Questões Militares Comentadas sobre ortografia em português

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Q3864343 Português
A Biblioteca de Alexandria não foi destruída pelo fogo, mas pelo esquecimento

Por Bruno Vaiano


"Há crimes piores do que queimar livros. Não lê-los é um deles." – Ray Bradbury.


    Três séculos antes de Cristo, Alexandre, o Grande, conquistou o Egito e mandou erguer, do zero, uma metrópole no litoral norte do país. Alexandria, batizada em homenagem a seu patrono desumilde, seria a nova capital da região. A estética faraônica clichê, dourada e azul, prevaleceu por lá (bem como o hábito egípcio de os nobres se casarem entre irmãos, à moda Cersei em Game of Thrones). Mas esse novo Egito Antigo, assim como o próprio Alexandre, tinha uma pinta grega inegável.

    O sucessor de Alexandre, o Grande, por aquelas bandas, nomeado Ptolomeu I, ordenou a construção de um centro de ensino e pesquisa em Alexandria para atrair a elite intelectual da época. Tipo uma versão helênica e antiquíssima do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde monstros sagrados das exatas como Einstein, Gödel e Neumann trabalharam juntos na década de 1950.

    O nome dessa instituição era Mouseion. Em português, “Museu”. O significado original da palavra é “templo dedicado às musas” — as deusas do panteão grego que, na tradição helênica, inspiravam as artes, a literatura e a ciência. Essa também é a origem etimológica de “música”, diga-se. Compôs uma bela canção? Legal, mas não foi bem você. Tudo que é belo emana dessas divas – artistas são só os meros mortais que, volta e meia, têm o privilégio de receber um download de versos do Olimpo.

    A Biblioteca de Alexandria acabou se tornando o mais famoso dos prédios desse complexo. Bibliotecas não eram novidade. Já existiam na Suméria; são quase tão antigas quanto a escrita em si. Mas essa almejava um passo além: Ptolomeu queria uma cópia de cada obra já escrita na Terra. Por isso, os tripulantes de toda embarcação que aportava em Alexandria eram forçados, por decreto, a fornecer ao Museu os pergaminhos que tivessem a bordo – que então eram copiados por escribas e armazenados na coleção. Deu certo.

    Essa Harvard ptolomaica prosperou por séculos, e não acabou por causa de um incêndio – nem qualquer outro ato pontual de vandalismo. Júlio César danificou parte da coleção quando sitiou Alexandria e ateou fogo ao porto, em 48 a.C. Mas, nessa época, o Museu já havia perdido prestígio e os acadêmicos preferiam trabalhar em outros lugares.

    Em 297 d.C., quando Diocleciano incendiou a cidade novamente para conter uma rebelião, é provável que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais: as últimas evidências inequívocas da contratação de funcionários datam de 260 d.C.

    Não era fácil sustentar um exército de bibliotecários e escribas copistas para manter a coleção atualizada, higiênica e catalogada. Bastava um fiapo de desinteresse coletivo para a coisa degringolar. O território egípcio mudou de mãos e crenças muitas vezes ao longo da História – os califados árabes vieram por último e estabeleceram sua capital intelectual em Bagdá, relegando Alexandria à periferia do avanço científico-tecnológico durante a Idade Média.

    O fato é que você não precisa atear fogo a um livro para queimá-lo. O conhecimento não desaparece da noite para o dia só porque seu suporte material foi destruído.

    Hoje, qualquer sebo parrudo contém mais conhecimento do que a Biblioteca de Alexandria. Mesmo assim, 73% dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível de conhecimento sobre Matemática que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera mínimo para que se possa exercer a cidadania satisfatoriamente.

    Na avaliação de Leitura, são 50%. Em Ciências, 55%. Mais da metade da população em idade escolar do País, nas palavras dos organizadores do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), tem algum prejuízo na hora de “participar plenamente da vida social, econômica e cívica em um mundo globalizado”.

    Pode soar o alarme: nossa biblioteca está (metaforicamente) em chamas.


Adaptado de: https://super.abril.com.br/historia/a-biblioteca-dealexandria-nao-foi-destruida-pelo-fogo-mas-pelo-esquecimento/. Acesso em: 28 mai. 2025.  
Em relação ao uso da ortografia oficial, bem como ao uso da vírgula, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

( ) No trecho “Alexandria, batizada em homenagem a seu patrono desumilde, seria a nova capital da região.”, as vírgulas foram utilizadas para isolar uma sentença com valor recapitulativo.
( ) Em “[…] relegando Alexandria à periferia do avanço científico-tecnológico durante a Idade Média.”, o hífen empregado na expressão destacada se justifica pela formação de um novo vocábulo composto.
( ) No trecho “O significado original da palavra é ‘templo dedicado às musas’ — as deusas do panteão grego que, na tradição helênica, inspiravam as artes, a literatura e a ciência.”, o travessão foi empregado para isolar uma expressão distributiva.
( ) No trecho “Na avaliação de Leitura, são 50%. Em Ciências, 55%.”, a vírgula empregada em “Em Ciências, 55%.” marca a omissão (elipse) do verbo “são”.
Alternativas
Q3832566 Português
Texto 2


       A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.

