Questões Militares Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1664090 Português
Pedro e Gerson são funcionários de uma empresa de transportes. Devido à atividade da empresa, os dois não têm horário fixo de trabalho e, dependendo da demanda, podem até mesmo trabalhar de madrugada. Diante desse cenário, os dois hoje são alunos de Educação a Distância: um cursa Bacharelado em Administração e outro Bacharelado em Ciências Contábeis.
Pensando na situação de Pedro e Gerson, quais são as tecnologias que juntas podem propiciar o ensino a eles e às demais pessoas que não têm disponibilidade de horário para frequentar uma faculdade presencial?
Alternativas
Q1664089 Português
    “Eu admito a literatura claramente participante. Se não faço isso é porque não é do meu temperamento. A gente só pode fazer bem as coisas que sente realmente. Os meus livros não se preocupam com os fatos em si, mas com a repercussão deles nos indivíduos. Isso tem muita importância para mim. É o que faço. Acho que, sob esse ponto de vista, eu também faço livros comprometidos com o homem e a realidade do homem, porque realidade não é fenômeno puramente externo”.

LISPECTOR, Clarice. Entrevista retirada do livro O primeiro beijo e outros contos – antologia. São Paulo:Ática, 1996. p. 5.

O trecho “era uma galinha de domingo. Ainda estava viva porque não passava das nove horas da manhã. Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio” refere-se ao conto “Uma galinha”, de Clarice Lispector, retirado do livro O primeiro beijo e outros contos, publicado pela editora Ática, de São Paulo, em 1996. 


Em relação a esse conto, pode-se afirmar que: 

Alternativas
Q1664088 Português
    “Eu admito a literatura claramente participante. Se não faço isso é porque não é do meu temperamento. A gente só pode fazer bem as coisas que sente realmente. Os meus livros não se preocupam com os fatos em si, mas com a repercussão deles nos indivíduos. Isso tem muita importância para mim. É o que faço. Acho que, sob esse ponto de vista, eu também faço livros comprometidos com o homem e a realidade do homem, porque realidade não é fenômeno puramente externo”.

LISPECTOR, Clarice. Entrevista retirada do livro O primeiro beijo e outros contos – antologia. São Paulo:Ática, 1996. p. 5.
Clarice Lispector produziu uma obra de cunho intimista e foi a responsável pela renovação da literatura brasileira, principalmente no conto. Sua obra coloca no centro do processo de escrita o ser humano e suas cogitações interiores. Nessa perspectiva, o conto “O primeiro beijo” apresenta uma técnica narrativa chamada flashback, que consiste numa volta ao passado, por meio de uma digressão, para narrar um fato acontecido. Indique em qual das alternativas abaixo se estabelece a dissidência entre o tempo presente e o tempo passado:
Alternativas
Q1664087 Português
“A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada...”

BANDEIRA, Manuel. Evocação do Recife. Disponível em: https://www.jornaldepoesia.jor.br/manuelbandeira03.html. 
Manuel Bandeira é um poeta que consolidou na literatura brasileira o verso livre, a liberdade criadora, a linguagem coloquial, a irreverência, junto a uma capacidade de produzir poesias com base em coisas simples da vida. A crítica social e a reflexão filosófica é uma constante nos seus poemas, indicando a diversidade cultural do Brasil a partir de temas do cotidiano. Com base no trecho do poema acima citado, indique a alternativa correta:
Alternativas
Q1664086 Português
A questão é baseada no trecho a seguir:

    “[...] Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: - ‘Ce vai, ocê fique, você nunca volte!’. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: ‘-Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?’. Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo – a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa [...]”.

ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.80.
Primeiras estórias é uma coletânea de contos de João Guimarães Rosa que traz marcas de oralidade, demonstrando a relação do autor com o povo do interior brasileiro, atribuindo à narrativa uma contribuição popular que a torna regional. No conto “A terceira margem do rio”, a linguagem rosiana está coordenada por fórmulas que se ouve na boca do povo, criando uma arte original com as palavras. São ditos populares e construções às vezes inventadas que habitam a fala de pessoas de poucas letras e que se concretizam por meio das personagens que o autor criou.
Identifique em qual das alternativas abaixo os dois trechos citados trazem marcas de oralidade no discurso direto:
Alternativas
Q1664085 Português
A questão é baseada no trecho a seguir:

    “[...] Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: - ‘Ce vai, ocê fique, você nunca volte!’. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: ‘-Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?’. Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo – a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa [...]”.

ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.80.
Em Primeiras estórias, João Guimarães Rosa constrói os seus contos em uma região não especificada, porém identificável, devido à semelhança de acontecimentos inerentes à sua infância e juventude. Há presença de elementos típicos do interior do Brasil, tais como: bichos, plantas, costumes e hábitos, misteres e fainas, descritos de forma minuciosa. Têm lugar também na narrativa dos contos os altos morros, vastos horizontes, amplos rios margeados de brejos, campos extensos de pastoreios e lavouras, em fazendas enormes cheia de animais e superstições.
Identifique, abaixo, a alternativa cujos contos fazem parte de Primeiras estórias.
Alternativas
Q1664084 Português
A questão é baseada no trecho a seguir:

    “[...] Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: - ‘Ce vai, ocê fique, você nunca volte!’. Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: ‘-Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?’. Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo – a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa [...]”.

ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.80.
O texto, extraído do conto “A terceira margem do rio”, do livro Primeiras estórias, de Guimarães Rosa, revela que a representação social é uma grande articuladora no interior de uma narrativa, transformando-se em um critério para se discutir a sociedade em um país de grande diversidade cultural, como é o caso do Brasil.
A propósito das obras de João Guimarães Rosa, cujo regionalismo se apresenta de forma bastante acentuada, afirma-se que:
Alternativas
Q1664083 Português
    “Chaplin, em sua defesa do cinema mudo, exprimia o temor de que a palavra aumentasse essa terrível passividade que é sua permanente adequação à civilização de massas. A música o salva porque, através dela, fica depois do filme esse sentimento de ‘mistério’ com o qual podemos dialogar: sempre recordamos o encanto e a pena de Luzes da ribalta através de sua música. Essa é uma grande vitória artística de Chaplin. Dizemos normalmente que a melhor música de cinema é aquela que nos ajuda a criar um espaço mágico, porém sem chamar em demasia a nossa atenção. Ouvi-la como ‘fundo’ ajuda a intensidade da visão”.

SOPEÑA, Frederico. Música e literatura. São Paulo: Nerman, 1989. p.157.
O texto acima é um ponto de partida para compreensão do cinema como uma arte que articula o teatro, a música, a dança e diversas outras artes visuais. Nessa perspectiva, o cinema se tornou um bem cultural que atinge as massas de uma forma avassaladora, movendo uma gigantesca indústria cultural em todo mundo. É, portanto, correto afirmar que:
Alternativas
Q1664082 Português
“João Grilo: Mas, espere, o senhor que é Jesus?
Manuel: Sim.
João Grilo: Aquele Jesus a quem chamavam Cristo?
Jesus: A quem chamavam, não, que era Cristo. Sou, por quê?
João Grilo: Porque... não é lhe faltando com respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimadinho.
Bispo: Cale-se, atrevido.
Manuel: Cale-se você. Com que autoridade está repreendendo os outros? Você foi um bispo indigno de minha Igreja, mundano, autoritário, soberbo. Seu tempo já passou. Muita oportunidade teve de exercer sua autoridade, santificando-se através dela. Sua obrigação era ser humilde, porque quanto mais alta é a função, mais generosidade e virtude requer. Que direito tem você de repreender João porque falou comigo com certa intimidade? João foi um pobre em vida e provou sua sinceridade exibindo seu pensamento. Você estava mais espantado do que ele e escondeu essa admiração por prudência mundana.
O tempo da mentira já passou”.

SUASSUNA, Ariano. Auto da compadecida. Rio de Janeiro: Agir, 2005. p.126.
O texto acima revela que Ariano Suassuna acrescentou à sua obra elementos de natureza social e religiosa, trabalhando com um universo genérico de símbolos, inerentes à diversidade cultural do Brasil. Diante dessa afirmativa, a peça Auto da compadecida está estruturada sobre elementos que fazem referência:
Alternativas
Q1664079 Português
INTRODUÇÃO
 
  Há muito tempo, o Brasil pertencia a Portugal. Naquela época, os países europeus mais ricos conquistavam colônias para plantar, criar gado e procurar ouro.
    Quem fazia todo esse trabalho eram os escravos. Por isso, o Brasil recebeu muitos homens e mulheres que foram capturados em diversos lugares da África e escravizados. Eles eram bantos, iorubás, jejês, minas, malês, entre outros.
    Todos esses povos tinham sociedades bem organizadas, culturas ricas, tradições bonitas. No entanto, muitos não tinham escrita. Por isso, a história de seus povos, os segredos da sua religião, os modos de fazer as coisas eram contados pelos mais velhos para os mais novos.
    Os africanos que vieram para o Brasil lembravam-se de muitas dessas histórias. Então eles contaram para os filhos como o seu povo tinha surgido: falaram de seus deuses, de seus mistérios, de sua sabedoria. Voltaram a cultuar seus orixás, inquices, voduns. E as velhas lendas continuaram a ser narradas.
    As seis histórias deste livro são uma amostra da sabedoria que o Brasil recebeu da África. Elas falam da criação do mundo e de alguns deuses afrobrasileiros.

