Questões Militares Sobre emprego do hífen em português

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Q4372873 Português
Diferença de sotaques apenas demonstra que as línguas mudam conforme o contexto social e regional

    “Uai”, “bah”, “égua”, “oxe”, todas essas expressões fazem parte da diversidade linguística brasileira. Com cinco regiões e mais de 210 milhões de habitantes, o Brasil é um dos países mais diversificados do mundo. Com um vasto território, o idioma pode ser o mesmo, mas cada um possui suas particularidades. O português faz parte da família de línguas que se originou do latim (a qual chamamos de família latina ou românica). Vinda de Portugal no século 16, a língua portuguesa sofreu alterações quando chegou ao território brasileiro. O professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) Manoel Mourivaldo Santiago Almeida fala um pouco sobre o processo de formação dos diferentes sotaques.

    “Esse dialeto está em formação, variação e mudança desde seus primeiros contatos ocorridos na extensa região do então planalto de Piratininga entre falantes da língua portuguesa e das diversas línguas indígenas. A partir dos séculos 17 e 18, essa variedade se expandiu para o interior tanto paulista quanto brasileiro, principalmente para o Centro-Oeste do Brasil, tendo como caminho as águas do Tietê, pela ação dos bandeirantes e bolseiros, aqueles que se utilizam de vias fluviais, e também para o Sul do Brasil pela rota dos tropeiros. É preciso somar a esse contexto o contato entre as línguas africanas, da época da escravidão e também depois com as línguas europeias, como o italiano, dentre outras e de outros continentes”, afirma.

    A criação de sotaques diversos tem relação histórica: como exemplo, a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. “Por exemplo, é comum dizer que o C ou o S chiado no final de sílaba do falante carioca, como em casca, e que também está presente na maioria dos sotaques litorâneos do Sul ao Norte do Brasil, é devido à maior presença do português europeu, que também chia o C ou o S no mesmo contexto de final de sílaba, e é de prestígio. É um ingrediente sócio-histórico e cultural que ativa a formação e a constante variação em mudança de diferentes sotaques, dialetos ou variedades linguísticas em toda e qualquer língua, em todo e qualquer tempo, em todo e qualquer lugar”, acrescenta o professor da FFLCH.


    Morfologia e o estudo da língua portuguesa

    Em alguns casos, as variações morfológicas, como o uso de certas formas verbais ou pronominais, podem estar associadas a diferenças de sotaque. A morfologia trata de um modo geral do estudo da estrutura e formação das palavras. O professor Santiago Almeida exemplifica diferentes formas semânticas de estudar a variedade linguística. “Existem diferenças de diversas naturezas. Semântico-lexical, que trata da diferença de sentido de uma palavra de região para região, como mandioca, aipim, macaxeira, rapariga, moça. Morfossintática, que trata da diferença de construção de uma estrutura de uma frase ou de emprego de termos ou de concordância: tu vais, ele vai etc. Fonético-fonológico, que geralmente é a mais comentada e que trata da realização dos fonemas ou sons de uma língua. Por exemplo, os diferentes tipos de pronunciar um Re ou um R, como um retroflexo, porta, um aspirado ou um vibrante. E, como já foi dito, essas diferenças são reflexos da história social e cultural e dos contatos linguísticos de cada região ou lugar onde tais variações são percebidas”, comenta.


    Preconceito linguístico

    Apesar de ser um país extremamente diverso, o preconceito linguístico ainda é um fator existente no Brasil. O preconceito linguístico é a discriminação ou o julgamento negativo que ocorre com base na maneira como uma pessoa fala, escreve ou utiliza a língua. Ele se manifesta quando se valoriza uma forma de falar ou de escrever (geralmente a variante considerada “padrão” ou “culta”) em detrimento de outras variedades linguísticas, como dialetos regionais, sotaques ou formas de linguagem de grupos sociais específicos. O preconceito linguístico reflete desigualdades sociais e culturais, associando certas formas de falar a estereótipos de inferioridade, à falta de educação ou até mesmo à incapacidade.

