Questões Militares Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q743690 Português

TEXTO

O IDIOMA, VIVO OU MORTO?

Jorge Fernando dos Santos

    O grande problema da língua pátria é que ela é viva e se renova a cada dia. Problema não para a própria língua, mas para os puristas, aqueles que fiscalizam o uso e o desuso do idioma. Quando Chico Buarque de Hollanda criou na letra de “Pedro Pedreiro” o neologismo “penseiro”, teve gente que chiou. Afinal, que palavra é essa? Não demorou muito, o Aurélio definiu a nova palavra no seu dicionário. Isso mostra o vigor da língua portuguesa. Nas próximas edições dos melhores dicionários, não duvidem: provavelmente virá pelo menos uma definição para a expressão “segura o tcham”. Enfim, as gírias e expressões populares, por mais erradas ou absurdas que possam parecer, ajudam a manter a atualidade dos idiomas que se prezam.

O título dado ao texto – O idioma, vivo ou morto? – pode ser justificado pelo seguinte aspecto do texto:
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Q717363 Português

      As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se importam para ser empáticas, e algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não nos identificar com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado jeito, o que o faz sofrer e os direitos que ele tem.

      Nada impede?

      Desculpe, foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho. Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima. Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer.

      Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não circulam, não têm amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que tenha hábitos diferentes dos seus será criticado em vez de aceito e considerado. Os ignorantes têm medo do desconhecido, e o evitam.

      E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de pensar no bem público, colocam seus interesses acima de todos e trabalham só para si, e aí os exemplos se empilham: políticos corruptos, empresários que só visam ao lucro sem respeitar a legislação, pessoas que usam sua posição social para conseguir benefícios que deveriam ser conquistados pelos trâmites usuais, sem falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoro pelo Facebook, faltar [a] compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas “coisinhas” que são feitas no automático sem pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.

      É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Só que, para muitos, ser gentil é puxar uma cadeira para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair. Sim, todos muito gentis, mas colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia. Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma corrente de acertos e de responsabilidade - se colocar no lugar do outro não é uma gentileza que se faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.

                                             (MEDEIROS, Martha. Rev. O Globo: 03/02/2013.)

Altera-se o sentido do enunciado no texto com a substituição do elemento em destaque proposta em:
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Q696142 Português

 Texto I

                                      A zaga aérea do Brasil na Copa

      Delineamos as estratégias da FAB para garantir marcação cerrada nos céus do país durante o maior evento esportivo do mundo.

Entre os preparativos mais complexos para a Copa do Mundo, que começará em junho próximo, e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto de 2016, está a criação de zonas de exclusão aéreas, nas quais os sobrevoos de aeronaves estarão proibidos. É uma medida de segurança que visa evitar atentados terroristas e incidentes aéreos nos locais de grande concentração de turistas e atletas. Esse tipo de iniciativa já foi posta em prática nos Jogos de Londres, em 2012, com grande sucesso. Na ocasião, oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) acompanharam o trabalho dos britânicos. No Brasil, será uma experiência de proporções ainda maiores, envolvendo 12 cidades-sede espalhadas por todo o território nacional – bem menos complexa será a proteção dos céus do Rio nos Jogos Olímpicos. Não que o país seja alvo de atentados, mas, diante dos atuais riscos globais e de suas consequências, todo o cuidado será pouco. A primeira experiência real desse gênero para a FAB foi a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que reuniu 43.000 participantes de 193 nações, em 2012. Depois vieram a Copa das Confederações, em junho de 2013, seguida da visita do Papa Francisco, em agosto do mesmo ano. Em todos esses eventos, caças e helicópteros estiveram de prontidão.

                                                      (André Vargas, Aero Magazine, nº 237 – 2014. Fragmento.) 

Tendo em vista que as palavras são, por natureza, polissêmicas, é correto afirmar que a determinação do sentido do vocábulo “zaga”, no título do texto, ocorre em função da
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Q678163 Português

                                                   Texto 3

                                                CONSOADA

                                           (Manuel Bandeira)

                           Quando a Indesejada das gentes chegar

                                    (Não sei se dura ou caroável),

                                          Talvez eu tenha medo.

