Questões Militares Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q529075 Português

O Brasil na fossa


O Imperador dom Pedro II iniciou a construção de esgotos no Brasil em 1857. Só a inglesa Londres e a alemã Hamburgo dispunham, então, de sistemas de coleta de dejetos. O Rio de Janeiro, a capital imperial, tornou-se a terceira cidade do mundo a investir nessa infraestrutura. O pioneirismo nacional no quesito saneamento terminou aí. Mais de 150 anos depois, 45% dos domicílios brasileiros ainda permanecem desconectados do sistema de escoamento. Nesses lares, 90 milhões de pessoas usam fossas sépticas ou, pior, despejam seus excrementos em valas a céu aberto ou diretamente nos rios e no mar.


(Veja, 25.05.2011.)


Reproduz-se uma informação do texto de modo correto e coerente em:


Alternativas
Q505222 Português
Considere os quadrinhos para responder à  questão. 

Imagem associada para resolução da questão

Na frase - Temos uma situação seriíssima a discutir. - um antônimo para o termo em destaque é
Alternativas
Q505221 Português

Considere os quadrinhos para responder à  questão. 

Imagem associada para resolução da questão


Considere as afirmações.

I. Em - Os alistamentos estão caindo. - a forma verbal em destaque indica uma ação já concluída.

II. Em - O futuro parece nebuloso. - o termo em destaque pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por sombrio ou incerto.

III. Pela última cena, conclui-se que o general conseguiu seu objetivo que era impressionar, positivamente, os integrantes de sua equipe.

É correto o que se afirma em
Alternativas
Q505220 Português
Considere os quadrinhos para responder à  questão. 

Imagem associada para resolução da questão

- As estimativas originais estavam cheias de furos. - a expressão em destaque foi empregada em sentido
Alternativas
Q505219 Português
Considere os quadrinhos para responder à  questão. 

Imagem associada para resolução da questão

Pela leitura dos quadrinhos, é correto afirmar que o general usou efeitos especiais, durante a reunião, porque
Alternativas
Q505216 Português
                                       Erro de ortografia em adesivo desmascara assalto

    Um erro de português levou a polícia a prender sete integrantes de uma quadrilha suspeita de roubar R$ 15 milhões da sede da transportadora de valores Protege, na Água Branca, zona oeste de São Paulo.
    O grupo se preparava para invadir um condomínio de luxo na Lapa anteontem e foi descoberto porque, do lado de fora do Fiat Dobló que seria usado para entrar no local, os bandidos usaram adesivos com a inscrição “Impório Santa Maria", em referência a um conhecido empório da cidade. No veículo, foram presos três homens e com eles havia ferramentas para arrombar cofres.
    Outros quatro homens foram presos em outro veículo na mesma rua. No carro havia fuzis, uma metralhadora e duas pistolas, além de radiocomunicadores, coletes à prova de bala e camisetas similares às da Polícia Federal
    Segundo o delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic, a polícia identificou o grupo pela investigação do caso Protege.

                                                                                              (Folha de S.Paulo, 10.11.2007. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q505215 Português
 Considere a imagem.

Imagem associada para resolução da questão


Sobre a cena, é correto afirmar que
Alternativas
Q505213 Português
                      Padre quer cobrar multa de noiva atrasada no interior do Paraná

    Noivas que se atrasarem demais para a cerimônia na catedral Nossa Senhora de Lourdes, em Apucarana (a 355 Km de Curitiba), podem ter que pagar R$ 500 de multa.
    O padre Roberto Carrara pretende pedir um cheque-caução aos noivos, que será descontado em caso de atraso. O valor será usado para cobrir despesas da igreja. Segundo o padre, o objetivo é coibir abusos. Ele diz que os fiéis o apoiam, que está aberto à discussão e que atrasos de até dez minutos são toleráveis
    A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) não soube dizer se outras igrejas cobram multas por atrasos.

