmo após o turno de trabalho; isto se dá pela visibilidade ligada ao uso da farda e de mesmo modo pela perseguição motivada pela vingança (SILVA, 2009). Essa tensão constante desencadeia um processo de estresse ininterrupto, deixa o corpo em sinal constante de alerta, gerando um estresse crônico deixando o indivíduo vulnerável a ansiedade e a depressão.

    O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma desordem da ansiedade distinta por um composto de ações/reações e manifestações físicas, mentais e emocionais devido à sequela de traumas vividos que, em geralmente, despertaram perigo à vida. A recordação remete a todo o sofrimento vivido na ocasião, resultando em modificações neurofisiológicas e mentais (VARELLA, 2016). O transtorno é desenvolvido em pessoas que estiveram envolvidas em episódios de violência urbana, guerra, agressão física, tortura, assalto, sequestro, acidentes, dentre outros. Assim, as ameaças consistentes de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, são situações diárias presentes nas atividades do agente da segurança pública que, motivam o adoecimento silencioso (FIGUEIRA e MENDLOWICZ, 2003).

    Para Mendes (2013) o desgaste emocional provocado pela forma de trabalho, principalmente no caso do trabalho do policial militar contribui de modo significativo na motivação de transtornos relacionados ao estresse, como nos episódios de depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, e doenças psicossomáticas. Para o autor, as pessoas acometidas pelas implicações estressoras laborais possuem um baixo rendimento no trabalho e comumente estão irritadas e deprimidas.

    A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional decorre do estresse laboral, sendo distinguida por uma exaustão emocional, somada a uma autoavaliação negativa, depressão e insensibilidade com relação à vida como um todo. A instauração da síndrome poderá estar relacionada, também, com as relações de subordinação (ALMEIDA, 2007). Observa-se que as doenças ocasionadas pela prática laboral em muitos casos só são entendidas quando em estágios graves. Isto ocorre devido aos sintomas serem comuns e confundidos com moléstias diversas que disfarçam a identificação precoce da doença, gerando um sofrer silencioso e incompreendido por muitos colegas de trabalho e até por familiares.

    Esta síndrome incide em maior número de profissionais, cuja função é cuidar de outras pessoas, tais como: médicos, policiais, bombeiros, agentes penitenciários, dentre outros (ALMEIDA, 2007).


CRUZ, W. H. A saúde mental dos agentes de segurança pública. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-saude-mental-dos-agentes-deseguranca-publica/1630178796 Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado.
Com base na análise das estruturas sintáticas do texto, especificamente no que tange às relações de subordinação entre termos da oração (onde um termo exerce função sintática em relação a um núcleo, como adjuntos, complementos ou predicativos), analise o seguinte trecho: “O desgaste emocional provocado pela forma de trabalho, principalmente no caso do trabalho do policial militar contribui de modo significativo na motivação de transtornos relacionados ao estresse” (3º parágrafo). Assim, observa-se que:
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Q4187020 Português
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


     O estresse compreende uma resposta física, normal para acontecimentos que fazem o indivíduo se sentir ameaçado ou quando o indivíduo está sobre pressão, sendo uma posição de alerta de autoproteção, podendo ser definido como uma totalização de estímulos físicos e mentais da inaptidão para definir o que é fato, e que são os anseios pessoais (NICOLAU, 2009). Os riscos inerentes à atividade de segurança pública remetem a situações de incertezas e tensões constantes, mesmo após o turno de trabalho; isto se dá pela visibilidade ligada ao uso da farda e de mesmo modo pela perseguição motivada pela vingança (SILVA, 2009). Essa tensão constante desencadeia um processo de estresse ininterrupto, deixa o corpo em sinal constante de alerta, gerando um estresse crônico deixando o indivíduo vulnerável a ansiedade e a depressão.

    O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma desordem da ansiedade distinta por um composto de ações/reações e manifestações físicas, mentais e emocionais devido à sequela de traumas vividos que, em geralmente, despertaram perigo à vida. A recordação remete a todo o sofrimento vivido na ocasião, resultando em modificações neurofisiológicas e mentais (VARELLA, 2016). O transtorno é desenvolvido em pessoas que estiveram envolvidas em episódios de violência urbana, guerra, agressão física, tortura, assalto, sequestro, acidentes, dentre outros. Assim, as ameaças consistentes de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, são situações diárias presentes nas atividades do agente da segurança pública que, motivam o adoecimento silencioso (FIGUEIRA e MENDLOWICZ, 2003).