                                          Talvez sorria, ou diga:

                                              — Alô, iniludível!

                             O meu dia foi bom, pode a noite descer.

                                 (A noite com os seus sortilégios.)

                           Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,

                                                 A mesa posta,

                                      Com cada coisa em seu lugar.

Disponível em: <http://www.poesiaspoemaseversos.com.br>  Acesso em: 29 Abr 2014.  


                                                          Texto 4

                            AUTOSSABOTAGEM: O MEDO DE SER FELIZ     

                           (Raphaela de Campos Mello – Outubro de 2012)

      A cada passo dado você sente que a felicidade se afasta alguns metros? Talvez esteja, inconscientemente, queimando chances de se realizar. Repense as próprias atitudes para interromper esse ciclo destrutivo.

      Por medo dos riscos e das responsabilidades da vida, podemos acabar inconscientemente com as nossas realizações. Isso se chama autossabotagem. São atitudes forjadas por uma parte de nós que não nos vê como merecedoras do sucesso ou que subestima nossa capacidade de lidar com a vitória.

      Pode ser aquela espinha que apareceu no nariz no dia daquele encontro especial ou da gripe que a pegou na véspera daquela importante reunião.

      "Muitos desses comportamentos destrutivos estão quase fora do domínio da consciência", afirma o psicólogo americano Stanley Rosner, coautor do livro O Ciclo da Auto-Sabotagem - Por Que Repetimos Atitudes que Destroem Nossos Relacionamentos e Nos Fazem Sofrer (ed. BestSeller).

      "A autonomia, a independência e o sucesso são apavorantes para algumas pessoas porque indicam que elas não poderão mais argumentar que suas necessidades precisam ser protegidas", diz o autor.

      O filósofo e psicanalista paulista Arthur Meucci, coautor de A Vida Que Vale a Pena Ser Vivida (ed. Vozes) comenta sobre os ganhos secundários. "Há jovens que saem de casa para tentar a vida, enquanto outros permanecem na zona de conforto, porque continuam recebendo atenção dos pais e se eximem de enfrentar as dificuldades da fase adulta", afirma.

      O problema é que, ao fazermos isso, não nos desenvolvemos plenamente. "Todo mundo busca a felicidade, a questão é ter coragem de viver, o que significa correr riscos e assumir responsabilidades", diz ele.

Disponível em:<http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias/autossabotagem-o-medo-deser-feliz (Texto adaptado). Acesso em 29 Abr 2014


Os termos “Consoada” (texto 3, título) e “se eximem” (texto 4; 6º parágrafo) podem significar, respectivamente:
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Q678161 Português

                                                      Texto 5

                                                    O QUASE

                                  (Sarah Westphal Batista da Silva)

      Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

      Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

      Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Disp. em: <www.pensador.uol.com.br> . Acesso em: 29 Abr 2014.  
Indique o par de vocábulos que se enquadra num mesmo campo semântico, de acordo com o texto 5.
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Q675944 Português
Assinale a alternativa que apresenta de maneira CORRETA a palavra e seu antônimo:
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Q675930 Português
Na frase: “Os dois partidos, que se enfrentam pela sexta vez, devem considerar que o desgaste que os atinge decorre também da incapacidade de fazer com que as ideias preponderem em relação às agressões.” (L. 26 – 28), o termo sublinhado pode ser substituído, sem que ocorra alteração no sentido da frase, por:
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Q675927 Português
No trecho do texto “Anos e anos de leniência, permissividade e experiências desastrosas – muitas delas erroneamente atribuídas ao restabelecimento da democracia – minaram o poder da autoridade e propiciaram o surgimento e crescimento das facções do crime organizado que diariamente se confronta com o Estado” (L. 10 a 13), as palavras sublinhadas podem ser substituídas, sem mudança no sentido da frase, respectivamente por:
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Q660800 Português

Um senhor feminista

Quando não está tocando nem gravando, Carlos Santana cria calçados, bolsas e chapéus femininos.