                                                                                                 (Folha de S.Paulo, 10.02.2011. Adaptado)

De acordo com a notícia,
Alternativas
Q505209 Português
                                  É proibido achar

    Chego em casa à noite, exausto. A mesa vazia. Nada sobre o fogão. Nem no forno. Nem na geladeira. Não há jantar! No dia seguinte, revolto-me diante da empregada.
    - Passei fome!
    -Ih! Achei que o senhor não vinha jantar!
    Solto faíscas que nem um fio desencapado ao ouvir o verbo “achar" em qualquer conjugação. É um perigo achar. Não no sentido de expressar alguma coisa, mas de supor alguma coisa.
    Tenho trauma, é verdade!
    Tudo começou aos 9 anos de idade, quando pedi à professora para ir ao banheiro. Ela não permitiu e voltei agoniado à carteira. Cruzei as pernas, cruzei de novo, torci os pés, mas foi impossível escrever ou ouvir a lição... De repente, senti algo morno escorrendo pelas pernas. Fiz xixi nas calças!
    Alguém gritou:
    - Olha, ele fez xixi!
    Dali a pouco toda a classe ria. E a professora, surpresa:
    - Ih . eu achei que você pediu para sair só por malandragem.
    Tomei horror ao “achismo" e aprendi: sempre que alguém “acha" alguma coisa, “acha" errado.
    Meu assistente, Felippe, é mestre no assunto.
    - Não botei gasolina no carro porque achei que ia dar! - explica ele, enquanto, desesperado, faço sinais na estrada tentando carona até algum posto.
    Quem trabalha comigo, agora, não pode mais achar. Tem de saber!
    Outro dia ouvi uma história melancólica. Dois colegas de classe se encontraram trinta anos depois.    Ambos com vida amorosa péssima e casamento desfeito. Com a sinceridade que só a passagem do tempo permite, ele desabafou:
    - Eu era apaixonado por você, mas achei que você não ia querer nada comigo.
    Ela suspirou, decepcionada.
    - Eu achava você o máximo! Como nunca se aproximou, achei que não tinha atração por mim!
    Os dois se encararam arrasados. E se tivessem namorado? Talvez a vida deles fosse diferente! Mas o que fazer com os trinta anos passados?
    Por isso, quando alguém me diz:
    -Eu acho que .
    Respondo:
    - Não ache, ninguém perdeu nada.
    E sempre que posso, insisto:
    - Se não sabe, pergunte!
    É o lema que adotei: melhor que achar, sempre é verificar!

                                                                        (Walcyr Carrasco, Veja SãoPaulo, 19.05.2010. Adaptado)

Assinale a alternativa cujo trecho do texto expressa a ideia de incerteza.
Alternativas
Q505208 Português
                                  É proibido achar

    Chego em casa à noite, exausto. A mesa vazia. Nada sobre o fogão. Nem no forno. Nem na geladeira. Não há jantar! No dia seguinte, revolto-me diante da empregada.
    - Passei fome!
    -Ih! Achei que o senhor não vinha jantar!
    Solto faíscas que nem um fio desencapado ao ouvir o verbo “achar" em qualquer conjugação. É um perigo achar. Não no sentido de expressar alguma coisa, mas de supor alguma coisa.
    Tenho trauma, é verdade!
    Tudo começou aos 9 anos de idade, quando pedi à professora para ir ao banheiro. Ela não permitiu e voltei agoniado à carteira. Cruzei as pernas, cruzei de novo, torci os pés, mas foi impossível escrever ou ouvir a lição... De repente, senti algo morno escorrendo pelas pernas. Fiz xixi nas calças!
    Alguém gritou:
    - Olha, ele fez xixi!
    Dali a pouco toda a classe ria. E a professora, surpresa:
    - Ih . eu achei que você pediu para sair só por malandragem.
    Tomei horror ao “achismo" e aprendi: sempre que alguém “acha" alguma coisa, “acha" errado.
    Meu assistente, Felippe, é mestre no assunto.
    - Não botei gasolina no carro porque achei que ia dar! - explica ele, enquanto, desesperado, faço sinais na estrada tentando carona até algum posto.
    Quem trabalha comigo, agora, não pode mais achar. Tem de saber!
    Outro dia ouvi uma história melancólica. Dois colegas de classe se encontraram trinta anos depois.    Ambos com vida amorosa péssima e casamento desfeito. Com a sinceridade que só a passagem do tempo permite, ele desabafou:
    - Eu era apaixonado por você, mas achei que você não ia querer nada comigo.
    Ela suspirou, decepcionada.
    - Eu achava você o máximo! Como nunca se aproximou, achei que não tinha atração por mim!
    Os dois se encararam arrasados. E se tivessem namorado? Talvez a vida deles fosse diferente! Mas o que fazer com os trinta anos passados?
    Por isso, quando alguém me diz:
    -Eu acho que .
    Respondo:
    - Não ache, ninguém perdeu nada.
    E sempre que posso, insisto:
    - Se não sabe, pergunte!
    É o lema que adotei: melhor que achar, sempre é verificar!