      O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água - que se evapora -, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.

      O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.

     Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem .pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.

     Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.

     Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.

    É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.

   Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.

     Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente -, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.

    Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.

    E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?

    Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".

    Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]


LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm.
Acesso em: 23 set. 2024-Adaptado.
Assinale a opção em que a acentuação do vocábulo destacado está de acordo com a norma culta da língua, a exemplo de "Ainda não sabe, mas está salva." (§9°). 
Alternativas
Q3810720 Português
Utilize o Texto I para responder à questão.

TEXTO I


Épico


    O futebol de calçada era com narração, e o próprio jogador fornecia a narração. Jogava e descrevia sua jogada ao mesmo tempo, e nunca deixava de se autoentusiasmar. “Sensacional, senhores ouvintes!” (Naquele tempo os locutores tratavam o público de “senhores ouvintes”).

    “Sensacional! Mata no peito, põe no chão, faz que vai, mas não vai, passa por um, por dois... Fáu! Foi fáu do béque! O juiz não deu! O juiz está comprado, senhores ouvintes!”

    Fáu era “foul” e béque era “back”, na língua daquela terra estranha, o passado. E o juiz, claro, era imaginário. Tudo era imaginário no futebol de calçada, a começar pela nossa genialidade. A bola era de borracha, quando não era qualquer coisa remotamente redonda. A bola número cinco oficial de couro ganhada no Natal não aparecia na calçada, tá doido? Estragar uma bola de futebol novinha jogando futebol?

    Mas éramos gênios na nossa própria narração. 

    “Lá vai ele de novo. Cabeça erguida! Passa a bola e corre para receber de volta... Que lance! O passe não vem! Não lhe devolvem a bola! Assim não dá, senhores ouvintes ... Só ele joga nesse time!” 

    A narração dava um toque épico ao futebol. Lembro que na primeira vez em que fui a um campo, acostumado a só ouvir futebol pelo rádio, senti falta de alguma coisa que não sabia o que era. Tudo era maravilhoso, o público, o cheiro de grama, os ídolos que eu conhecia de fotografias desbotadas no jornal ali, em cores vivas... Mas faltava alguma coisa. Faltava uma voz me dizendo que o que eu estava vendo era mais do que estava vendo. Faltava a narrativa heroica. Faltava o Homero.

    Na calçada éramos os nossos próprios heróis e os nossos próprios Homeros.

    “Atenção. Ele olha para o gol. Vai chutar. Lá vai a bomba. O goleiro treme. Ele chuta! A bola toma efeito. Entra pela janela. E lá vem a mãe, senhores ouvintes! A mãe invade o campo. Ele tenta se esquivar. Dá um drible espetacular na mãe. Dois. A mãe pega ele pela orelha. Pela orelha! E o juiz não vê isso!”

    Mesmo se nem tudo merecesse o toque épico.


Luís Fernando Veríssimo
Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/. Acesso em: 31 ago. 2025
Na frase do Texto I: “Na calçada éramos os nossos próprios heróis”, a acentuação gráfica empregada nas palavras próprios e heróis se justifica por serem, respectivamente,
Alternativas
Ano: 2025 Banca: Marinha Órgão: CFN Prova: Marinha - 2025 - CFN - Soldado |
Q3743283 Português
Texto 3

O mundo é um moinho

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

[Refrão]
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

[Verso]
Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Cartola
Assinale a alternativa que segue a mesma regra de acentuação do vocábulo “pés”:
Alternativas
Q3735517 Português
Leia o texto e responda à questão que o segue.


A MÁQUINA EXTRAVIADA

José J. Veiga


   Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso Ihe contar uma importante. Fique o compadre sabendo que agora temos aqui uma máquina imponente, que está entusiasmando todo o mundo. Desde que ela chegou, não me lembro quando, não sou muito bom em lembrar datas, quase não temos falado em outra coisa; e da maneira que o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis, é de admirar que ninguém tenha brigado ainda por causa dela, a não ser os políticos.

    A máquina chegou uma tarde, quando as famílias estavam jantando ou acabando de jantar, e foi descarregada na frente da Prefeitura. Com os gritos dos choferes e seus ajudantes (a máquina veio em dois ou três caminhões) muita gente cancelou a sobremesa ou o café e foi ver que algazarra era aquela. Como geralmente acontece nessas ocasiões, os homens estavam malhumorados e não quiseram dar explicações, esbarravam propositalmente nos curiosos, pisavam-lhes os pés e não pediam desculpa, jogavam pontas de cordas sujas de graxa por cima deles, quem não quisesse se sujar ou se machucar que saísse do caminho.

   Descarregadas as várias partes da máquina, foram elas cobertas com encerados e os homens entraram num botequim do largo para comer e beber. Muita gente se amontoöu na porta, mas ninguém teve coragem de se aproximar dos estranhos porque um deles, percebendo essa intenção nos curiosos, de vez em quando enchia a boca de cerveja e esguichava na direção da porta. Atribuimos essa esquiva ao cansaço e à fome deles e deixamos as tentativas de aproximação para o dia seguinte; mas quando os procuramos de manhă cedo na pensão, soubemos que eles tinham montado mais ou menos a máquina durante a noite e viajado de madrugada.