O que o torna apto para isso?

Adoro deixar as mulheres felizes, sabe? As mulheres fazem a economia melhorar quando compram sapatos, perfumes e vestidos. É quando elas não compram nada que a economia vai mal. São as mulheres que têm o poder de mudar o mundo. Não estou querendo ser gentil, engraçado nem esperto; essa é a realidade. As mulheres é que põem o mundo em movimento. Os homens pensam que põem. Mas, sem elas, nós seríamos um lixo. (risos)

Então as empresas em dificuldades financeiras deveriam simplesmente se concentrar em produtos mais atraentes para as mulheres?

Claro! Todos os discos campeões de vendagem foram comprados pelas mulheres. Depois os homens os deram de presente para elas. Portanto, não subestime a força das compras femininas, amigo. O poder não está em Barack Obama ou no Papa, mas nas mulheres.

Estaria na hora de uma mulher assumir a presidência dos EUA?

Já passou da hora. Eu ficaria muito contente com Hillary Clinton ou Michelle Obama. Também gostaria de ver uma mulher Papa, uma negra com um cabelo afro. Assim, aquele chapéu ridículo não caberia.(risos).

(Seleções Reader’s Digest, maio de 2014)

Assinale a alternativa que traz, correta e respectivamente, um sinônimo e um antônimo para a palavra em destaque no 5.º parágrafo.
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Q657561 Português

Leia o texto para responder à questão.

    A indústria tabagista pode ter descoberto um filão publicitário tão atraente quanto ilegal: a propaganda em festas universitárias. Voltados a jovens de classe média, os eventos atraem milhares de potenciais consumidores em uma faixa etária em que essa indústria vem perdendo terreno.

    “Qualquer forma de propaganda de produtos do tabaco é irregular”, informa, em nota, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Apenas a exposição dos produtos nos pontos de venda está permitida.”

    No dia 7 de outubro, observou-se a presença de cartazes de uma marca de cigarros em todos os ambientes de uma festa na zona oeste da cidade de São Paulo, embora não houvesse venda no local. Segundo os organizadores do evento, que reuniu 2000 jovens, as empresas pagam até R$ 10 mil em patrocínio. A fabricante do cigarro confirma que patrocinou a festa, mas diz que “segue rigorosamente a legislação vigente”.

(Leandro Machado e Angela Boldrini. Folha de S.Paulo, 19.10.2010. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta dois termos com sentidos opostos no texto.
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Q657558 Português

Leia o texto para responder à questão.

    A indústria tabagista pode ter descoberto um filão publicitário tão atraente quanto ilegal: a propaganda em festas universitárias. Voltados a jovens de classe média, os eventos atraem milhares de potenciais consumidores em uma faixa etária em que essa indústria vem perdendo terreno.

    “Qualquer forma de propaganda de produtos do tabaco é irregular”, informa, em nota, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Apenas a exposição dos produtos nos pontos de venda está permitida.”

    No dia 7 de outubro, observou-se a presença de cartazes de uma marca de cigarros em todos os ambientes de uma festa na zona oeste da cidade de São Paulo, embora não houvesse venda no local. Segundo os organizadores do evento, que reuniu 2000 jovens, as empresas pagam até R$ 10 mil em patrocínio. A fabricante do cigarro confirma que patrocinou a festa, mas diz que “segue rigorosamente a legislação vigente”.

(Leandro Machado e Angela Boldrini. Folha de S.Paulo, 19.10.2010. Adaptado)

Voltados a jovens de classe média, os eventos atraem milhares de potenciais consumidores… (1º parágrafo) O termo destacado nesse trecho expressa a ideia de
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Q646920 Português

                                                    TEXTO 1


Leia o texto abaixo e responda a questão.

 

      O Português é, sem sombra de dúvida, uma das quatro grandes línguas de cultura do mundo, não obstante outras poderem ter mais falantes. Nessa língua se exprimem civilizações muito diferentes, da África a Timor, da América à Europa - sem contar com milhões de pessoas em diversas comunidades espalhadas pelo mundo.

