Questões Militares Sobre colocação pronominal em português

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Q4381566 Português
TEXTO IV


“— Perdoai-me, senhora, aqui me tendes a vossos pés! tende pena de mim que eu sofri muito, que amei-vos, que vos amo muito! Compaixão! que serei vosso escravo, (...) ajoelhar-me-ei à noite à vossa porta, ouvirei vosso ressonar, vossas orações, vossos sonhos — e isso me bastará. — Serei vosso escravo e vosso cão, deitar-me-ei a vossos pés quando estiveres acordada, velarei com meu punhal quando a noite cair: e, se algum dia, se algum dia vós me puderes amar... então! então! ...”


AZEVEDO, Àlvares de. Noite na taverna. Porto Alegre: L & PM, 2009. p. 69.
Considerando a colocação pronominal no Texto IV, assinale a única alternativa em que seria possível deslocar o pronome “me” sem violar as regras gramaticais. 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: Exército Órgão: EsSA Prova: Exército - 2026 - EsSA - Sargento - Geral |
Q4381397 Português
TEXTO IV

“— Perdoai-me, senhora, aqui me tendes a vossos pés! tende pena de mim que eu sofri muito, que amei-vos, que vos amo muito! Compaixão! que serei vosso escravo, (...) ajoelhar-me-ei à noite à vossa porta, ouvirei vosso ressonar, vossas orações, vossos sonhos — e isso me bastará. — Serei vosso escravo e vosso cão, deitar-me-ei a vossos pés quando estiveres acordada, velarei com meu punhal quando a noite cair: e, se algum dia, se algum dia vós me puderes amar... então! então! ...”

AZEVEDO, Àlvares de. Noite na taverna. Porto Alegre: L & PM, 2009. p. 69.

Considerando a colocação pronominal no Texto IV, assinale a única alternativa em que seria possível deslocar o pronome “me” sem violar as regras gramaticais.
Alternativas
Q4372867 Português
Diferença de sotaques apenas demonstra que as línguas mudam conforme o contexto social e regional

    “Uai”, “bah”, “égua”, “oxe”, todas essas expressões fazem parte da diversidade linguística brasileira. Com cinco regiões e mais de 210 milhões de habitantes, o Brasil é um dos países mais diversificados do mundo. Com um vasto território, o idioma pode ser o mesmo, mas cada um possui suas particularidades. O português faz parte da família de línguas que se originou do latim (a qual chamamos de família latina ou românica). Vinda de Portugal no século 16, a língua portuguesa sofreu alterações quando chegou ao território brasileiro. O professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) Manoel Mourivaldo Santiago Almeida fala um pouco sobre o processo de formação dos diferentes sotaques.

    “Esse dialeto está em formação, variação e mudança desde seus primeiros contatos ocorridos na extensa região do então planalto de Piratininga entre falantes da língua portuguesa e das diversas línguas indígenas. A partir dos séculos 17 e 18, essa variedade se expandiu para o interior tanto paulista quanto brasileiro, principalmente para o Centro-Oeste do Brasil, tendo como caminho as águas do Tietê, pela ação dos bandeirantes e bolseiros, aqueles que se utilizam de vias fluviais, e também para o Sul do Brasil pela rota dos tropeiros. É preciso somar a esse contexto o contato entre as línguas africanas, da época da escravidão e também depois com as línguas europeias, como o italiano, dentre outras e de outros continentes”, afirma.

    A criação de sotaques diversos tem relação histórica: como exemplo, a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. “Por exemplo, é comum dizer que o C ou o S chiado no final de sílaba do falante carioca, como em casca, e que também está presente na maioria dos sotaques litorâneos do Sul ao Norte do Brasil, é devido à maior presença do português europeu, que também chia o C ou o S no mesmo contexto de final de sílaba, e é de prestígio. É um ingrediente sócio-histórico e cultural que ativa a formação e a constante variação em mudança de diferentes sotaques, dialetos ou variedades linguísticas em toda e qualquer língua, em todo e qualquer tempo, em todo e qualquer lugar”, acrescenta o professor da FFLCH.