   A máquina ficou ao relento, sem que ninguém soubesse quem a encomendara nem para que servia. É claro que cada qual dava o seu palpite, e cada palpite era tão bom quanto outro.

  As crianças, que não são de respeitar mistério, como você sabe, trataram de aproveitar a novidade. Sem pedir licença a ninguém (e a quem iam pedir?), retiraram a lona e foram subindo em bando pela máquina acima, até hoje ainda sobem, brincam de esconder entre os cilindros e colunas, embaraçam-se nos dentes das engrenagens e fazem um berreiro dos diabos até que apareça alguém para soltá-las; não adiantam ralhos, castigos, pancadas; as crianças simplesmente se apaixonaram pela tal máquina.

    Contrariando a opinião de certas pessoas que não quiseram se entusiasmar, e garantiram que em poucos dias a novidade passaria e a ferrugem tomaria conta do metal, o interesse do povo ainda não diminuiu. Ninguém passa pelo largo sem ainda parar diante da máquina, e de cada vez há um detalhe novo a notar. Até as velhinhas de igreja, que passam de madrugada e de noitinha, tossindo e rezando, viram o rosto para o lado da máquina e fazem uma curvatura discreta, só faltam se benzer. Homens abrutalhados, como aquele Clodoaldo seu conhecido, que se exibe derrubando boi pelos chifres no pátio do mercado, tratam a máquina com respeito; se um ou outro agarra uma alavanca e sacode com força, ou larga um pontapé numa das colunas, vê-se logo que são bravatas feitas por honra da firma, para manter fama de corajoso.

   Ninguém sabe mesmo quem encomendou a máquina. O prefeito jura que não foi ele, e diz que consultou o arquivo e nele não encontrou nenhum documento autorizando a transação. Mas mesmo assim não quis lavar as mãos, e de certa forma encampou a compra quando designou um funcionário para zelar pela máquina.

   Devemos reconhecer - aliás todos reconhecem - que esse funcionário tem dado boa conta do recado. A qualquer hora do dia, e às vezes também da noite, podemos vê-lo trepado lá por cima espanando cada vão, cada engrenagem, desaparecendo aqui para reaparecer ali, assoviando ou cantando, ativo e incansável. Duas vezes por semana ele aplica caol nas partes de metal dourado, esfrega, esfrega, sua, descansa, esfrega de novo - e a máquina fica faiscando como joia.

    Estamos tão habituados com a presença da máquina ali no largo, que se um dia ela desabasse, ou se alguém de outra cidade viesse buscá-la, provando com documentos que tinha direito, eu nem sei o que aconteceria, nem quero pensar. Ela é o nosso orgulho, e não pense que exagero. Ainda não sabemos para que ela serve, mas isso já não tem maior importância. Fique sabendo que temos recebido delegações de outras cidades, do Estado e de fora, que vêm aqui para ver se conseguem comprá-la. Chegam como quem não quer nada, visitam o prefeito, elogiam a cidade, rodeiam, negaceiam, abrem o jogo: por quanto cederíamos a máquina. Felizmente o prefeito é de confiança e é esperto, não cai na conversa macia.

   Em todas as datas cívicas a máquina é agora uma parte importante das festividades. Você se lembra que antigamente os feriados eram comemorados no coreto ou no campo de futebol, mas hoje tudo se passa ao pé da máquina. Em tempo de eleição todos os candidatos querem fazer seus comícios à sombra dela, e como isso não é possível, alguém tem de sobrar, nem todos se conformam e sempre surgem conflitos. Mas felizmente a máquina ainda não foi danificada nesses esparramos, e espero que não seja.

   A única pessoa que ainda não rendeu homenagem à máquina é o vigário, mas você sabe como ele é ranzinza, e hoje mais ainda, com a idade. Em todo caso, ainda não tentou nada contra ela, e ai dele. Enquanto ficar nas censuras veladas, vamos tolerando; é um direito que ele tem. Sei que ele andou falando em castigo, mas ninguém se impressionou.

   Até agora o único acidente de certa gravidade que tivemos foi quando um caixeiro da loja do velho Adudes (aquele velhinho espigado que passa brilhantina no bigode, se lembra?) prendeu a perna numa engrenagem da máquina, isso por culpa dele mesmo. O rapaz andou bebendo em uma serenata, e em vez de ir para casa achou de dormir em cima da máquina. Não se sabe como, ele subiu à plataforma mais alta, de madrugada rolou de lá, caiu em cima de uma engrenagem e com o peso acionou as rodas. Os gritos acordaram a cidade, correu gente para verificar a causa, foi preciso arranjar uns barrotes e labancas para desandar as rodas que estavam mordendo a perna do rapaz. Também dessa vez a máquina nada sofreu, felizmente. Sem a perna e sem o emprego, o imprudente rapaz ajuda na conservação da máquina, cuidando das partes mais baixas.

    Já existe aqui um movimento para declarar a máquina monumento municipal - por enquanto. O vigário, como sempre, está contra; quer saber a que seria dedicado o monumento. Você já viu que homem mais azedo?