    “Eu diria que não é só no Brasil, no mundo todo existem preconceitos linguísticos. O preconceito linguístico ocorre, obviamente, a partir da percepção que cada um tem naturalmente de variedades ou dialetos e sotaques distintos do seu sotaque, da sua variedade. O preconceito linguístico ou estigma tem a ver com a identificação do falante de uma determinada região ou grupo social que, por algum motivo, é também estigmatizado pelo preconceituoso”, discorre o professor.

    Esse tipo de preconceito ignora que as línguas são vivas e mudam conforme o contexto social e regional, e que a variação linguística é uma característica natural e legítima de qualquer idioma. A língua é parte essencial da identidade cultural de cada indivíduo e grupo social e discriminar alguém, com base no seu modo de falar, perpetua desigualdades históricas e sociais. Enfrentar esse preconceito é garantir o reconhecimento da diversidade linguística como uma riqueza cultural, além de assegurar que todos tenham igualdade de oportunidades, independentemente de sua forma de comunicar. A valorização das variantes linguísticas contribui para a construção de uma educação mais democrática e de um convívio social livre de discriminação.

    Santiago conclui ressaltando a importância da diversidade. “É preciso reconhecer que, quando se discute a variedade de uma determinada língua, com o risco de lhe imprimir um único selo ou lhe caracterizar por apenas uma de suas multifaces, o que se pode destacar dentro do redemoinho da variação infinita de toda e qualquer língua são tendências ao maior ou menor grau de inclinação para uma ou outra de suas multifaces. Aí, por ser a língua produto da ação histórica, sociocultural de seus falantes, podemos rumar por caminhos distintos quão distinta seja essa ação histórica, social e cultural. Enfim, basta que o tema seja posto, livre de qualquer inclinação que o conduza deliberadamente para o estigma daquilo que, por natureza, é diverso”, finaliza.

Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/diferenca-de-sotaques-apenas-demonstra-que-as-linguas-mudam-conforme-o-contexto-social-e-regional/.
Acesso em: 15 jul. 2026.

“É um ingrediente sócio-histórico e cultural [...]”


Assim como o vocábulo destacado, assinale a alternativa que apresenta uma palavra formada corretamente por hifenização.

Alternativas
Q4350935 Português

Texto para a questão.


Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade.


Nas favelas brasileiras, as apostas online não chegam como entretenimento. Chegam como promessa de renda. Em mais de dois anos de pesquisa, ouvi repetidamente: “Quem diz que joga por diversão está mentindo. Você joga por dinheiro, dinheiro fácil.”

Essa frase desmonta a ideia de lazer digital. O que emerge é outra coisa: uma economia informal mediada por plataformas. Pix instantâneo, depósitos mínimos de poucos reais, bônus de entrada e influenciadores exibindo ganhos. O cassino não se apresenta como um cassino. Se apresenta como oportunidade. Mas oportunidade para quem?

Pedro, de 32 anos, começou com pequenas apostas. Ganhou no início e teve a sensação de ter “entendido o sistema”. Quando perdeu, tentou recuperar. Apostar mais parecia lógico. Insistir parecia uma estratégia. O raciocínio era simples: continuar até reverter. Ele perdeu as economias da família.

Endividado, pegou dinheiro de alguém ligado ao tráfico. Sem conseguir pagar, passou a trabalhar para quitar a dívida, vendendo drogas. O que começou como promessa de renda terminou em violência, ruptura familiar e vergonha. O jogo saiu da tela e atravessou a vida.

A história de Roberta, de 40 anos, revela outro tipo de impacto. O dinheiro do mês começou a desaparecer em pequenos valores: Pix de dez, quinze, vinte reais. Isoladamente, pareciam irrelevantes. Somados, desorganizaram o orçamento.

O responsável era o neto, “o menino que entende de tecnologia”. Ele tinha acesso à conta, conhecia os aplicativos, os bônus e os horários de promoção. A curiosidade virou uma retirada constante de recursos essenciais. O impacto foi também relacional: a confiança familiar se rompeu.

Esses casos não são exceção. São padrão. As plataformas são desenhadas para manter os usuários. O primeiro ganho cria a sensação de possibilidade. O saque exige novos depósitos. Os bônus aparecem nos momentos certos. As perdas são reconfiguradas como aprendizado. Sempre há a promessa de recuperação.