                                                                        (Walcyr Carrasco, Veja SãoPaulo, 19.05.2010. Adaptado)

De acordo com o texto, o achismo pode ser definido como:
Alternativas
Q505207 Português
                                  É proibido achar

    Chego em casa à noite, exausto. A mesa vazia. Nada sobre o fogão. Nem no forno. Nem na geladeira. Não há jantar! No dia seguinte, revolto-me diante da empregada.
    - Passei fome!
    -Ih! Achei que o senhor não vinha jantar!
    Solto faíscas que nem um fio desencapado ao ouvir o verbo “achar" em qualquer conjugação. É um perigo achar. Não no sentido de expressar alguma coisa, mas de supor alguma coisa.
    Tenho trauma, é verdade!
    Tudo começou aos 9 anos de idade, quando pedi à professora para ir ao banheiro. Ela não permitiu e voltei agoniado à carteira. Cruzei as pernas, cruzei de novo, torci os pés, mas foi impossível escrever ou ouvir a lição... De repente, senti algo morno escorrendo pelas pernas. Fiz xixi nas calças!
    Alguém gritou:
    - Olha, ele fez xixi!
    Dali a pouco toda a classe ria. E a professora, surpresa:
    - Ih . eu achei que você pediu para sair só por malandragem.
    Tomei horror ao “achismo" e aprendi: sempre que alguém “acha" alguma coisa, “acha" errado.
    Meu assistente, Felippe, é mestre no assunto.
    - Não botei gasolina no carro porque achei que ia dar! - explica ele, enquanto, desesperado, faço sinais na estrada tentando carona até algum posto.
    Quem trabalha comigo, agora, não pode mais achar. Tem de saber!
    Outro dia ouvi uma história melancólica. Dois colegas de classe se encontraram trinta anos depois.    Ambos com vida amorosa péssima e casamento desfeito. Com a sinceridade que só a passagem do tempo permite, ele desabafou:
    - Eu era apaixonado por você, mas achei que você não ia querer nada comigo.
    Ela suspirou, decepcionada.
    - Eu achava você o máximo! Como nunca se aproximou, achei que não tinha atração por mim!
    Os dois se encararam arrasados. E se tivessem namorado? Talvez a vida deles fosse diferente! Mas o que fazer com os trinta anos passados?
    Por isso, quando alguém me diz:
    -Eu acho que .
    Respondo:
    - Não ache, ninguém perdeu nada.
    E sempre que posso, insisto:
    - Se não sabe, pergunte!
    É o lema que adotei: melhor que achar, sempre é verificar!

                                                                        (Walcyr Carrasco, Veja SãoPaulo, 19.05.2010. Adaptado)

Pela leitura do texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q481752 Português
Imagem associada para resolução da questão

A respeito do texto I, está correta a afirmação referente ao termo transcrito na alternativa
Alternativas
Q481751 Português
Imagem associada para resolução da questão

Os textos I e II divergem entre si quanto
Alternativas
Q376735 Português
Na pele do outro (adaptação)


O cotidiano parece se repetir conforme o previsto até que você é empalado por uma cena. Eu saía da loja de um shopping de São Paulo, na tarde de sábado, quando ele passou por mim. Não sei se era a forma como o ar se deslocava de outro jeito ao redor dele, mas eu ainda não o tinha visto e minhas mãos já se estendiam no ar para ampará- lo. Ou talvez fosse só impressão minha, uma vontade estancada antes do movimento. Era um homem velho. Mas mais do que velho, era um homem doente. Cada um dos seus passos se dava por uma coragem tão grande, porque até o pé aterrissar no chão me parecia que ele podia retroceder ou cair. Mas ele avançava. E porque ele avançava na minha frente eu pude ver aquilo que outras partes de mim já haviam percebido antes. Sobre a sua cabeça havia uma peruca tão falsa que servia apenas para revelar aquilo que ele pretendia esconder. E de uma cor tão diferente do seu cabelo branco que parecia descuido de quem o amava ou não amava. Aquilo doía porque havia uma vaidade nele, a preocupação de ocultar a nudez da cabeça. E a peruca mal feita a expunha como um fracasso. A cada um de seus passos de epopeia sua camisa subia revelando um largo pedaço da fralda geriátrica. E assim ele avançava como uma denúncia claudicante da fragilidade de todos nós. Atravessando o corredor do shopping, lugar onde fingimos poder comprar tudo o que nos falta, consumidos pelo medo dessa vida que já começa nos garantindo apenas o fim.