    Morfologia e o estudo da língua portuguesa

    Em alguns casos, as variações morfológicas, como o uso de certas formas verbais ou pronominais, podem estar associadas a diferenças de sotaque. A morfologia trata de um modo geral do estudo da estrutura e formação das palavras. O professor Santiago Almeida exemplifica diferentes formas semânticas de estudar a variedade linguística. “Existem diferenças de diversas naturezas. Semântico-lexical, que trata da diferença de sentido de uma palavra de região para região, como mandioca, aipim, macaxeira, rapariga, moça. Morfossintática, que trata da diferença de construção de uma estrutura de uma frase ou de emprego de termos ou de concordância: tu vais, ele vai etc. Fonético-fonológico, que geralmente é a mais comentada e que trata da realização dos fonemas ou sons de uma língua. Por exemplo, os diferentes tipos de pronunciar um Re ou um R, como um retroflexo, porta, um aspirado ou um vibrante. E, como já foi dito, essas diferenças são reflexos da história social e cultural e dos contatos linguísticos de cada região ou lugar onde tais variações são percebidas”, comenta.


    Preconceito linguístico

    Apesar de ser um país extremamente diverso, o preconceito linguístico ainda é um fator existente no Brasil. O preconceito linguístico é a discriminação ou o julgamento negativo que ocorre com base na maneira como uma pessoa fala, escreve ou utiliza a língua. Ele se manifesta quando se valoriza uma forma de falar ou de escrever (geralmente a variante considerada “padrão” ou “culta”) em detrimento de outras variedades linguísticas, como dialetos regionais, sotaques ou formas de linguagem de grupos sociais específicos. O preconceito linguístico reflete desigualdades sociais e culturais, associando certas formas de falar a estereótipos de inferioridade, à falta de educação ou até mesmo à incapacidade.

    “Eu diria que não é só no Brasil, no mundo todo existem preconceitos linguísticos. O preconceito linguístico ocorre, obviamente, a partir da percepção que cada um tem naturalmente de variedades ou dialetos e sotaques distintos do seu sotaque, da sua variedade. O preconceito linguístico ou estigma tem a ver com a identificação do falante de uma determinada região ou grupo social que, por algum motivo, é também estigmatizado pelo preconceituoso”, discorre o professor.

    Esse tipo de preconceito ignora que as línguas são vivas e mudam conforme o contexto social e regional, e que a variação linguística é uma característica natural e legítima de qualquer idioma. A língua é parte essencial da identidade cultural de cada indivíduo e grupo social e discriminar alguém, com base no seu modo de falar, perpetua desigualdades históricas e sociais. Enfrentar esse preconceito é garantir o reconhecimento da diversidade linguística como uma riqueza cultural, além de assegurar que todos tenham igualdade de oportunidades, independentemente de sua forma de comunicar. A valorização das variantes linguísticas contribui para a construção de uma educação mais democrática e de um convívio social livre de discriminação.

    Santiago conclui ressaltando a importância da diversidade. “É preciso reconhecer que, quando se discute a variedade de uma determinada língua, com o risco de lhe imprimir um único selo ou lhe caracterizar por apenas uma de suas multifaces, o que se pode destacar dentro do redemoinho da variação infinita de toda e qualquer língua são tendências ao maior ou menor grau de inclinação para uma ou outra de suas multifaces. Aí, por ser a língua produto da ação histórica, sociocultural de seus falantes, podemos rumar por caminhos distintos quão distinta seja essa ação histórica, social e cultural. Enfim, basta que o tema seja posto, livre de qualquer inclinação que o conduza deliberadamente para o estigma daquilo que, por natureza, é diverso”, finaliza.

Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/diferenca-de-sotaques-apenas-demonstra-que-as-linguas-mudam-conforme-o-contexto-social-e-regional/.
Acesso em: 15 jul. 2026.
“É preciso reconhecer que, quando se discute a variedade de uma determinada língua, com o risco de lhe¹ imprimir um único selo ou lhe² caracterizar por apenas uma de suas multifaces [...]”
Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, é correto afirmar, acerca dos termos enumerados, que:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Cadete PM |
Q4246600 Português
Para responder à questão, leia o capítulo XVI e o início do capítulo XVII do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


Capítulo XVI

Uma reflexão imoral

     Ocorre-me uma reflexão imoral, que é ao mesmo tempo uma correção de estilo. Cuido haver dito, no cap. XIV, que Marcela morria de amores pelo Xavier. Não morria, vivia. Viver não é a mesma coisa que morrer; assim o afirmam todos os joalheiros desse mundo, gente muito vista na gramática. Bons joalheiros, que seria do amor se não fossem os vossos dixes1 e fiados? Um terço ou um quinto do universal comércio dos corações. Esta é a reflexão imoral que eu pretendia fazer, a qual é ainda mais obscura do que imoral, porque não se entende bem o que eu quero dizer. O que eu quero dizer é que a mais bela testa do mundo não fica menos bela, se a cingir um diadema de pedras finas; nem menos bela, nem menos amada. Marcela, por exemplo, que era bem bonita, Marcela amou-me...