      Essa riqueza que nos é comum, que nos traz uma literatura com matizes derivados de influências culturais muito diversas, bem como sonoridades e musicalidades bem distintas, traz-nos também a responsabilidade de termos de cuidar da sua preservação e da sua promoção. 

      A Língua Portuguesa não é propriedade de nenhum país, é de quem nela se exprime. Não assenta hoje - nem assentará nunca - em normas fonéticas ou sintáticas únicas, da mesma maneira que as palavras usadas pelos falantes em cada país constituem um imenso e inesgotável manancial de termos, com origens muito diversas, que só o tempo e as trocas culturais podem ajudar a serem conhecidos melhor por todos.

      Mas porque é importante que, no plano externo, a forma escrita do Português se possa mostrar, tanto quanto possível, uniforme, de modo a poder prestigiar-se como uma língua internacional de referência, têm vindo a ser feitas tentativas para que caminhemos na direção de uma ortografia comum.

      Será isso possível? Provavelmente nunca chegaremos a uma Língua Portuguesa que seja escrita de um modo exatamente igual por todos quantos a falam de formas bem diferentes. Mas o Acordo Ortográfico que está em curso de aplicação pode ajudar muito a evitar que a grafia da Língua Portuguesa se vá afastando cada vez mais. 

      O Acordo Ortográfico entre os então "sete" países membros da CPLP (Timor-Leste não era ainda independente, à época) foi assinado em 1990 e o próprio texto previa a sua entrada em vigor em 1 de janeiro de 1994, desde que todos esses "sete” o tivessem ratificado até então.

Quero aproveitar para sublinhar uma realidade muitas vezes escamoteada: Portugal foi o primeiro país a ratificar o Acordo Ortográfico, logo em 1991. Se todos os restantes Estados da CPLP tivessem procedido de forma idêntica, desde 1994 que a nossa escrita seria já bastante mais próxima. 

      Porque assim não aconteceu, foi necessário criar Protocolos Adicionais, o primeiro para eliminar a data de 1994, que a realidade ultrapassara, e o segundo para incluir Timor-Leste e para criar a possibilidade de implementar o Acordo apenas com três ratificações.

      Na votação que o parlamento português fez, há escassos meses, desse segundo Protocolo, apenas três votos se expressaram contra. Isto prova bem que, no plano oficial, há em Portugal uma firme determinação de colocar o Acordo em vigor, não obstante existirem, na sociedade civil portuguesa - como, aliás, acontece em outros países, mesmo no Brasil -, vozes que o acham inadequado ou irrelevante.

      O Governo português aprovou, recentemente, a criação de um fundo para a promoção da Língua Portuguesa, dotado com uma verba inicial de 30 milhões de euros e aberto à contribuição de outros países. Esperamos que esta medida, ligada às decisões comuns que agora saíram da Cúpula de Lisboa da CPLP, possa ajudar a dar início a um tempo novo para que o Português se firme cada vez mais no mundo, como instrumento de poder e de influência de quantos o utilizam. 

      A Língua Portuguesa é um bem precioso que une povos que o mar separa mas que a afetividade aproxima. Como escrevia o escritor lusitano Vergílio Ferreira: 

      Da minha língua vê-se o mar.

      Da minha língua ouve-se o seu rumor,

      como da de outros se ouvirá o da floresta

      ou o silêncio do deserto.

      Por isso a voz do mar

      foi a da nossa inquietação. 

      (COSTA, Francisco Seixas da. A língua do mar. Jornal O Globo, 28 jul. 2008. Texto adaptado.) 

GLOSSÁRIO

CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa 

Em que opção a afirmação feita está correta?
Alternativas
Q646919 Português

                                                    TEXTO 1


Leia o texto abaixo e responda a questão.

 

      O Português é, sem sombra de dúvida, uma das quatro grandes línguas de cultura do mundo, não obstante outras poderem ter mais falantes. Nessa língua se exprimem civilizações muito diferentes, da África a Timor, da América à Europa - sem contar com milhões de pessoas em diversas comunidades espalhadas pelo mundo.