Eu o seguia nesse balé sem coreografia quando ouvi os risinhos. Olhei ao redor e vi as pessoas se cutucando. Olha lá. Olha lá que engraçado. Ele tinha virado piada. Aquele homem desconhecido deixara a sua casa e atravessava o shopping. Para isso empreendera seus melhores esforços. Tinha vestido a peruca para que não percebessem sua calvície. Tinha colocado a fralda para não se urinar no meio do corredor. E caminhava podendo cair a cada passo. E as pessoas ao seu redor riam. E por um momento temi uma cena de filme, quando de repente todos começam a gargalhar e há apenas o homem em silêncio. O homem que não compreende. Até enxergar seu reflexo no olhar que o outro lhe devolve e ser aniquilado porque tudo o que veem nele não é um homem tentando viver , mas uma chance de garantir sua superioridade e sua diferença.

Quando entrevisto algum escritor costumo perguntar: por que você escreve? Alguns me respondem que escrevem para não matar. Eu também escrevo para não matar. Acho que na maior parte das vezes a gente escreve, pinta, cozinha, compõe, costura, cria, enfim, porque não sabe o que fazer com as pessoas que riem enquanto alguém tenta atravessar o corredor do shopping sem ter forças para atravessar o corredor do shopping. O que me horroriza, mais do que os grandes mas sacres estampados no noticiário, são essas pequenas maldades do cotidiano. E só consigo compreender os grandes massacres a partir dos pequenos massacres de todo dia. Os risinhos e dedos que apontam, os cotovelos que se cutucam.

Quem pratica os massacres miúdos do dia a dia é gente que se acha do bem, que não cometeu nenhum delito, que vai trabalhar de manhã e dá presente de Natal. Gente com quem você pode conversar sobre o tempo enquanto espera o ônibus, que trabalha ao seu lado ou bem perto de você, e às vezes até lhe empresta o creme dental no banheiro. É destes que eu tenho mais medo, é com estes que eu não sei lidar.

Entrevistei muitos assassinos sem sobressalto, porque estava tudo ali, explícito. Era uma quebra. O que me parece mais difícil é lidar com o mal rotineiro e persistente, difícil de combater porque camuflado. O mal praticado com afinco pelos pequenos assassinos do cotidiano que nenhuma lei enquadra. E quando você os confronta, esboçam uma cara de espanto

O pequeno mal está por toda parte. Possivelmente sempre esteve. Apenas que cada época tem suas peculiaridades. E na nossa somos cegados o tempo inteiro por imagens que nos chegam por telas de todos os tamanhos. E cada vez mais escolhemos as cenas que veremos, com quais nosso cérebro decidirá se comover. E as dividimos com os amigos no twitter, enviamos por email e parece até que há uma competição sobre quem consegue enviar mais rápido as imagens mais impactantes. Mas não sei se isso é ver. Não sei se isso nos coloca em contato de verdade.

Penso nisso porque acho que o mundo seria melhor - e a vida doeria um pouco menos - se cada um se esforçasse para vestir a pele do outro antes de rir, apontar e cutucar o colega para que não perca a chance de desprezar um outro, em geral mais vulnerável. Antes de julgar e de condenar. Antes de se achar melhor, mais esperto e mais inteligente. Vestir a pele do outro no minuto anterior ao salto na jugular. (...)