Capítulo XVII

Do trapézio e outras coisas

    ... Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem2 dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.
    — Desta vez, disse ele, vais para a Europa; vais cursar uma universidade, provavelmente Coimbra; quero-te para homem sério e não para arruador e gatuno. E como eu fizesse um gesto de espanto: — Gatuno, sim, senhor; não é outra coisa um filho que me faz isto...
    Sacou da algibeira os meus títulos de dívida, já resgatados por ele, e sacudiu-mos na cara. — Vês, peralta? é assim que um moço deve zelar o nome dos seus? Pensas que eu e meus avós ganhamos o dinheiro em casas de jogo ou a vadiar pelas ruas? Pelintra3 ! Desta vez ou tomas juízo, ou ficas sem coisa nenhuma.
    Estava furioso, mas de um furor temperado e curto. Eu ouvi-o calado, e nada opus à ordem da viagem, como de outras vezes fizera; ruminava a ideia de levar Marcela comigo. Fui ter com ela; expus-lhe a crise e fiz-lhe a proposta. Marcela ouviu-me com os olhos no ar, sem responder logo; como insistisse, disse-me que ficava, que não podia ir para a Europa.

(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)

1 dixes: joias.
2 aragem: vento, brisa (por figura, evaporação, sumiço).
3 pelintra: sem-vergonha.
“Sacou da algibeira os meus títulos de dívida, já resgatados por ele, e sacudiu-mos na cara.” (Capítulo XVII)

O termo “mos” constitui a contração de dois pronomes. Esses dois pronomes referem-se 
Alternativas
Q4192542 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão



As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz


    Não é trivial analisar, ao menos a meus olhos míopes, a complexidade do mundo de hoje, e, menos ainda, ter claro como deveríamos lidar com o que há, e com o que o destino nos traz. Uma provocação interessante seria explorar eventuais conexões entre “fato” (aquilo que foi feito), “fado” (destino, aquilo que foi dito, postulado por alguma transcendência) e “fatalidade”, um acontecimento vivido como destino.


    Quando sentimos a serenidade abalada, vem à memória o torturado solilóquio* de Hamlet: o dilema entre sofrer passivamente as flechas da fortuna**, ou postar-se contra o mar de aflições. O célebre trecho não refletiria uma opção entre coragem e covardia, mas entre duas atitudes diante da fatalidade. Hamlet sabe que “o mar” não pode ser derrotado e hesita, não porque teme agir, mas porque sabe que sua ação não resolverá o mundo. A pergunta dele talvez não seja “o que se deve escolher?”, mas “como viver com o que não escolhemos?”.


    Para os estoicos, o destino não é capricho dos deuses, mas uma necessidade racional do cosmos. A ética consistiria em viver de acordo com a natureza, aceitar o que não depende de nós e agir virtuosamente no que depende. O estoico não se queixa, rejeita o ressentimento e mantém a dignidade sem ilusões; o mundo seria, no fundo, compreensível, e a serenidade, possível.


    Uma terceira via, que seguiria sem rebelar-se ao fado, nem tentar sua “domesticação” via razão, seria a adotada por Nietzsche: o “amor fati”, literalmente “amor ao destino”, amor ao mundo como é, sem buscar desculpas. Em Ecce Homo, ele afirma: “Minha receita para a grandeza do ser humano (amor fati) é não querer nada diferente, nem para frente, nem para trás, por toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, ou justificá-lo, mas amá-lo”. Assumir o destino como fato, e responder por ele, sem a resignação estoica, nem a hesitação hamletiana. Não se questiona se o mundo é justo, racional ou digno; pergunta-se apenas se somos capazes de afirmá-lo. Amor fati – amar o destino – seria a recusa radical ao álibi. Não cabe dizer “tudo acontece por alguma razão”, mas sim afirmar “isto aconteceu – e eu o assumo”. Amar o destino é tratar o fado como se fato fosse, não no sentido de tê-lo causado, mas em responder por ele.


    Amenizando, haveria talvez ainda outra resposta, bem menos rebuscada e muito mais conhecida, que veio de um conjunto musical nos anos 70. Ela nos tranquiliza lembrando-nos que, quando estamos em tempos de tribulação, “… a mãe Maria vem a mim e me diz, com palavras de sabedoria, ‘deixa estar’”… Let it be!