    Dizem que a máquina já tem feito até milagre, mas isso - aqui para nós - eu acho que é exagero de gente supersticiosa, e prefiro não ficar falando no assunto. Eu - e creio que também a grande maioria dos munícipes - não espero dela nada em particular; para mim basta que ela fique onde está, nos alegrando, nos inspirando, nos consolando.

   O meu receio é que, quando menos esperarmos, desembarque aqui um moço de fora, desses despachados, que entendem de tudo, olhe a máquina por fora, por dentro, pense um pouco e comece a explicar a finalidade da máquina, e para mostrar que é habilidoso (eles são sempre muito habilidosos) peça na garagem um jogo de ferramentas, e sem ligar a nossos protestos se meta por baixo da máquina e desande a apertar, martelar, engatar, e a máquina comece a trabalhar. Se isso acontecer, estará quebrado o encanto e não existirá mais máquina. 


(VEIGA, José J. A Máquina Extraviada. 10ª ed. Rio: Bertrand Brasil, 1997. Texto adaptado.)
Analise o termo destacado no trecho a seguir:

"[...] se um ou outro agarra uma alavanca e sacode com força, ou larga um pontapé numa das colunas, vê-se logo que são bravatas feitas por honra da firma [...]." (6°§)

Não se usa hífen na composição desse termo pelo mesmo motivo que em:
Alternativas
Q3664078 Português
Texto para responder à questão.


   “Menino, menino”, a voz do pai chamou pela casa antes do sol nascer.

    Era um convite para o despertar.

   Os irmãos mais velhos já estavam de pé. Mas Julim, que dormia em sua rede, queria era ficar um pouco mais no seu sonho.

   O pai tentava de novo, “Menino, menino, levanta!”. E aquela voz se misturava à bagunça do seu sono.

   Os sons viravam ruído de bichos e de natureza, rumor de vento e cheiro de chuva.

   “Menino, menino”, escutava outra vez. Então Julim se levantou da rede.

   Uma chama de luz do candeeiro iluminava o breu antes dos pássaros se levantarem em alvoroço, antes do galo anunciar que o dia ia raiar.

   Enquanto o sol coloria o horizonte, homens, mulheres e crianças se movimentavam para os campos de arroz.

   “É bom que tragam as crianças”, dizia o chefe aos trabalhadores. “As crianças correm pelos campos e as pragas, assustadas, vão embora.”

   Julim pensava que as pragas deviam ser terríveis.

   As crianças corriam pelo arrozal com caniços e galhos secos. Quem os visse rindo e gritando, diria que era mais uma brincadeira.

   Mas a aparência de diversão se desfazia quando o pai falava: “Meninos, meninos, não deixem o chupim levar o arroz, meninos”.

   “Então a praga é o chupim? Mas que mal pode fazer um passarinho?”, pensou Julim.

   Ele balançava o seu galho bem devagarinho para não os assustar.

   O menino tinha aprendido a amar os passarinhos. Com tanto arroz nos campos, alguns grãos não fariam falta. Afinal, eles eram tão pequeninos...


VIEIRA JUNIOR, Itamar. Chupim. São Paulo: Baião, 2024.
Quanto à tonicidade das palavras “convite”, “dormia” e “aflitos”, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UECE-CEV Órgão: CBM-CE Prova: UECE-CEV - 2025 - CBM-CE - Soldado |
Q3560918 Português

Entenda por que a Praia do Futuro tem o maior número de afogamentos em Fortaleza











Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2025/07/25/entenda-por-que-a Acesso em 28/07/2025. Adaptado.

Assinale a opção em que o par de palavras segue a mesma regra de acentuação gráfica.
Alternativas
Q3517613 Português
Em relação à acentuação tônica das palavras do texto a  seguir, assinale a alternativa correta quanto ao que se afirma.

     A dona esperava paciente sob o guarda‐sol. O “basset” ruivo  afinal  despregou‐se  da  menina  e  saiu  sonâmbulo.  Ela  ficou  espantada,  com  o  acontecimento  nas  mãos,  numa  mudez  que  nem pai nem mãe compreenderiam. (Clarice Lispector) 
Alternativas
Q3517274 Português
Texto 1 


Dinossauro na internet


Walcyr Carrasco


    Sempre me orgulhei: fui o primeiro de meus amigos a possuir computador pessoal. Haja tempo! Aconteceu há cerca de duas décadas. À máquina era um trambolho com programas complicados. E lentíssima! Nas redações de revistas e jornais usava-se máquina de escrever. Orgulhoso, eu me considerava adaptado aos novos tempos cibernéticos. Os programas para digitar textos foram se tornando mais fáceis. Ainda me considerava uma sumidade em tecnologia, até ver um garotinho de 8 anos baixar programas de celular. Que vergonha! Eu sou do tipo que quase consegue baixar um programa. Mas no último segundo vem uma pergunta a que não sei responder. Uma vez o celular travou. Muitas, o proprio computador. Mas o menininho teclava como se não tivesse feito outra coisa na vida.

    Tudo está se tornando complicado demais. Eu me confundo até com o controle remoto da televisdo e do DVD. Não é brincadeira: se coloco um filme, vem a imagem, mas não o som. Ou consigo ouvir os diálogos, mas a tela fica preta. No carro, quase enlouqueço se alguém tira da minha estação predileta. Escapei de bater tentando captar musica cléssica. Já consigo falar no meu celular, mandar torpedos e fotografar. Só me atrapalho para achar um endereço no Google em menos de dez minutos! 