Quais são as razões delas, então? Por que ao testemunhar o homem que atravessa o shopping em passos trôpegos elas riem, se cutucam e apontam? Fiquei pensando se estas pessoas estão tão cegas pela avalanche de cenas em tempo real que para elas é apenas uma imagem da qual podem se descolar. É só mais uma cena que, como tantas a que assistimos todos os dias, não sabemos mais se é realidade ou ficção. Não é que não sabemos, apenas que parece que não importa, agora que os limites estão distendidos. Por que apenas assistimos às cenas - não as vemos nem entramos em contato.

erá que era por isso que podiam rir? Por que não tinham nenhuma conexão com aquele outro ser humano? É curioso que agora o verbo conectar é mais usado para nos ligarmos a uma máquina que nos leva instantaneamente para a vida dos outros. Pela primeira vez somos capazes de nos conectar ao mundo inteiro. O que é mais fácil do que se conectar a uma só pessoa - ao homem doente que atravessa o corredor do shopping diante de nós. É curioso como agora podemos nos conectar - para nos desconectarmos.

E se, ao contrário, riam porque se sentiam tão conectadas a ele que precisavam rir para suportar? Pensei então que talvez pudesse ser esta a razão. Aquelas pessoas realmente enxergavam aquele homem - e por enxergar é que precisavam rir, se cutucar e apontar. Porque a fragilidade dele também é a delas, a de cada um de nós. (...)

Talvez seja esta a razão, pensei. Essas pessoas precisaram rir, cutucar e apontar para ter a certeza - momentânea e ilusória - de que ele não era elas. Não seria nunca. Só apontamos para o outro, para o diferente, para aquele que não somos nós. E quando apontamos para alguém é justamente para denunciar que ela não é como nós.

Neste caso, teria sido para se certificar. Elas diziam: Olha que peruca ridícula. Ou: Você viu que ele está de fralda? Mas na verdade estavam dizendo: O que acontece com ele nunca acontecerá comigo. Ou: Ele não tem nada a ver comigo. Por que deixam gente assim entrar num shopping? Riam, cutucavam e apontavam por medo do que viam nele - de si mesmas.

São hipóteses, apenas. Uma tentativa de entender - de pensar e escrever em vez de responder com violência à violência que presenciei. E que me aniquila tanto quanto um massacre reconhecido no noticiário como massacre. Talvez não seja nada disso. No Natal minha filha me deu de presente uma camiseta em que a Mafalda, a personagem do cartunista argentino Quino, dizia: “E não é que neste mundo tem cada vez mais gente e cada vez menos pessoas?”. Talvez ali, no corredor do shopping, não fossem pessoas - só gente. Porque nascemos gente - mas só nos tornamos pessoas se fizermos o movimento.

Ao final da leitura do texto, é possível afirmar que o que move o interesse da cronista é tentar compreender:
Alternativas
Q376734 Português
Na pele do outro (adaptação)


O cotidiano parece se repetir conforme o previsto até que você é empalado por uma cena. Eu saía da loja de um shopping de São Paulo, na tarde de sábado, quando ele passou por mim. Não sei se era a forma como o ar se deslocava de outro jeito ao redor dele, mas eu ainda não o tinha visto e minhas mãos já se estendiam no ar para ampará- lo. Ou talvez fosse só impressão minha, uma vontade estancada antes do movimento. Era um homem velho. Mas mais do que velho, era um homem doente. Cada um dos seus passos se dava por uma coragem tão grande, porque até o pé aterrissar no chão me parecia que ele podia retroceder ou cair. Mas ele avançava. E porque ele avançava na minha frente eu pude ver aquilo que outras partes de mim já haviam percebido antes. Sobre a sua cabeça havia uma peruca tão falsa que servia apenas para revelar aquilo que ele pretendia esconder. E de uma cor tão diferente do seu cabelo branco que parecia descuido de quem o amava ou não amava. Aquilo doía porque havia uma vaidade nele, a preocupação de ocultar a nudez da cabeça. E a peruca mal feita a expunha como um fracasso. A cada um de seus passos de epopeia sua camisa subia revelando um largo pedaço da fralda geriátrica. E assim ele avançava como uma denúncia claudicante da fragilidade de todos nós. Atravessando o corredor do shopping, lugar onde fingimos poder comprar tudo o que nos falta, consumidos pelo medo dessa vida que já começa nos garantindo apenas o fim.