Em contextos de precariedade, essa arquitetura encontra terreno fértil. Muitos dizem apostar apenas o dinheiro que sobra. Trata-se de fechar o mês, pagar contas, aliviar a pressão. Apostar vira estratégia de sobrevivência em um cenário de trabalho instável e de renda insuficiente. Mas essa estratégia aprofunda o problema.

As bets funcionam como infraestruturas financeiras paralelas. Não se aposta capital excedente, mas dinheiro de mercado, aluguel, remédio. Pequenas quantias que fazem falta concretamente.

O discurso dominante individualiza o risco: perdeu porque errou, ganhou porque mereceu. Essa lógica oculta que as probabilidades são estruturadas por algoritmos opacos, concebidos para garantir lucro às plataformas.

Enquanto isso, clubes exibem marcas de apostas; influenciadores lucram com cadastros e monetizam links. Entre jovens homens, apostar também se torna uma identidade. Demonstra capacidade de prover.

O resultado raramente é estabilidade. O que aparece são dívidas, conflitos familiares, depressão. Pequenos depósitos que corroem o orçamento. Pequenos empréstimos que viraram grandes dívidas. Pequenas mentiras que abalam relações.

Tratar isso como um vício individual é insuficiente. O que vemos é uma transformação estrutural: plataformas convertendo precariedade em especulação cotidiana. Ninguém aposta porque gosta de perder dinheiro. Aposta porque o salário não basta, a mobilidade parece distante e a promessa de ganho rápido se torna visível.

O problema é que a probabilidade raramente favorece quem já começa em desvantagem. O cassino está no bolso. Cada notificação é uma nova chance de transformar necessidade em risco.

No fim, o prejuízo atravessa casas e comunidades. As bets não são apenas jogos. São um modelo de negócios que transforma vulnerabilidade em lucro. E, quanto mais difícil é sobreviver, mais sedutora se torna a aposta.


NEMER, David. Nas favelas, apostas online vendem sobrevivência e entregam precariedade. 28/03/2026, às 22:00. Tendências e Debates. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/nas-favelas-apostas-online-vendem-sobrevivencia-e-entregamprecariedade.shtml. Acesso em: 23/03/2026.

A acentuação gráfica e a ortografia são instrumentos de registro da norma culta que obedecem a princípios fonéticos e morfológicos rigorosos. Com base nas regras vigentes do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e na doutrina gramatical contemporânea, examine as proposições abaixo e assinale a única alternativa tecnicamente correta.
Alternativas
Q4175949 Português
Assinale a opção em que a palavra está grafada corretamente.
Alternativas
Q4175937 Português

TEXTO


O Pavão


Eu considerei a glória de um pavão ostentando о esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.


Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.


Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


(BRAGA, Rubem. O pavão. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11513/o-pavao São Paulo. Global, 2005. <https://cronicabrasileira.orgbr/cronicas/11513/o-pavao%20São%20Paulo,%20Global,%202005.>  Acesso em 14 de setembro de 2025) 

Observe o trecho: "O pavão é um arco-íris de plumas." (1°§). Qual é a forma plural do substantivo composto destacado?
Alternativas
Q4175852 Português
Assinale a opção em que a palavra foi grafada corretamente segundo a norma-padrão.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: UFMT Órgão: PM-MT Prova: UFMT - 2025 - PM-MT - Oficial Complementar |
Q4202564 Português
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrou em vigor no Brasil a partir de 2009 e tornou-se obrigatório desde 2016. Dentre as alterações produzidas, o uso do hífen merece especial atenção. Em qual alternativa todas as palavras estão grafadas segundo esse acordo?
Alternativas
Q4157495 Português

Conto de Fadas do Século XXI 

Era uma vez... numa terra muito distante... uma princesa linda, independente e cheia de autoestima.

Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...

Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. 

Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.

Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.

Logo, tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:

- Eu, hein? Nem morta!

“[...] uma princesa linda, independente e cheia de autoestima.”
Em analogia à autoestima, há, da mesma forma, um vocábulo formado corretamente, sem auxílio de hifenização, destacado na alternativa:
Alternativas
Q3431502 Português

A questão refere-se ao Texto I.