    Para Mendes (2013) o desgaste emocional provocado pela forma de trabalho, principalmente no caso do trabalho do policial militar contribui de modo significativo na motivação de transtornos relacionados ao estresse, como nos episódios de depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, e doenças psicossomáticas. Para o autor, as pessoas acometidas pelas implicações estressoras laborais possuem um baixo rendimento no trabalho e comumente estão irritadas e deprimidas.

    A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional decorre do estresse laboral, sendo distinguida por uma exaustão emocional, somada a uma autoavaliação negativa, depressão e insensibilidade com relação à vida como um todo. A instauração da síndrome poderá estar relacionada, também, com as relações de subordinação (ALMEIDA, 2007). Observa-se que as doenças ocasionadas pela prática laboral em muitos casos só são entendidas quando em estágios graves. Isto ocorre devido aos sintomas serem comuns e confundidos com moléstias diversas que disfarçam a identificação precoce da doença, gerando um sofrer silencioso e incompreendido por muitos colegas de trabalho e até por familiares.

    Esta síndrome incide em maior número de profissionais, cuja função é cuidar de outras pessoas, tais como: médicos, policiais, bombeiros, agentes penitenciários, dentre outros (ALMEIDA, 2007).


CRUZ, W. H. A saúde mental dos agentes de segurança pública. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-saude-mental-dos-agentes-deseguranca-publica/1630178796 Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado.
Com base na análise das estruturas sintáticas do texto, especificamente no que tange às relações de coordenação (articulação de elementos que exercem a mesma função sintática ou de orações independentes entre si), analise o trecho: “O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma desordem da ansiedade distinta por um composto de ações/ reações e manifestações físicas, mentais e emocionais” (2º parágrafo). A coordenação no trecho sublinhado é utilizada para:
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Q4187018 Português
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


     O estresse compreende uma resposta física, normal para acontecimentos que fazem o indivíduo se sentir ameaçado ou quando o indivíduo está sobre pressão, sendo uma posição de alerta de autoproteção, podendo ser definido como uma totalização de estímulos físicos e mentais da inaptidão para definir o que é fato, e que são os anseios pessoais (NICOLAU, 2009). Os riscos inerentes à atividade de segurança pública remetem a situações de incertezas e tensões constantes, mesmo após o turno de trabalho; isto se dá pela visibilidade ligada ao uso da farda e de mesmo modo pela perseguição motivada pela vingança (SILVA, 2009). Essa tensão constante desencadeia um processo de estresse ininterrupto, deixa o corpo em sinal constante de alerta, gerando um estresse crônico deixando o indivíduo vulnerável a ansiedade e a depressão.

    O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma desordem da ansiedade distinta por um composto de ações/reações e manifestações físicas, mentais e emocionais devido à sequela de traumas vividos que, em geralmente, despertaram perigo à vida. A recordação remete a todo o sofrimento vivido na ocasião, resultando em modificações neurofisiológicas e mentais (VARELLA, 2016). O transtorno é desenvolvido em pessoas que estiveram envolvidas em episódios de violência urbana, guerra, agressão física, tortura, assalto, sequestro, acidentes, dentre outros. Assim, as ameaças consistentes de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, são situações diárias presentes nas atividades do agente da segurança pública que, motivam o adoecimento silencioso (FIGUEIRA e MENDLOWICZ, 2003).

    Para Mendes (2013) o desgaste emocional provocado pela forma de trabalho, principalmente no caso do trabalho do policial militar contribui de modo significativo na motivação de transtornos relacionados ao estresse, como nos episódios de depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, e doenças psicossomáticas. Para o autor, as pessoas acometidas pelas implicações estressoras laborais possuem um baixo rendimento no trabalho e comumente estão irritadas e deprimidas.

    A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional decorre do estresse laboral, sendo distinguida por uma exaustão emocional, somada a uma autoavaliação negativa, depressão e insensibilidade com relação à vida como um todo. A instauração da síndrome poderá estar relacionada, também, com as relações de subordinação (ALMEIDA, 2007). Observa-se que as doenças ocasionadas pela prática laboral em muitos casos só são entendidas quando em estágios graves. Isto ocorre devido aos sintomas serem comuns e confundidos com moléstias diversas que disfarçam a identificação precoce da doença, gerando um sofrer silencioso e incompreendido por muitos colegas de trabalho e até por familiares.