Eu o seguia nesse balé sem coreografia quando ouvi os risinhos. Olhei ao redor e vi as pessoas se cutucando. Olha lá. Olha lá que engraçado. Ele tinha virado piada. Aquele homem desconhecido deixara a sua casa e atravessava o shopping. Para isso empreendera seus melhores esforços. Tinha vestido a peruca para que não percebessem sua calvície. Tinha colocado a fralda para não se urinar no meio do corredor. E caminhava podendo cair a cada passo. E as pessoas ao seu redor riam. E por um momento temi uma cena de filme, quando de repente todos começam a gargalhar e há apenas o homem em silêncio. O homem que não compreende. Até enxergar seu reflexo no olhar que o outro lhe devolve e ser aniquilado porque tudo o que veem nele não é um homem tentando viver , mas uma chance de garantir sua superioridade e sua diferença.

Quando entrevisto algum escritor costumo perguntar: por que você escreve? Alguns me respondem que escrevem para não matar. Eu também escrevo para não matar. Acho que na maior parte das vezes a gente escreve, pinta, cozinha, compõe, costura, cria, enfim, porque não sabe o que fazer com as pessoas que riem enquanto alguém tenta atravessar o corredor do shopping sem ter forças para atravessar o corredor do shopping. O que me horroriza, mais do que os grandes mas sacres estampados no noticiário, são essas pequenas maldades do cotidiano. E só consigo compreender os grandes massacres a partir dos pequenos massacres de todo dia. Os risinhos e dedos que apontam, os cotovelos que se cutucam.

Quem pratica os massacres miúdos do dia a dia é gente que se acha do bem, que não cometeu nenhum delito, que vai trabalhar de manhã e dá presente de Natal. Gente com quem você pode conversar sobre o tempo enquanto espera o ônibus, que trabalha ao seu lado ou bem perto de você, e às vezes até lhe empresta o creme dental no banheiro. É destes que eu tenho mais medo, é com estes que eu não sei lidar.

Entrevistei muitos assassinos sem sobressalto, porque estava tudo ali, explícito. Era uma quebra. O que me parece mais difícil é lidar com o mal rotineiro e persistente, difícil de combater porque camuflado. O mal praticado com afinco pelos pequenos assassinos do cotidiano que nenhuma lei enquadra. E quando você os confronta, esboçam uma cara de espanto

O pequeno mal está por toda parte. Possivelmente sempre esteve. Apenas que cada época tem suas peculiaridades. E na nossa somos cegados o tempo inteiro por imagens que nos chegam por telas de todos os tamanhos. E cada vez mais escolhemos as cenas que veremos, com quais nosso cérebro decidirá se comover. E as dividimos com os amigos no twitter, enviamos por email e parece até que há uma competição sobre quem consegue enviar mais rápido as imagens mais impactantes. Mas não sei se isso é ver. Não sei se isso nos coloca em contato de verdade.

Penso nisso porque acho que o mundo seria melhor - e a vida doeria um pouco menos - se cada um se esforçasse para vestir a pele do outro antes de rir, apontar e cutucar o colega para que não perca a chance de desprezar um outro, em geral mais vulnerável. Antes de julgar e de condenar. Antes de se achar melhor, mais esperto e mais inteligente. Vestir a pele do outro no minuto anterior ao salto na jugular. (...)

Quais são as razões delas, então? Por que ao testemunhar o homem que atravessa o shopping em passos trôpegos elas riem, se cutucam e apontam? Fiquei pensando se estas pessoas estão tão cegas pela avalanche de cenas em tempo real que para elas é apenas uma imagem da qual podem se descolar. É só mais uma cena que, como tantas a que assistimos todos os dias, não sabemos mais se é realidade ou ficção. Não é que não sabemos, apenas que parece que não importa, agora que os limites estão distendidos. Por que apenas assistimos às cenas - não as vemos nem entramos em contato.

erá que era por isso que podiam rir? Por que não tinham nenhuma conexão com aquele outro ser humano? É curioso que agora o verbo conectar é mais usado para nos ligarmos a uma máquina que nos leva instantaneamente para a vida dos outros. Pela primeira vez somos capazes de nos conectar ao mundo inteiro. O que é mais fácil do que se conectar a uma só pessoa - ao homem doente que atravessa o corredor do shopping diante de nós. É curioso como agora podemos nos conectar - para nos desconectarmos.

E se, ao contrário, riam porque se sentiam tão conectadas a ele que precisavam rir para suportar? Pensei então que talvez pudesse ser esta a razão. Aquelas pessoas realmente enxergavam aquele homem - e por enxergar é que precisavam rir, se cutucar e apontar. Porque a fragilidade dele também é a delas, a de cada um de nós. (...)