Texto I 

Algumas dicas ajudam a melhorar a produção de hortas caseiras


Em uma empresa de Sorocaba (SP), vendas de mudas para hortas caseiras saltou de 5% para 20% em um período de quatro anos.


As hortas caseiras têm se tornado opção cada vez mais presente na mesa das pessoas. Os itens, cultivados com muito carinho e colhidos na hora, podem fazer toda a diferença na hora do consumo.


O mercado já percebeu essa mudança no estilo de vida da população. Em uma empresa, situada em Sorocaba (SP), as vendas de mudas de hortas caseiras saltaram de 5% para 20% em um período de quatro anos, com cerca de 180 mil unidades por semana.


Dentro de casa, é possível cultivar uma série de vegetais distintos. Entre eles, alface, rúcula, brócolis, couve-flor e pepino, garantindo uma alimentação mais saudável, sem agrotóxicos e com um maior valor nutricional.


"Tenho vários clientes que atendo em busca de uma vida mais saudável. É uma distração, uma terapia, uma ocupação. As pessoas relatam que esperam o final de semana para dar uma desestressada, fazendo o próprio manejo da horta ou plantando outras mudas", comenta Marcelo Higashi, dono do espaço.


Fonte: G1. Algumas dicas ajudam a melhorar a produção de hortas caseiras.

Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sorocabajundiai/nosso-campo/noticia/2025/02/09/algumas-dicas-ajudam-a-melhorar-a-producao-de-hortas-caseiras.ghtml. (Texto adaptado). Acesso em: 09 fev. 2025.

No trecho "Os itens, cultivados com muito carinho e colhidos na hora, fazem toda a diferença na hora do consumo.", caso houvesse a inclusão da palavra "bem" antes de cultivados, haveria necessidade de uso do hífen entre "bem" e "cultivados"? Marque a opção que apresenta a resposta correta para esse questionamento com base nas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3262380 Português

Leia como manchetes:



• Pequim se nega a receber o jogo da Argentina em ____________________ a Messi

(https://www.uol.com.br/esporte, 02.10.2024)


• _____________ de Direitos na Rede aprofunda diálogo com ANPD sobre regulamentação de inteligência artificial

(https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/noticias, 21.03.2024)


• ______________ ao mieloma precoce: novo tratamento no Brasil

(https://saude.abril.com.br, 29.03.2024)


• Em sociedades ________________, as universidades devem ser os principais líderes sociais em justiça restaurativa

(https://jornal.usp.br/, 11.11.2022)



De acordo com a ortografia oficial da língua portuguesa, as lacunas devem ser preenchidas, corretas e respectivamente, com:

Alternativas
Q2551751 Português
Acerca do uso do hífen, informe verdadeiro (V) ou falso (F) para as assertivas abaixo.
( ) Usa-se hífen em palavras compostas cujos elementos conservam sua autonomia fonética e acentuação própria, mas perderam sua significação individual para constituir uma unidade semântica, um conceito único, “amor-perfeito”.
( ) Não se usa o hífen em palavras que têm o primeiro elemento terminado em vogal e o segundo elemento iniciado com as mesmas vogais, como "microondas", seguindo a regra de que o hífen é omitido quando o segundo elemento começa com uma vogal diferente da vogal que termina o primeiro elemento.
( ) O hífen é utilizado em compostos em que o primeiro elemento termina em vogal e o segundo começa com 'r' ou 's', duplicando-se estas letras, como em "anti-rábico", de acordo com a regra de que o hífen deve ser usado antes de 'r' ou 's' para indicar a duplicação dessas consoantes.
( ) Emprega-se o hífen em palavras compostas quando o segundo elemento começa com 'h', como em "super-homem", porque o hífen é mantido para destacar a preservação da letra 'h' no início do segundo elemento.
( ) O hífen é utilizado em compostos quando o primeiro elemento termina em vogal e o segundo inicia com uma vogal diferente, como em "extra-escolar", conforme a regra que estipula a utilização do hífen se o segundo elemento começar com uma vogal distinta da que termina o primeiro elemento.
Marque a opção que apresenta a sequência correta.
Alternativas
Q2172974 Português
Leia, atentamente, o texto abaixo e, em seguida, responda a questão proposta.