      Essa riqueza que nos é comum, que nos traz uma literatura com matizes derivados de influências culturais muito diversas, bem como sonoridades e musicalidades bem distintas, traz-nos também a responsabilidade de termos de cuidar da sua preservação e da sua promoção. 

      A Língua Portuguesa não é propriedade de nenhum país, é de quem nela se exprime. Não assenta hoje - nem assentará nunca - em normas fonéticas ou sintáticas únicas, da mesma maneira que as palavras usadas pelos falantes em cada país constituem um imenso e inesgotável manancial de termos, com origens muito diversas, que só o tempo e as trocas culturais podem ajudar a serem conhecidos melhor por todos.

      Mas porque é importante que, no plano externo, a forma escrita do Português se possa mostrar, tanto quanto possível, uniforme, de modo a poder prestigiar-se como uma língua internacional de referência, têm vindo a ser feitas tentativas para que caminhemos na direção de uma ortografia comum.

      Será isso possível? Provavelmente nunca chegaremos a uma Língua Portuguesa que seja escrita de um modo exatamente igual por todos quantos a falam de formas bem diferentes. Mas o Acordo Ortográfico que está em curso de aplicação pode ajudar muito a evitar que a grafia da Língua Portuguesa se vá afastando cada vez mais. 

      O Acordo Ortográfico entre os então "sete" países membros da CPLP (Timor-Leste não era ainda independente, à época) foi assinado em 1990 e o próprio texto previa a sua entrada em vigor em 1 de janeiro de 1994, desde que todos esses "sete” o tivessem ratificado até então.

Quero aproveitar para sublinhar uma realidade muitas vezes escamoteada: Portugal foi o primeiro país a ratificar o Acordo Ortográfico, logo em 1991. Se todos os restantes Estados da CPLP tivessem procedido de forma idêntica, desde 1994 que a nossa escrita seria já bastante mais próxima. 

      Porque assim não aconteceu, foi necessário criar Protocolos Adicionais, o primeiro para eliminar a data de 1994, que a realidade ultrapassara, e o segundo para incluir Timor-Leste e para criar a possibilidade de implementar o Acordo apenas com três ratificações.

      Na votação que o parlamento português fez, há escassos meses, desse segundo Protocolo, apenas três votos se expressaram contra. Isto prova bem que, no plano oficial, há em Portugal uma firme determinação de colocar o Acordo em vigor, não obstante existirem, na sociedade civil portuguesa - como, aliás, acontece em outros países, mesmo no Brasil -, vozes que o acham inadequado ou irrelevante.

      O Governo português aprovou, recentemente, a criação de um fundo para a promoção da Língua Portuguesa, dotado com uma verba inicial de 30 milhões de euros e aberto à contribuição de outros países. Esperamos que esta medida, ligada às decisões comuns que agora saíram da Cúpula de Lisboa da CPLP, possa ajudar a dar início a um tempo novo para que o Português se firme cada vez mais no mundo, como instrumento de poder e de influência de quantos o utilizam. 

      A Língua Portuguesa é um bem precioso que une povos que o mar separa mas que a afetividade aproxima. Como escrevia o escritor lusitano Vergílio Ferreira: 

      Da minha língua vê-se o mar.

      Da minha língua ouve-se o seu rumor,

      como da de outros se ouvirá o da floresta

      ou o silêncio do deserto.

      Por isso a voz do mar

      foi a da nossa inquietação. 

      (COSTA, Francisco Seixas da. A língua do mar. Jornal O Globo, 28 jul. 2008. Texto adaptado.) 

GLOSSÁRIO

CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa 

Em que opção o significado do termo sublinhado está correto?
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Q644595 Português

                             UM QUARTO DE RAPAZ

                                                                                                     Elsie Lessa

      Abro as venezianas na alegria do sol desta manhã e só não ponho a mão na cabeça porque, afinal das contas, o correr dos anos nos dá uma certa filosofia. Essa rapaziada parece que é mesmo toda assim.