Talvez seja esta a razão, pensei. Essas pessoas precisaram rir, cutucar e apontar para ter a certeza - momentânea e ilusória - de que ele não era elas. Não seria nunca. Só apontamos para o outro, para o diferente, para aquele que não somos nós. E quando apontamos para alguém é justamente para denunciar que ela não é como nós.

Neste caso, teria sido para se certificar. Elas diziam: Olha que peruca ridícula. Ou: Você viu que ele está de fralda? Mas na verdade estavam dizendo: O que acontece com ele nunca acontecerá comigo. Ou: Ele não tem nada a ver comigo. Por que deixam gente assim entrar num shopping? Riam, cutucavam e apontavam por medo do que viam nele - de si mesmas.

São hipóteses, apenas. Uma tentativa de entender - de pensar e escrever em vez de responder com violência à violência que presenciei. E que me aniquila tanto quanto um massacre reconhecido no noticiário como massacre. Talvez não seja nada disso. No Natal minha filha me deu de presente uma camiseta em que a Mafalda, a personagem do cartunista argentino Quino, dizia: “E não é que neste mundo tem cada vez mais gente e cada vez menos pessoas?”. Talvez ali, no corredor do shopping, não fossem pessoas - só gente. Porque nascemos gente - mas só nos tornamos pessoas se fizermos o movimento.

Em “Ou talvez fosse só impressão minha, uma vontade estancada antes do movimento.”, o vocábulo estancada pode ser substituído sem prejuízo de seu sentido original expresso no texto pela seguinte palavra:
Alternativas
Q326043 Português
Considere a seguinte afirmação de Heráclito de Éfeso (2500 a. C.) para responder a esta questão:“Uma pessoa não entra no mesmo rio duas vezes, porque ambos estão em constante mudança e transformação.”I. A afirmação constitui-se de um período composto por coordenação.II.A afirmação constitui-se de um período composto por subordinação.III.A oração iniciada pela conjunção “porque” introduz uma explicação.Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q326041 Português
Assinale a alternativa em que a análise da relação de sentido expressa pelo elo coesivo destacado em negrito está EQUIVOCADA.

Alternativas
Q326039 Português
A vida não para (v. 5)/a vida tão rara (v.10) um pouco mais de calma (v. 2)/um pouco mais de alma (v.4) .Dentreas alternativas abaixo,assinale aquela em que a mudança de significado se estabelece por motivo diferente da que se encontra nos versos acima destacados de Lenine e Dudu Falcão:



Alternativas
Q326038 Português
Assinale a alternativa em que está CORRETA a classificação morfológica das palavras.mesmo e até que iniciam as orações subordinadas adverbiais nos versos: “Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma” e “até quando o corpo pede um pouco mais de alma”

Alternativas
Q326035 Português
Observe:“Coesão referencial é aquela que cria, no interior do texto,um sistema de relação entre palavras e expressões, permitindo que o leitor identifique os referentes sobre os quais se fala no texto.Coesão sequencial é aquela que cria no interior do texto,condições para que o discurso avance.”Nos 03 (três) fragmentos destacados a seguir, algumas palavras fazem a coesão referencial e outras a coesão sequencial.Fragmento 1“Essa simples ideia tem algumas consequências notáveis: talvez a mais conhecida seja a equivalência de massa e energia, contida na famosa equação de Einstein E=mc2 (...)”. (Texto I, 3º parágrafo).Fragmento 2 “Como não há força atuando sobre o corpo, a sua velocidade não aumenta, nem diminui, nem muda de direção. Portanto o único movimento possível do corpo na ausência de qualquer força atuando sobre ele é o movimento retilíneo uniforme.” (Texto II, 2 º parágrafo).Fragmento 3 “um corpo permanece em repouso ou em movimento retilíneo uniforme se nenhuma força atuar sobre ele.” (Texto II, 3º parágrafo).Indique a opção em que se fez uma ANÁLISE EQUIVOCADA dos elementos coesivos destacados nos fragmentos acima.

Alternativas
Respostas
4621: C
4622: A
4623: B
4624: E
4625: C
4626: D
4627: E
4628: C
4629: E
4630: C
4631: E
4632: A
4633: C
4634: A
4635: C
4636: C
4637: D
4638: B
4639: C
4640: C