O HOMEM TROCADO

Luís Fernando Veríssimo

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.

– Tudo perfeito – diz a enfermeira, sorrindo.

– Eu estava com medo desta operação…

– Por quê? Não havia risco nenhum.

– Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos…

E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.

– E o meu nome? Outro engano.

– Seu nome não é Lírio?

– Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e…

Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.

– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.

– O senhor não faz chamadas interurbanas?

– Eu não tenho telefone!

Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.

– Por quê?

– Ela me enganava.

Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:

– O senhor está desenganado. 

Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.

– Se você diz que a operação foi bem…

A enfermeira parou de sorrir.

– Apendicite? – perguntou, hesitante.

– É. A operação era para tirar o apêndice.

– Não era para trocar de sexo?

Fonte: https://contobrasileiro.com.br/o-homem-trocado-cronica-de-luis-fernando-verissimo/ Acesso em 23 de março de 2023
No texto de referência (O HOMEM TROCADO, de Luís Fernando Veríssimo), a palavra “interurbanas” está escrita corretamente porque o prefixo “inter” só é hifenizado quando a palavra a que ele se junta começar com “r” ou “h”:
Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com as regras vigentes sobre a aplicação ou não do hífen.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: IBGP Órgão: CBM-MG Prova: IBGP - 2023 - CBM-MG - Soldado |
Q2101598 Português
Considerando-se as normas estabelecidas pelo Novo Acordo Ortográfico, estão grafadas CORRETAMENTE as palavras:
Alternativas
Q2059893 Português
Arrume sua cama
Se você quiser mudar o mundo...
comece arrumando a sua cama 

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Fonte: MCCRAVEN, William H. Arrume a sua cama: pequenas atitudes que podem mudar a sua vida... e talvez o mundo. Trad. Eliana Rocha. 2. ed. São Paulo:
Planeta, 2019. p. 15-17. (Adaptado.)
Analise os enunciados que seguem.
I. Contente de verificar que eu satisfazia o alto padrão esperado (linha 14). O termo sublinhado, que é um advérbio, também poderia ser escrito auto, o que exigiria o emprego de hífen. II. A cama era tão simples quanto o dormitório (linha 16). A construção tão... quanto é prototípica e estabelece uma comparação de superioridade. III. Era minha primeira tarefa do dia e executá-la bem era importante (linhas 25 e 26). Nesse período, tem-se uma oração coordenada sindética aditiva.
Assinale  
Alternativas
Q2059802 Português
Nas formações com prefixos, como na palavra anti-horário (linha 14), o hífen deve ser empregado quando  
Alternativas
Q2059357 Português
TEXTO I
Incêndios na Europa: tragédias anunciadas?

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Disponível em: https://www.em.com.br/app/colunistas/sueli-vasconcelos/2022/07/25/noticia-sueli-vasconcelos,1382346/incendios-na-europa-tragediasanunciadas.shtml.
(Parcial e adaptado.)
Considereasafirmações aseguir.
I. O empredo do termo recordes (linha2) em vez de records justifica-se porque esta palavra foi aportuguesada. II. A ortografia da palavra anticiclones (linha 14) foi alterada na última reforma da Língua Portuguesa e o uso de hífen em presença do prefixo anti será exigido quando o segundo elemento iniciar com vogal ou “s”. III. A ortografia da palavra Intergovernamental (linha 22) não requer hífen, pois, desde a última reforma da Língua Portuguesa, o prefixo inter somente será separado por hífen quando o segundo elemento iniciar com“h “ou “r”.
Considerando as regras ortográficas vigentes, pode-se afirmar que
Alternativas
Q2058534 Português
Analise as afirmativas que seguem.  
I. A palavra Assembleia (linha 1) não é acentuada, apesar de ser uma oxítona terminada em ditongo aberto. II. A regra que justifica o emprego do indicativo de crase em referentes às hipóteses (linha 10) é a mesma para a ocorrência de crase em segunda à sexta-feira. III. O emprego de hífen em Comando-Geral (linha 27) se justifica, por ser uma palavra composta que mantém a noção de composição e a unidade de sentido.
Assinale
Alternativas
Q2045790 Português
FRUTOS NEM TÃO PROIBIDOS