      Quem sai para uma prova de matemática não há mesmo de ter deixado a cama feita, tanto mais quando ficou lendo Carlos Drummond de Andrade até às tantas, como prova este Poesia até agora, rubro de vergonha de ter sido largado no chão junto a este cinzeiro transbordante e às meias azuis de náilon. E dizer que desde que esse menino nasceu tento provar-lhe que já não estamos – hélas! – no tempo da escravidão e que somos nós mesmos, brancos, pretos ou amarelos, intelectuais ou estudantes em provas, que devemos encaminhar ao destino conveniente as roupas da véspera. Qual, ele não se convence. Também uma manta escocesa, de suaves lãs macias, que a mãe da gente trouxe embaixo do braço da Inglaterra até aqui, para que nos aqueça nas noites de inverno, não devia ser largada no chão, nem mesmo na companhia de um livro de versos. E quem é que está ligando para tudo isso?

      Ó mocidade inquieta, só mesmo o que está em ordem dentro deste quarto são os montes de discos. E estes livros, meu Deus? Como é que gente que gosta de ler pode deixar os próprios livros numa bagunça dessas? Coitado do Pablo Neruda, olha onde foi parar! E o Dom Quixote de la Mancha, Virgem Santíssima! Há três gerações que os antepassados desse menino não fazem outra coisa senão escrever livros, e ele os trata assim!

      − Livro é pra ler! Não é para enfeitar estante!

      − Está certo! Que não enfeite, mas também não precisam ser empurrados desse jeito, lá para o fundo, com esse monte de revistas de jazz em cima! E custava, criatura, custava você pendurar essas calças nesse guarda-roupa que é para você, sozinho, que é provido de cabides, que não têm outro destino senão abrigar as suas calças?

      − Mania de ordem é complexo de culpa, já te avisei! Meu quarto está ótimo, está formidável. E não gosto que mexa, hein, senão depois não acho as minhas coisas!

      E pensar que esse menino um dia casa e vai levar essas noções de arrumação para a infeliz da esposa, e que juízo, que juízo vai fazer essa moça de mim, meu Deus do céu! Há bem uns quinze anos que esse problema me atormenta, tenho trocado confidências com amigas e há várias opiniões a respeito. Umas acham que um dia dá um estalo de Padre Vieira na cabeça desses moleques e passam a pendurar a roupa, tirar pó de livro, desamarrar o sapato antes de tirar do pé.

      Pode ser. Deus permita! Mas que agonia, enquanto isso não acontece.

      Dizer que peregrinei por antiquários para descobrir nobres jacarandás, de boa estirpe, que o rodeassem em todas as suas horas, que lhe infundissem o gosto das coisas belas. Qual! Pendurei a balada do “If”1 em cima de todos esses discos de jazz, e sobre a vitrola, já nem sei por quê, esse belo retrato de Napoleão, em esmalte, vindo das margens do Sena! E ele está se importando? O violão está sem cordas, e em cima do meu retrato, radioso retrato da minha juventude, ele já pôs o Billy Eckstine, a Sarah Vaughan, a Ava Gardner de biquíni e duas namoradas ora descartadas! E não tira um, antes de colocar o outro! Vai empurrando por cima e já a moldura estoura com essa variedade de predileções! São Sebastião, na sua peanha dourada, está de olhos erguidos para o alto e, felizmente, não vê a desordem que anda cá por baixo.

      Vejo eu, olho em roda para saber por onde começar. Custava ele despejar esses cinzeiros? Onde já se viu fumar na cama e fazer furos nos meus lençóis? E, em tempos de provas, é hora de ficar folheando livros de versos, até tarde da noite, desse jeito? O caderno de física está assim de poesias e letras de fox e caricaturas de colegas, não sei também se de algum professor! E para que seis caixas de fósforo em cima dessa vitrola? E onde já se viu misturar na mesma mesa esse nunca assaz manuseado Manuel Bandeira, e El son entero, de Nicolás Guillén, e os poemas de Mário de Andrade, e os Pássaros Perdidos de Tagore, e Fernando Pessoa, e esse pocket book policial? Quer ler Graham Greene, e fazer versos, e fumar feito um desesperado, e não perder praia no Arpoador, nem broto na vizinhança, nem filme na semana e passar nas provas. E em que mundo isso é possível?