    Entrei com cautela no universo das redes de relacionamento. Logo fiquei fascinado. Há alguns anos era louco pelo Orkut. Criei um grupo de amigos. Todas as noites nos encontrávamos virtualmente. A relação se tornou tão próxima que certa vez convidei dez amigos virtuais para jantar em casa. De sobremesa, servi bolo com uma miniatura de mim mesmo e morcegos de glacê - como só entrava de madrugada, chamavam-me carinhosamente de Morcegão. Algumas dessas pessoas permanecem na minha vida até hoje. Do Orkut, eu me distanciei. Não fui o único. Passei a ouvir com frequência o termo "orkuticidio". Isso acontece quando a pessoa elimina sua página e abandona seus contatos. Isso eu não cheguei a fazer. Já não entro todos os dias.

    Surgiram novos sites de relacionamento, com mais ferramentas, como o Facebook e o Twitter. O Orkut reagiu: transformou-se, abrindo novas possibilidades de interação. Imagino os milhões de dólares gastos para reprogramar o site. Tentei, mas não consegui me adaptar ao novo Orkut. Voltei ao antigo. Muita gente que conheço fez o mesmo. Ou abandonou de vez. "Ficou muito complicado"- foi a frase que mais ouvi. Embora, na prática, seu nível de dificuldade tenha se tornado semelhante ao do Facebook, para onde essas pessoas migraram. E o Second Life? Foi uma febre! Havia até disputa para "comprar" avenidas, anunciar nas ruas do universo virtual. Imagino que muita gente ainda se divirta com ele, mas não conheço ninguém.

    Agora o Twitter lançou uma nova versão. Tentei incorporá-la. Duas horas depois, irritado, voltei à anterior. Muitas pessoas que me seguem também não se adaptaram. Melhor dizendo: assustam-se somente os mais velhos. Crianças e jovens adaptam-se facilmente. A cada complicação, eu me sinto mais excluído. "Ah, eu não sabia" tornou-se uma frase comum no meu vocabulário. Sou louco pela internet. Como não ficar para trás? Daqui a pouco vou ter de tomar aulas para entender as novidades! Talvez meu "professor" tenha 8 ou 9 anos de idade! É um mistério: como crianças que mal sabem ler e escrever são capazes de entender programas complexos? E uma nova evolução da espécie, que desembarca no mundo com cérebro cibernético? E eu, sou um dinossauro em extinção?


Disponivel em: <<https://vejasp.abril.com.br/cidades/dinossaurona-internet>>. Acesso em: 18 de outubro de 2024.

Observe a palavra destacada no fragmento "Não é brincadeira: se coloco um filme, vem a imagem (...)" 2° §. Assim, com relação à acentuação, assinale a opção em que a palavra sublinhada está corretamente grafada.
Alternativas
Q3517266 Português
Texto 1 


Dinossauro na internet


Walcyr Carrasco


    Sempre me orgulhei: fui o primeiro de meus amigos a possuir computador pessoal. Haja tempo! Aconteceu há cerca de duas décadas. À máquina era um trambolho com programas complicados. E lentíssima! Nas redações de revistas e jornais usava-se máquina de escrever. Orgulhoso, eu me considerava adaptado aos novos tempos cibernéticos. Os programas para digitar textos foram se tornando mais fáceis. Ainda me considerava uma sumidade em tecnologia, até ver um garotinho de 8 anos baixar programas de celular. Que vergonha! Eu sou do tipo que quase consegue baixar um programa. Mas no último segundo vem uma pergunta a que não sei responder. Uma vez o celular travou. Muitas, o proprio computador. Mas o menininho teclava como se não tivesse feito outra coisa na vida.

    Tudo está se tornando complicado demais. Eu me confundo até com o controle remoto da televisdo e do DVD. Não é brincadeira: se coloco um filme, vem a imagem, mas não o som. Ou consigo ouvir os diálogos, mas a tela fica preta. No carro, quase enlouqueço se alguém tira da minha estação predileta. Escapei de bater tentando captar musica cléssica. Já consigo falar no meu celular, mandar torpedos e fotografar. Só me atrapalho para achar um endereço no Google em menos de dez minutos! 

    Entrei com cautela no universo das redes de relacionamento. Logo fiquei fascinado. Há alguns anos era louco pelo Orkut. Criei um grupo de amigos. Todas as noites nos encontrávamos virtualmente. A relação se tornou tão próxima que certa vez convidei dez amigos virtuais para jantar em casa. De sobremesa, servi bolo com uma miniatura de mim mesmo e morcegos de glacê - como só entrava de madrugada, chamavam-me carinhosamente de Morcegão. Algumas dessas pessoas permanecem na minha vida até hoje. Do Orkut, eu me distanciei. Não fui o único. Passei a ouvir com frequência o termo "orkuticidio". Isso acontece quando a pessoa elimina sua página e abandona seus contatos. Isso eu não cheguei a fazer. Já não entro todos os dias.