Livro recém-lançado explica por que nossa dieta inclui
apenas uma fração das plantas comestíveis
disponíveis na natureza

    Será que todos os vegetais que não comemos são menos gostosos que broto de feijão? A pergunta é feita pelo professor de botânica John Warren, da Universidade Aberystwyth, no País de Gales, logo no início do livro The Nature of Crops: How We Came to Eat the Plants We Do (“A natureza da colheita: por que comemos as plantas que comemos”, em tradução livre), ainda sem edição no Brasil. Warren sempre ficou intrigado com a pouca variedade de vegetais que encontrava nas prateleiras do supermercado – das 300 mil espécies comestíveis de que se tem notícia, comemos apenas 200 (200 mesmo, não 200 mil) – e resolveu investigar por que foi que decidimos que salada boa é feita com alface e tomate, e não com dente-de-leão ou beldroega.
    Não existe uma única resposta certa. Para se tornarem cultiváveis a fim de fazer parte da dieta dos homens, as plantas devem ter uma série de qualificações no currículo. Primeiro, precisam ser nutritivas. Depois, devem ser fáceis de armazenar. Ter grãos, sementes ou frutas que sobrevivem muito tempo longe do pé sempre ajuda. Um último diferencial é a personalidade (e o cheiro) forte: plantas perfumadas, que combatem bactérias ou até as que são psicotrópicas sempre chamam a atenção. E, por incrível que pareça, as plantas tóxicas não estão excluídas automaticamente: muitos vegetais que consumimos hoje são descendentes de plantas potencialmente letais. 
    Por tudo isso, argumenta Warren, hoje o que realmente nos separa de uma dieta mais diversificada é a nossa própria imaginação: “No futuro, iremos apreciar toda uma miríade de novas frutas e vegetais que são melhores para a saúde e menos prejudiciais para a natureza”.

Adaptado de: KIST, Cristine. Frutos nem tão proibidos. Revista
Galileu, São Paulo, n. 290, p. 12-13, set. 2015.

Sobre o excerto “[...] salada boa é feita com alface e tomate, e não com dente-de-leão ou beldroega. Não existe uma única resposta certa.”, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q1989853 Português

O desemprego e a renitente crise econômica, ___________ após mais de dois anos de pandemia, têm provocado efeitos nefastos na já precária _________ habitacional da cidade de São Paulo. Para parte da população mais vulnerável, a solução entre comer e pagar o aluguel é viver em favelas – isso sem contar os que não conseguem escapar da situação de rua: o número de _________ avançou 31% durante a crise sanitária, atingindo ao menos 31.884 pessoas.

(Expulsos de casa. Editorial. Folha de S.Paulo, 27.06.2022. Adaptado)

De acordo com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com os termos:
Alternativas
Q1989100 Português

MILITARES DO GRUPO ESPECIAL DE INSPEÇÃO EM VOO (GEIV)

GARANTEM SEGURANÇA DO TRÁFEGO AÉREO BRASILEIRO


1§Para garantir a segurança do tráfego aéreo brasileiro, uma equipe de militares do Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV), da Força Aérea Brasileira (FAB), realiza uma espécie de fiscalização no ar, é a missão de Inspeção em Voo. As atividades acontecem por meio de aeronaves-laboratório, que, junto com radares, sistemas de aproximação, rádios, equipamentos de auxílio à navegação e luzes de orientação, proporcionam a circulação segura das aeronaves.

Subordinado ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o GEIV é responsável por testar, aferir e avaliar os chamados Auxílios e os Procedimentos de Navegação Aérea e integra o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). O Grupo participa da homologação e verificação periódica de aproximadamente 2.268 auxílios e procedimentos, realiza inspeções em todo o território nacional e, eventualmente, em outros países da América do Sul, de voo nas fases de decolagem, rota e pouso, principalmente em condições adversas de meteorologia.