      Guardo os chinelos, que ficam sempre emborcados. Já lhe disse que isso é atraso de vida. E ele morre de rir. E ponho as cobertas em cima da cama. E abro as janelas, para sair esse cheiro de fumo. E deixo só uma caixa de fósforos. Mas não faço mais nada, porque abri um caderno, de letra muito ruim, até a metade com os seus versos.

1 Poema célebre do escritor indiano Rudyard Kipling (1865- 1936), Prêmio Nobel de Literatura de 1907.

OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico.

E onde já se viu misturar na mesma mesa esse nunca assaz manuseado Manuel Bandeira (...) A palavra sublinhada no trecho pode ser substituída sem prejuízo do sentido por
Alternativas
Q632161 Português
Para responder a questão, considere o texto a seguir:

Pontes entre os muros 

Há quem queira ensinar padre-nosso ao vigário. Mas isso não se compara a querer ensinar ao papa sobre a vida de Cristo. “Jesus viveu aqui, nesta terra. Ele falava hebraico”, garantiu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a Jorge Bergoglio, em Jerusalém. “Aramaico”, corrigiu imediatamente o pontífice. “Falava aramaico, mas sabia hebraico”, insistiu Bibi. 

Pode parecer um pormenor irrelevante, mas ajuda a entender por que essa visita aparentemente inócua foi sentida em Israel como uma ameaça. A cena mais emblemática foi o papa descer do carro sem aviso, na Cisjordânia, para rezar junto ao Muro da Separação, ou “Muro da Vergonha”, construído por Israel para concretizar fisicamente a exclusão do povo palestino. Bem debaixo de pichações nas quais se lia “Palestina Livre”, “Papa, precisamos de alguém para falar sobre justiça”, e “Belém parece o Gueto de Varsóvia”. 

Foi óbvia a alusão ao “Muro das Lamentações” de Jerusalém, tido como vestígio do Templo destruído por Tito (é um muro de arrimo acrescentado por Herodes), onde durante milênios peregrinos foram suplicar pela vinda do Messias, pelo retomo dos judeus da Diáspora, pela reconstrução do templo e do idealizado reino de Israel. Sem usar palavras, o líder católico equiparou os hebreus do passado aos palestinos do presente e assinalou ao mundo em geral e a Israel em particular que o ponto de vista de Tel-Avivi sobre a história é um entre outros e os judeus não são tão diferentes dos árabes. Nem dos romanos. [...] 

Mais tarde, do lado israelense da fronteira, o papa Francisco não se negou a visitar o Muro das Lamentações original antes de subir às mesquitas do Morro do Templo e aceitou a exigência de Netanyahu de repetir seu gesto perto do muro do Memorial das Vítimas (judaicas) dos Ataques Terroristas, em Jerusalém. Essas cenas não tiveram o mesmo impacto [...]. A questão não é tomar partido pelo Estado da Palestina (oficialmente reconhecido pelo Vaticano), e sim relativizar a narrativa sionista na qual Israel insiste, apesar de se tomar cada vez mais insustentável no cenário internacional.

O primeiro-ministro, vale ressaltar, não representa o sionismo mais extremista. Está sob pressão dos radicais de seu próprio partido e dos aliados ainda mais à direita de sua coalizão, especialmente o chanceler Avigdor Lieberman e o ministro da Economia, Naftali Bennett, representante dos colonos do partido Lar Judeu, que exige a anexação da Cisjordânia. [...]