    Surgiram novos sites de relacionamento, com mais ferramentas, como o Facebook e o Twitter. O Orkut reagiu: transformou-se, abrindo novas possibilidades de interação. Imagino os milhões de dólares gastos para reprogramar o site. Tentei, mas não consegui me adaptar ao novo Orkut. Voltei ao antigo. Muita gente que conheço fez o mesmo. Ou abandonou de vez. "Ficou muito complicado"- foi a frase que mais ouvi. Embora, na prática, seu nível de dificuldade tenha se tornado semelhante ao do Facebook, para onde essas pessoas migraram. E o Second Life? Foi uma febre! Havia até disputa para "comprar" avenidas, anunciar nas ruas do universo virtual. Imagino que muita gente ainda se divirta com ele, mas não conheço ninguém.

    Agora o Twitter lançou uma nova versão. Tentei incorporá-la. Duas horas depois, irritado, voltei à anterior. Muitas pessoas que me seguem também não se adaptaram. Melhor dizendo: assustam-se somente os mais velhos. Crianças e jovens adaptam-se facilmente. A cada complicação, eu me sinto mais excluído. "Ah, eu não sabia" tornou-se uma frase comum no meu vocabulário. Sou louco pela internet. Como não ficar para trás? Daqui a pouco vou ter de tomar aulas para entender as novidades! Talvez meu "professor" tenha 8 ou 9 anos de idade! É um mistério: como crianças que mal sabem ler e escrever são capazes de entender programas complexos? E uma nova evolução da espécie, que desembarca no mundo com cérebro cibernético? E eu, sou um dinossauro em extinção?


Disponivel em: <<https://vejasp.abril.com.br/cidades/dinossaurona-internet>>. Acesso em: 18 de outubro de 2024.

Observe o fragmento "(...) e morcegos de glacê." 3° §. Assim, quanto à acentuação, assinale a opção em que todas as palavras estão corretamente grafadas como a palavra destacada no fragmento acima.
Alternativas
Q3515030 Português
A alternativa em que todas as palavras estão grafadas de acordo com a ortografia oficial é:
Alternativas
Q3514189 Português
Leia a tira de Bill Watterson, para responder a questão.

(Disponível em: https://opiniaocentral.wordpress.com/2019/10/15/ calvin-e-haroldo-uma-questao-de-ponto-de-vista/. Acesso em 13.04.2025.)
Considere o seguinte enunciado, formulado com base no texto.
Eu sei ____________ me pergunto ___________ ele não pode ser injusto _____________

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas desses enunciados, com coerência e de acordo com a norma-padrão de pontuação, emprego de pronome e ortografia.
Alternativas
Q3514184 Português
Leia o texto, para responder a questão.

        “Depósito”: o modo como uma casa de repouso para idosos é chamada em um novo livro de ficção pretende denunciar as incongruências de nossa relação com a velhice e com os idosos ao nosso redor. Em Jasmins, publicado pela editora Maralto, Claudia Nina retrata a dura relação entre a cuidadora Yasmin e a idosa Wanda, num momento da história em que o fenômeno da longevidade interpela a nossa atenção à população idosa.
        
“Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas, seja para a realização de atividades básicas da vida diária e econômica ou emocionalmente, principalmente aqueles com déficits cognitivos ou limitações naturais do próprio envelhecimento”, explica a psicóloga Allana Moraes. “Por essas razões, lamentavelmente, o idoso também se encontra mais suscetível a ser vítima de violências nos mais variados âmbitos, seja familiar, institucional ou social”.

        De acordo com Allana, é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado como o espaço de maior incidência de abandono e maus-tratos acometidos contra o idoso, com episódios de violência psicológica, física, moral e patrimonial perpetrados por filhos ou cônjuges. Diversos fatores desempenham um papel nesse tipo de cenário, entre os quais o que pode ser chamado de transmissão transgeracional da violência e do abandono.

        “O fato de os idosos se transformarem em vítimas igualmente se relaciona às raízes familiares, à violência ou abandono por eles perpetrados no passado, assim como terem apresentado comportamentos disruptivos, agressividade e atitudes provocativas em relação aos familiares”, explica a psicóloga. “Portanto, para analisar os motivos que levam um familiar a agir com violência em relação a um idoso, há que se levar em conta não só características dos idosos ou da família, já que se trata de um fenômeno multideterminado e que deve ser analisado em sua complexidade”.

        Entre os fatores em jogo, há também aquilo que o gerontólogo Robert N. Butler chamou já em 1969 de “ageísmo” ou “idadismo”, ou seja, a discriminação contra pessoas com base em sua idade, mais comumente direcionada a pessoas mais velhas. “Butler descreveu três aspectos deste tipo de preconceito: atitudes negativas em relação aos idosos, à velhice e ao processo de envelhecimento; práticas discriminatórias contra idosos; e práticas e políticas institucionais que perpetuam estereótipos e atitudes negativas sobre os idosos”, pontua Allana.

        A saúde dos vínculos afetivos entre o idoso e os seus cuidadores é um fator de proteção contra a violência muito significativo. Com a atenção à saúde mental dos profissionais cuidadores e com a proximidade da família, casas de repouso deixariam de ser “depósitos” e se tornariam pontos de apoio fundamentais em uma sociedade cada vez mais idosa.