LODY, Raul. Seis pequenos contos africanos sobre a criação do mundo e do homem. 2. ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2011. p. 5.
Levando em conta o texto acima, podemos dizer que esse texto:
Alternativas
Q1664078 Português
NÚMEROS
    711 genes são afetados quando se dorme menos de seis horas por noite durante vários dias, segundo um estudo de cientistas ingleses da Universidade de Surrey, publicado na revista científica PNAS. Já se sabia que a falta de sono estava relacionada a problemas de saúde, como a obesidade. Mas é a primeira vez que se descreve o impacto da privação de sono sobre os genes.
    444 desses genes tiveram a atividade reduzida, enquanto 267 ficaram mais ativos do que o normal. Todos estão relacionados à regulação do metabolismo, das funções cardíacas e do sistema imunológico.
    3,5 vezes maior é o risco de sofrer um AVC para pessoas que dormem menos de seis horas por noite, comparado àquelas que dormem oito. Já a probabilidade de desenvolver doenças cardíacas aumenta 45% quando se dorme cinco horas ou menos frequentemente.

Conversa com Fabiana Nogueira. Revista Veja, Seção Panorama, edição 2311, ano 46, n. 10, 06/03/13.
Considerando a estrutura composicional do texto, infere-se que os números são recursos verbais utilizados com a finalidade de:
Alternativas
Q1664077 Português
A questão toma como base o texto abaixo:

A HORA DOS TABLETS
    Eles são a bola da vez da informática. Saiba tudo sobre o gadget do momento e descubra como fazer a compra certa.
    Tablet é o eletrônico do momento, coqueluche que leva muita gente a encarar filas para botar as mãos na novidade desta ou daquela fabricante. Entretanto, eles já existem há um bom tempo: desde dispositivos para desenho com o uso de canetas a sistemas auxiliares para desktops, eles estão no mercado há pelo menos uma década.
    Atualmente, um tablet é um misto de computador portátil, telefone celular e aparelho multimídia. Se ele é capaz de substituir de vez todos estes equipamentos? A resposta definitiva ainda não existe, e sempre dependerá de suas necessidades específicas.
    E seja por razões práticas ou pelo gosto por novidades, vamos ajudá-lo a escolher o melhor equipamento para você.

COSMAN, Fábio. Windows: a revista oficial. São Paulo, Digerati, edição 41, p.30, abril 2011.
O texto possibilita o entendimento de que:
I. As expressões “bola da vez”, “gadget do momento” e “coqueluche” são variedades linguísticas que caracterizam o tempo de alta comercialização de tablets no mercado de eletrônicos. II. Atualmente, o tablet é capaz de substituir o computador portátil, o telefone celular e o aparelho multimídia. III. O verbo “haver”, usado no singular nas expressões linguísticas “há um bom tempo” e “há pelo menos uma década”, informa o tempo decorrido do aparecimento do equipamento no mercado de eletrônicos. IV. A conjunção adversativa “entretanto”, usada no texto, retoma a tese inicial de que a “hora” é dos tablets.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q1664076 Português
A questão toma como base o texto abaixo:

A HORA DOS TABLETS
    Eles são a bola da vez da informática. Saiba tudo sobre o gadget do momento e descubra como fazer a compra certa.
    Tablet é o eletrônico do momento, coqueluche que leva muita gente a encarar filas para botar as mãos na novidade desta ou daquela fabricante. Entretanto, eles já existem há um bom tempo: desde dispositivos para desenho com o uso de canetas a sistemas auxiliares para desktops, eles estão no mercado há pelo menos uma década.
    Atualmente, um tablet é um misto de computador portátil, telefone celular e aparelho multimídia. Se ele é capaz de substituir de vez todos estes equipamentos? A resposta definitiva ainda não existe, e sempre dependerá de suas necessidades específicas.
    E seja por razões práticas ou pelo gosto por novidades, vamos ajudá-lo a escolher o melhor equipamento para você.