2§Em dezembro de 2021, o GEIV recebeu a terceira aeronave IU-93M, proveniente do Projeto de Modernização. A plataforma da aeronave-laboratório foi atualizada com o Sistema de Display Integrado Pro Line 21, um aviônico da Rockwell Collins que facilita o voo e aumenta a consciência situacional. O sistema faz com que as informações vitais sejam facilmente acessíveis e compreensíveis, contribuindo para o dinamismo das missões de Inspeção em Voo. Ao longo do segundo semestre de 2021, o GEIV realizou a campanha de Avaliação Operacional (AVOP) do Projeto I-X (IU50 Legacy 500), contribuindo com relevante passo na sedimentação da implantação do projeto na FAB. “Ambos os passos, tanto a AVOP do IU-50 como o recebimento do IU-93M, colocam o GEIV na direção do futuro, tornando o Grupo capaz de inspecionar todos os tipos de auxílios e procedimentos à navegação aérea, contribuindo com a evolução do SISCEAB, conforme prevê o programa SIRIUS BRASIL”, explica o Comandante do GEIV, Tenente-Coronel Aviador Bruno Michel Marcondes Alves.

http://www.portal.intraer/portalintraer/cabine/publicacoes/notaer_fevereiro_2022.pdf (adaptado)

Marque a opção em que o substantivo segue a mesma regra de formação do plural de “aeronaves-laboratório”.
Alternativas
Q1874194 Português
Instrução: Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão.


A etiqueta digital
Regras para você não se tornar um inconveniente no celular

Falta de educação no celular e nas redes sociais é o que não falta. Novos tempos exigem novas regras. Eis algumas, mas não todas. Tornou-se importante aprender a não ser invasivo, chato ou simplesmente mal-educado.
[...]
KKKKKKKKKK – E quem responde tudo com “KKKKKKK”? É uma risada ou um relincho? A conversa não avança. “Como você está?” Resposta: “De quarentena KKKKKKK”. E por aí vai. Um kkk de leve, tudo bem. Mas o excesso é ridículo.
Fim de papo – Tem gente que não quer terminar a conversa. Eu trabalho de noite, todo mundo sabe. Se vem mensagem, me despeço rapidinho. “Tudo bem então, bjs”. A pessoa continua como se não tivesse lido. Eu me despeço de novo: “Ótimo, bjão”. Imediatamente desaba sobre mim uma conversa do tipo: “Estou triste hoje”. É o momento de iniciar confidência? Antes, eu me preocupava. “Está triste? O que houve?”... Hoje sou rápido: “Espero que fique bem. Bjs”. E desligo.
Vácuo – Horrendo é deixar o interlocutor no vácuo. Alguém me diz que vai viajar no fim de semana. “Para onde?” A pessoa some. Dali a três, quatro dias, reaparece. “Tudo bem?” Não se fala mais na conversa anterior. É péssimo.
Incluir alguém em um grupo sem perguntar – Abro meu celular. Há cinquenta mensagens de um grupo que não conheço. Piadas, papos... Alguém me botou na roda! Saio imediatamente. Mas meu número particular já se espalhou por não sei quantas pessoas. É muito deselegante. Antes de incluir alguém, pergunte se a pessoa concorda!
Pedir curtidas – Não tem coisa mais brega do que mendigar curtidas. Muitas vezes, se elogio um post, no direct, por amizade, vem o pedido: “Curte lá”. Se não curto, a pessoa fica ofendidíssima! Inacreditável. Curtida virou prova de amizade?

A deselegância impera. Tudo o que a pessoa não faz na vida real, apronta na internet. Por exemplo, mandar um nude sem que seja pedido. Nude está tão facinho! Diz aí: quando é apresentado a alguém, você tira a roupa imediatamente?

(CARRASCO, W. In: Revista Veja, edição de 8 de julho de 2020.)
A palavra composta mal-educado (linhas 2 e 3) é grafada com hífen, pois as palavras compostas com bem e mal devem ser escritas com hífen quando a segunda palavra começa por vogal ou h. Assinale a alternativa que apresenta exemplos da regra: O hífen não deverá ser usado quando a segunda palavra começar com uma letra diferente da última letra do prefixo. 
Alternativas
Respostas
1: D
2: D
3: A
4: A
5: A
6: E
7: B
8: D
9: C
10: C
11: D
12: C
13: E
14: B
15: B
16: E
17: E
18: B
19: D
20: E