(Disponível em: https://www.semprefamilia.com.br. Acesso em: 08.04.2025. Adaptado)
A norma-padrão de acentuação das palavras “incongruências” e “ageísmo” aplica-se também, respectivamente, a
Alternativas
Q3514089 Português
Assinale a alternativa em que a expressão destacada está grafada conforme prescrito por Napoleão Mendes de Almeida (Dicionário de questões vernáculas, 2006) e seu sentido contextual. 
Alternativas
Q3503330 Português

Os vocábulos abaixo aparecem acentuados, mas um deles está acentuado de forma incorreta.

Assinale a opção em que esse vocábulo aparece. 

Alternativas
Q3485833 Português

Leia o texto e responda a questão.  



AS REGRAS DA ATRAÇÃO  



Pesquisa norte-americana relaciona os tropeços de gramática como o segundo principal motivo para as pessoas descartarem potenciais namorados. 



        Norte-americanos solteiros acabam de eleger os tropeços de gramática como uma das principais razões que arruinam um primeiro encontro ou o flerte com um potencial parceiro. 



        Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e expectativas que ilustram as mudanças culturais nas relações de aproximação entre pessoas solteiras.  



        Encomendada pelo site Match.com, com sede em Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100 milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da populag&o segundo o Censo 2012, dos EUA. 



        O levantamento, divuigado pouco antes do carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em potencial, tanto homens como mulheres colocam a gramática no topo da lista de "requisitos obrigatórios” de um relacionamento, com 55% da preferência, atras apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%). Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito acentuado. 



Rejeição  



        Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais, a pesquisa não tem necessariamente validade cientifica. Dá, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que pode ser mais comum do que se imagina. No Brasil, onde não há pesquisa do gênero, o paulistano, Flávio Vianna, de 41 anos, é expressão confessa do perfil apontado pela pesquisa. Separado, reclama da grande quantidade de mulheres por quem se interessa e, quando emenda uma conversa, se decepciona com o linguajar trôpego. 



        - Há pouco tempo, conheci uma garota bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma ele.  



        Entre as expressões que incomodam Flavio, “é nois” e “para mim fazê" lideram.



        - Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir vergonha, Vai que um amigo escuta? Ter um relacionamento com alguém que não sabe falar direito é um retrocesso. 



Padrao 



        Cada um escolhe os critérios para aproximar-se de quem o atrai. Mas muita gente pode considerar que a falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio que alimenta preconceitos. 



        A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si. E ela que esta em jogo quando se tropeça no registro gramatical pedido pela situação de comunicação - um risco se o interlocutor for um superior hierárquico, um potencial empregador, um leitor, cliente ou até parceiro conjugal.  



        O sentido é construido pela seleção e combinação de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu universo de referência, do lugar social de onde procede, suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais conquistas amorosas. 



        - Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar bem em qualguer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC (TV Bandeirantes).  



        Quando falamos, temos a ilusão de achar que comunicamos só um conteúdo intencional, mas ha outras informações quando se fala.



        O modo de dizer altera a coisa dita. 



Flexibilidade é a prova dos nove 



        O erro de português grave e reiterado pode incomodar e melar uma aproximação promissora entre casais. Mas não está dado que alguém mantenha relacionamento duradouro sendo inflexível no uso da gramática formal. Se alguém aplica, de forma ortodoxa, a gramática normativa numa conversa de bar, por exemplo, pode virar o chato da mesa. Pode perder a namorada.



        O problema é que a norma culta tem sido há muito tempo considerada no Brasil um código de distinção social, quando é elemento de comunicação vital a constitução de nossa identidade e de nossos relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar irelevantes outros aspectos que constituem a linguagem do namoro, como o humor e a capacidade de fazer correlações surpreendentes de idéias.



        O que torna a norma culta uma sombra do idioma é tomá-la como universal, quando na verdade não existe um único padrão, mas cada situação de comunicação pede um registro que lhe é adequado. A flexibilidade do registro gramatical, adequado ao contexto de fala e escrita, é um aprendizado desafiador não só para solteiros conquistadores. Caso contrário, a pessoa se arrisca a perder muito mais do que um futuro parceiro. 


(Revista Lingua Portuguesa, Ano 8, no 89, 2013, p.16-17. Texto adaptado.) 





Observe a grafia das palavras a seguir:

arruínam - obrigatórios - há

Assinale a opção em que todas as palavras devem receber acento, de acordo com as mesmas regras aplicadas as palavras acima. 
Alternativas
Q3485824 Português

Leia o texto e responda a questão.


Texto Il



RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA 



        Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.  



        Desconfiei. Uma maquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro paragrafo:  



        “Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.” 



        Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possivel produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.  



        Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não sãc apenas uma ameaça para a vida acadéêica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atras, Derek Thomson escrevia na revista Aflantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruidas pela automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson. 



        Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou musicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possivel programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”. Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora. 



        Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano, preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final. Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.



        Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.  


(João Pereira Coutinho - Gazeta do Povo. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/joao-pereira-coutinho-inteligência-artificial-chatgpt-arte/) 

Observe a vogal destacada no trecho abaixo apenas como forma de exemplificação para fins de análise das afirmativas a seguir.