COSMAN, Fábio. Windows: a revista oficial. São Paulo, Digerati, edição 41, p.30, abril 2011.
O texto manifesta uma opinião e defende o ponto de vista de que:
Alternativas
Q1664075 Português

Imagem associada para resolução da questão

Windows: a revista oficial. São Paulo, Digerati, edição 41, p. 98, abril 2011.


Considerando a mobilização de recursos linguísticos da linguagem verbal e da não verbal, as duas charges fazem representações de caráter pictório e caricatural em que satirizam:

Alternativas
Q736044 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

O Conceito de Paz


No texto são apresentadas as noções de “paz negativa” e “paz positiva” (linhas 7-12), propostas por Johan Galtung. Em relação a isso, o autor do texto 
Alternativas
Q736042 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

O Conceito de Paz


Tem-se, no texto, a ideia de que o termo paz
Alternativas
Q736038 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.

O Mundo Moderno e a Violência


No trecho “São muitas as polarizações e combinações de processos” (linha 15), a ideia de polarização pode ser exemplificada por: 
Alternativas
Q726260 Português

Um rio do Éden

29 de agosto de 2013 | 2h 19. Luiz Fernando Veríssimo - O Estado de S. Paulo.

 O meu relógio biológico é um Rolex. Não, brincadeira. Nós todos temos um relógio dentro de nós que sempre "sabe" exatamente que horas são, embora nem todo mundo saiba que ele sabe, ou confie nele. O relógio biológico funciona mais ou menos como uma portaria de hotel, à qual você pede para ser acordado a certa hora. Ou como um despertador, que você marca para acordá-lo. O relógio interior pode falhar - as portarias de hotel e os despertadores também falham -, mas sempre que não acreditei no meu me arrependi. O que aconteceu mais de uma vez foi que o relógio biológico me acordou e fiquei na cama, aflito para saber se a portaria iria se lembrar ou o despertador funcionar, e acabei me atrasando. E minha tese é que quando o relógio biológico não nos acorda é porque, no fundo, não queremos acordar. Algum outro instrumento instintivo que carregamos sem saber prevaleceu e neutralizou o relógio.

 É fascinante essa ideia de que trazemos nos genes recursos, impulsos, fobias e encargos dos quais não nos damos conta, como relógios embutidos ligados a alguma fonte inimaginavelmente precisa de tempo certo. Somos portadores de mensagens cifradas que não conhecemos, e não entenderíamos se conhecêssemos. Há uma teoria segundo a qual o pavor universal de cobras vem de um resquício do passado reptiliano que ficou num dos cantos primitivos do nosso cérebro. E a mais nobre e misteriosa missão que nossos genes realizam à nossa revelia é a de trazer nosso DNA desde as origens da espécie humana até agora. Ninguém nos contratou, mas nossa função no mundo é transportar DNA.

 O famoso biólogo darwinista Richard Dawkins deu um título poético a um dos seus livros: River Out of Eden. Tirado de Gênese 2:10 "E saía um rio do Éden para regar o jardim, e dali se dividia". O rio do Éden de Dawkins e de DNA, e passa por todos nós.

Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-rio-do-eden-,1069085,0.htm. Acesso em 6/9/2013. 

Na crônica de Veríssimo, predominam as sequências dissertativo-argumentativas, pois o autor:
Alternativas
Q726257 Português

Um rio do Éden

29 de agosto de 2013 | 2h 19. Luiz Fernando Veríssimo - O Estado de S. Paulo.

 O meu relógio biológico é um Rolex. Não, brincadeira. Nós todos temos um relógio dentro de nós que sempre "sabe" exatamente que horas são, embora nem todo mundo saiba que ele sabe, ou confie nele. O relógio biológico funciona mais ou menos como uma portaria de hotel, à qual você pede para ser acordado a certa hora. Ou como um despertador, que você marca para acordá-lo. O relógio interior pode falhar - as portarias de hotel e os despertadores também falham -, mas sempre que não acreditei no meu me arrependi. O que aconteceu mais de uma vez foi que o relógio biológico me acordou e fiquei na cama, aflito para saber se a portaria iria se lembrar ou o despertador funcionar, e acabei me atrasando. E minha tese é que quando o relógio biológico não nos acorda é porque, no fundo, não queremos acordar. Algum outro instrumento instintivo que carregamos sem saber prevaleceu e neutralizou o relógio.