    Esta síndrome incide em maior número de profissionais, cuja função é cuidar de outras pessoas, tais como: médicos, policiais, bombeiros, agentes penitenciários, dentre outros (ALMEIDA, 2007).


CRUZ, W. H. A saúde mental dos agentes de segurança pública. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-saude-mental-dos-agentes-deseguranca-publica/1630178796 Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado.
Considerando o texto e seus mecanismos de coesão textual, que garantem a articulação entre as partes do texto por meio de elementos linguísticos (como pronomes, conjunções e elipses), assinale a alternativa correta.
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Q4187016 Português
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


     O estresse compreende uma resposta física, normal para acontecimentos que fazem o indivíduo se sentir ameaçado ou quando o indivíduo está sobre pressão, sendo uma posição de alerta de autoproteção, podendo ser definido como uma totalização de estímulos físicos e mentais da inaptidão para definir o que é fato, e que são os anseios pessoais (NICOLAU, 2009). Os riscos inerentes à atividade de segurança pública remetem a situações de incertezas e tensões constantes, mesmo após o turno de trabalho; isto se dá pela visibilidade ligada ao uso da farda e de mesmo modo pela perseguição motivada pela vingança (SILVA, 2009). Essa tensão constante desencadeia um processo de estresse ininterrupto, deixa o corpo em sinal constante de alerta, gerando um estresse crônico deixando o indivíduo vulnerável a ansiedade e a depressão.

    O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma desordem da ansiedade distinta por um composto de ações/reações e manifestações físicas, mentais e emocionais devido à sequela de traumas vividos que, em geralmente, despertaram perigo à vida. A recordação remete a todo o sofrimento vivido na ocasião, resultando em modificações neurofisiológicas e mentais (VARELLA, 2016). O transtorno é desenvolvido em pessoas que estiveram envolvidas em episódios de violência urbana, guerra, agressão física, tortura, assalto, sequestro, acidentes, dentre outros. Assim, as ameaças consistentes de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, são situações diárias presentes nas atividades do agente da segurança pública que, motivam o adoecimento silencioso (FIGUEIRA e MENDLOWICZ, 2003).

    Para Mendes (2013) o desgaste emocional provocado pela forma de trabalho, principalmente no caso do trabalho do policial militar contribui de modo significativo na motivação de transtornos relacionados ao estresse, como nos episódios de depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, e doenças psicossomáticas. Para o autor, as pessoas acometidas pelas implicações estressoras laborais possuem um baixo rendimento no trabalho e comumente estão irritadas e deprimidas.

    A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional decorre do estresse laboral, sendo distinguida por uma exaustão emocional, somada a uma autoavaliação negativa, depressão e insensibilidade com relação à vida como um todo. A instauração da síndrome poderá estar relacionada, também, com as relações de subordinação (ALMEIDA, 2007). Observa-se que as doenças ocasionadas pela prática laboral em muitos casos só são entendidas quando em estágios graves. Isto ocorre devido aos sintomas serem comuns e confundidos com moléstias diversas que disfarçam a identificação precoce da doença, gerando um sofrer silencioso e incompreendido por muitos colegas de trabalho e até por familiares.

    Esta síndrome incide em maior número de profissionais, cuja função é cuidar de outras pessoas, tais como: médicos, policiais, bombeiros, agentes penitenciários, dentre outros (ALMEIDA, 2007).


CRUZ, W. H. A saúde mental dos agentes de segurança pública. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-saude-mental-dos-agentes-deseguranca-publica/1630178796 Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado.
No penúltimo e no último parágrafo do texto, a estrutura morfossintática é fundamental para a organização das informações sobre a Síndrome de Burnout. Sabendo disso, e com base nas relações de subordinação e nas normas de concordância e pontuação, identifique a alternativa correta.
Alternativas
Q4175966 Português
Observe a frase: "A professora explicou a matéria com calma." Qual é a função sintática do termo destacado?
Alternativas
Respostas
1: C
2: A
3: D
4: A
5: E
6: E
7: B
8: D
9: B
10: E
11: D
12: D
13: E
14: E
15: A
16: D
17: C
18: E
19: C
20: D