O papa ofereceu “sua casa”, o Vaticano, para um encontro entre o presidente palestino Mahmoud Abbas e o presidente israelense Shimon Peres. Ambos aceitaram, mas o desafio continua a ser encontrar uma linguagem comum. Não haverá saída da embrulhada do Oriente Médio enquanto os israelenses se fecharem aos palestinos e ao mundo tanto com muralhas físicas quanto com as de seus mitos e preconceitos. O chefe da Igreja Católica agiu corretamente ao enfatizar o quanto esses muros são lamentáveis e tomar sua visita a mais ecumênica possível. [...] Desta vez, fez jus ao primeiro título de seu cargo, herdado dos sumos sacerdotes e imperadores de Roma e muito mais velho que o próprio cristianismo: Pontifex, “fazedor de pontes”. Ou pelo menos tentou. 

(Antônio Luiz M. C. Costa, CARTA CAPITAL, 802, 04/06/2014)
Os vocábulos assinalados em “[...] Pode parecer um pormenor irrelevante, mas ajuda a entender por que essa visita aparentemente inócua foi sentida em Israel como uma ameaça. [...]” e “[...] é um muro de arrimo acrescentado por Herodes [...]”, podem ser substituídos, respectivamente, e sem prejuízo semântico por:
Alternativas
Ano: 2014 Banca: Marinha Órgão: CFN Prova: Marinha - 2014 - CFN - Soldado Fuzileiro Naval |
Q608857 Português
TEXTO 2
                                                   
                                      FIRMAMENTO

 

(CIDADE NEGRA, In: O erê. CD Sony, 1996. Faixa 6.)
Analise os verbos destacados em cada um dos trechos seguintes:
“Num céu de estrelas multicoloridas Existe uma que eu não colori” (linhas 3-4)
“Entre o céu e o firmamento Não ressentimento” (linhas 14-15)
Observe as afirmativas abaixo e assinale a opção correta.
I- Quanto ao significado, os verbos destacados são equivalentes. II- Os verbos destacados possuem o mesmo sujeito.
III- O sujeito do verbo existir é uma; o verbo há não tem sujeito. IV- Os verbos destacados estão no presente.
Alternativas
Ano: 2014 Banca: Marinha Órgão: CFN Prova: Marinha - 2014 - CFN - Soldado Fuzileiro Naval |
Q608854 Português
TEXTO 2
                                                   
                                      FIRMAMENTO

 

(CIDADE NEGRA, In: O erê. CD Sony, 1996. Faixa 6.)
Em “Entre o céu e o firmamento” (linhas 14, 20 e 25), podemos afirmar que as palavras em destaque são:
Alternativas
Ano: 2014 Banca: Marinha Órgão: CFN Prova: Marinha - 2014 - CFN - Soldado Fuzileiro Naval |
Q608853 Português
TEXTO 2
                                                   
                                      FIRMAMENTO

 

(CIDADE NEGRA, In: O erê. CD Sony, 1996. Faixa 6.)
Considere os versos:
“Entre o céu e o firmamento Não há ressentimento” (linhas 14-15)
Assinale a opção em que a palavra substitui o termo destacado sem alterar o sentido do texto.
Alternativas
Ano: 2014 Banca: Marinha Órgão: CFN Prova: Marinha - 2014 - CFN - Soldado Fuzileiro Naval |
Q608844 Português

TEXTO 1

                                            A BOLA            

 

(VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se Ler na Escola.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 41-42)

Leia o fragmento retirado do texto:
“O garoto agradeceu, disse “Legal” de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame.” – linhas 30-33.
Assinale a opção em que o vocábulo destacado possui o mesmo significado que o apresentado na frase acima.
Alternativas
Ano: 2014 Banca: Exército Órgão: EsFCEx Prova: Exército - 2014 - EsFCEx - Oficial - v |
Q587239 Português
 Assinale a alternativa que completa adequadamente as lacunas abaixo, respectivamente.

I. O significado _____________ corresponde ao quê da apreensão do mundo extralinguístico, ou seja, corresponde à organização do mundo extralinguístico mediante as línguas.

II. O significado _____________ só se dá no plano da oração e corresponde ao valor existencial que se comunica ao estado de coisas designado na oração.
Alternativas
Respostas
641: B
642: D
643: B
644: A
645: B
646: A
647: A
648: A
649: B
650: A
651: C
652: D
653: E
654: A
655: A
656: D
657: B
658: E
659: A
660: D