 É fascinante essa ideia de que trazemos nos genes recursos, impulsos, fobias e encargos dos quais não nos damos conta, como relógios embutidos ligados a alguma fonte inimaginavelmente precisa de tempo certo. Somos portadores de mensagens cifradas que não conhecemos, e não entenderíamos se conhecêssemos. Há uma teoria segundo a qual o pavor universal de cobras vem de um resquício do passado reptiliano que ficou num dos cantos primitivos do nosso cérebro. E a mais nobre e misteriosa missão que nossos genes realizam à nossa revelia é a de trazer nosso DNA desde as origens da espécie humana até agora. Ninguém nos contratou, mas nossa função no mundo é transportar DNA.

 O famoso biólogo darwinista Richard Dawkins deu um título poético a um dos seus livros: River Out of Eden. Tirado de Gênese 2:10 "E saía um rio do Éden para regar o jardim, e dali se dividia". O rio do Éden de Dawkins e de DNA, e passa por todos nós.

Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-rio-do-eden-,1069085,0.htm. Acesso em 6/9/2013. 

Considerando o uso das palavras no texto, numere a segunda coluna de acordo com a primeira.

(1) Rolex

(2)gene

(3) DNA

(4) darwinista

(5) Gênese

(6) Éden

(...) sigla que abrevia o termo ácido desoxirribonucleico (ADN, em portuquês).

(...) que está de acordo com a teoria evolucionista do naturalista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882).

(...) marca de relógio suíço de luxo, considerado, por muitos, um símbolo de status.

(...) menos usado que Gênesis: é o primeiro livro tanto da Bíblia Hebraica como da Bíblia Cristã

(...) jardim em que Adão e Eva viveram; paraíso.

(...) unidade fundamental, física e funcional da hereditariedade.

A sequência numérica correta é:

Alternativas
Q718385 Português

A casa das ilusões perdidas  


            Quando ela anunciou que estava grávida, a primeira reação dele foi de desagrado, logo seguida de franca irritação. Que coisa, disse, você não podia tomar cuidado, engravidar logo agora que estou desempregado, numa pior, você não tem cabeça mesmo, não sei o que vi em você, já deveria ter trocado de mulher havia muito tempo. Ela, naturalmente, chorou, chorou muito. Disse que ele tinha razão, que aquilo fora uma irresponsabilidade, mas mesmo assim queria ter o filho. Sempre sonhara com isso, com a maternidade – e agora que o sonho estava prestes a se realizar, não deixaria que ele se desfizesse. 

            – Por favor, suplicou. – Eu faço tudo que você quiser, eu dou um jeito de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas, por favor, me deixe ser mãe.

            Ele disse que ia pensar. Ao fim de três dias daria a resposta. E sumiu.

           Voltou, não ao cabo de três dias, mas de três meses. Àquela altura ela já estava com uma barriga avançada que tornava impossível o aborto; ao vê-lo, esqueceu a desconsideração, esqueceu tudo – estava certa de que ele vinha com a mensagem que tanto esperava, você pode ter o nenê, eu ajudo você a criá-lo.

          Estava errada. Ele vinha, sim, dizer-lhe que podia dar à luz a criança; mas não para ficar com ela. Já tinha feito o negócio: trocariam o recém-nascido por uma casa. A casa que não tinham e que agora seria o lar deles, o lar onde – agora ele prometia – ficariam para sempre.

           Ela ficou desesperada. De novo caiu em prantos, de novo implorou. Ele se mostrou irredutível. E ela, como sempre, cedeu.

           Entregue a criança, foram visitar a casa. Era uma modesta construção num bairro popular. Mas era o lar prometido e ela ficou extasiada. Ali mesmo, contudo, fez uma declaração.

          – Nós vamos encher esta casa de crianças. Quatro ou cinco, no mínimo.

         Ele não disse nada, mas ficou pensando. Quatro ou cinco casas, aquilo era um bom começo.


                                                                                                             Moacyr Scliar. Folha de S.Paulo, 14/06/99.  

De acordo com o texto, é correto afirmar que
Alternativas
Respostas
1701: A
1702: C
1703: B
1704: A
1705: E
1706: D
1707: B
1708: A
1709: C
1710: B
1711: B
1712: A
1713: E
1714: E
1715: A
1716: C
1717: D
1718: B
1719: E
1720: C