“[...] as profissões que seriam destruídas pela automação e pela inteligência artificial.” (5º§)

Quanto às regras de acentuação gráfica da vogal tônica grafada em i, analise de modo geral, colocando F (falso) ou V (verdadeiro) nas afirmativas abaixo, e assinale a seguir a opção correta. 

() Leva acento agudo a vogal tônica i das palavras oxitonas quando, mesmo precedida de ditongo decrescente, está em posição final, sozinha na sílaba.
() Leva acento agudo a vogal tonica i das palavras paroxítonas quando essa vogal estiver precedida de ditongo decrescente.
() Leva acento agudo a vogal tonica i das palavras paroxítonas e oxítonas quando antecedida de vogal com que não forma ditongo, e desde que não constitua sílaba com a consoante seguinte, com exceção de a consoante seguinte ser s.
() Nao leva acento agudo a vogal tonica i das palavras paroxítonas e oxítonas quando precede o dígrafo nh.
() Não leva acento agudo a vogal ténica i das palavras paroxítonas e oxítonas quando constitui sílaba com as consoantes l, m, n, r, s.  
Alternativas
Q3450992 Português
A questão se refere ao Texto I.
Texto I
Algumas dicas ajudam a melhorar a produção de hortas caseiras
Em uma empresa de Sorocaba (SP), vendas de mudas para hortas caseiras saltou de 5% para 20% em um período de quatro anos.
As hortas caseiras têm se tornado opção cada vez mais presente na mesa das pessoas. Os itens, cultivados com muito carinho e colhidos na hora, podem fazer toda a diferença na hora do consumo.
O mercado já percebeu essa mudança no estilo de vida da população. Em uma empresa, situada em Sorocaba (SP), as vendas de mudas de hortas caseiras saltaram de 5% para 20% em um período de quatro anos, com cerca de 180 mil unidades por semana.
Dentro de casa, é possível cultivar uma série de vegetais distintos. Entre eles, alface, rúcula, brócolis, couve-flor e pepino, garantindo uma alimentação mais saudável, sem agrotóxicos e com um maior valor nutricional.
"Tenho vários clientes que atendo em busca de uma vida mais saudável. É uma distração, uma terapia, uma ocupação. As pessoas relatam que esperam o final de semana para dar uma desestressada, fazendo o próprio manejo da horta ou plantando outras mudas", comenta Marcelo Higashi, dono do espaço.
Fonte: G1. Algumas dicas ajudam a melhorar a produção de hortas caseiras. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sorocabajundiai/nosso-campo/noticia/2025/02/09/algumas-dicas-ajudam-a-melhorar-a-producao-de-hortas-caseiras.ghtml. (Texto adaptado). Acesso em: 09 fev. 2025.
Marque a opção em que a reescrita de trechos do Texto I apresenta inadequações, de acordo com as normas gramaticais, quanto ao uso da concordância verbal.
Alternativas
Q3431502 Português

A questão refere-se ao Texto I.


Texto I 

Algumas dicas ajudam a melhorar a produção de hortas caseiras


Em uma empresa de Sorocaba (SP), vendas de mudas para hortas caseiras saltou de 5% para 20% em um período de quatro anos.


As hortas caseiras têm se tornado opção cada vez mais presente na mesa das pessoas. Os itens, cultivados com muito carinho e colhidos na hora, podem fazer toda a diferença na hora do consumo.


O mercado já percebeu essa mudança no estilo de vida da população. Em uma empresa, situada em Sorocaba (SP), as vendas de mudas de hortas caseiras saltaram de 5% para 20% em um período de quatro anos, com cerca de 180 mil unidades por semana.


Dentro de casa, é possível cultivar uma série de vegetais distintos. Entre eles, alface, rúcula, brócolis, couve-flor e pepino, garantindo uma alimentação mais saudável, sem agrotóxicos e com um maior valor nutricional.


"Tenho vários clientes que atendo em busca de uma vida mais saudável. É uma distração, uma terapia, uma ocupação. As pessoas relatam que esperam o final de semana para dar uma desestressada, fazendo o próprio manejo da horta ou plantando outras mudas", comenta Marcelo Higashi, dono do espaço.


Fonte: G1. Algumas dicas ajudam a melhorar a produção de hortas caseiras.

Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sorocabajundiai/nosso-campo/noticia/2025/02/09/algumas-dicas-ajudam-a-melhorar-a-producao-de-hortas-caseiras.ghtml. (Texto adaptado). Acesso em: 09 fev. 2025.

No trecho "Os itens, cultivados com muito carinho e colhidos na hora, fazem toda a diferença na hora do consumo.", caso houvesse a inclusão da palavra "bem" antes de cultivados, haveria necessidade de uso do hífen entre "bem" e "cultivados"? Marque a opção que apresenta a resposta correta para esse questionamento com base nas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3430239 Português
Marque a opção correta quanto à grafia das palavras em destaque e a respectiva justificativa com base na norma gramatical da Língua Portuguesa. 
Alternativas
Respostas
21: A
22: D
23: B
24: D
25: A
26: C
27: C
28: C
29: B
30: C
31: C
32: B
33: D
34: C
35: B
36: B
37: D
38: D
39: D
40: C