(Demi Getschko, “As dificuldades para lidar com o que o destino nos traz”, O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/economia/demi-getschko/as-dificuldades-para-lidar-com-o-que-o-destino-nos-traz/. Adaptado)



*Solilóquio: monólogo.
**Fortuna: destino, fado.
Assinale a alternativa que reescreve passagem do texto de acordo com a norma-padrão de concordância verbal e de colocação dos pronomes átonos.
Alternativas
Q4190795 Português
Leia o texto para responder à questão.


      Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

    Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna1 e mais longos que seu talhe de palmeira.

    O favo da jati2 não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

     Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu3 , onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara4 . O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

   Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica5 , mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem, os pássaros ameigavam o canto.

    Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará6 as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

    A graciosa ará7 , sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru8 de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá9 , as agulhas da juçara10 com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.


(José de Alencar, Iracema. 2020)


Vocabulário:


1 Graúna – É o pássaro conhecido de cor negra luzidia. Seu nome vem de guira (pássaro) e una (abreviação de pixuna – preto).

2 Jati – Pequena abelha.

3 Ipu – Certa qualidade de terra muito fértil, que forma grandes coroas ou ilhas no meio dos tabuleiros e sertões. Daí se deriva o nome desse local.

4 Tabajaras – Senhores das aldeias, de taba (aldeia) e jara (senhor). Essa nação dominava o interior da província, especialmente a serra de Ibiapaba.

5 Oiticica – Árvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura de sua sombra.

6 Gará – Ave paludal, muito conhecida pelo nome de guará. Também assim chamada pela bela cor vermelha.

7 Ará – Periquito.

8 Uru – Cestinho que servia de cofre às selvagens para guardar seus objetos de mais preço e estimação.

9 Crautá – Bromélia vulgar, de que se tiram fibras tão ou mais finas que as do linho.

10 Juçara – Palmeira de grandes espinhos.
A colocação pronominal e o emprego das formas verbais estão em conformidade com a norma-padrão em:
Alternativas
Q4187025 Português
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO


     O estresse compreende uma resposta física, normal para acontecimentos que fazem o indivíduo se sentir ameaçado ou quando o indivíduo está sobre pressão, sendo uma posição de alerta de autoproteção, podendo ser definido como uma totalização de estímulos físicos e mentais da inaptidão para definir o que é fato, e que são os anseios pessoais (NICOLAU, 2009). Os riscos inerentes à atividade de segurança pública remetem a situações de incertezas e tensões constantes, mesmo após o turno de trabalho; isto se dá pela visibilidade ligada ao uso da farda e de mesmo modo pela perseguição motivada pela vingança (SILVA, 2009). Essa tensão constante desencadeia um processo de estresse ininterrupto, deixa o corpo em sinal constante de alerta, gerando um estresse crônico deixando o indivíduo vulnerável a ansiedade e a depressão.

    O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é uma desordem da ansiedade distinta por um composto de ações/reações e manifestações físicas, mentais e emocionais devido à sequela de traumas vividos que, em geralmente, despertaram perigo à vida. A recordação remete a todo o sofrimento vivido na ocasião, resultando em modificações neurofisiológicas e mentais (VARELLA, 2016). O transtorno é desenvolvido em pessoas que estiveram envolvidas em episódios de violência urbana, guerra, agressão física, tortura, assalto, sequestro, acidentes, dentre outros. Assim, as ameaças consistentes de morte ou ferimentos graves para si ou para outros, são situações diárias presentes nas atividades do agente da segurança pública que, motivam o adoecimento silencioso (FIGUEIRA e MENDLOWICZ, 2003).

    Para Mendes (2013) o desgaste emocional provocado pela forma de trabalho, principalmente no caso do trabalho do policial militar contribui de modo significativo na motivação de transtornos relacionados ao estresse, como nos episódios de depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, e doenças psicossomáticas. Para o autor, as pessoas acometidas pelas implicações estressoras laborais possuem um baixo rendimento no trabalho e comumente estão irritadas e deprimidas.

    A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional decorre do estresse laboral, sendo distinguida por uma exaustão emocional, somada a uma autoavaliação negativa, depressão e insensibilidade com relação à vida como um todo. A instauração da síndrome poderá estar relacionada, também, com as relações de subordinação (ALMEIDA, 2007). Observa-se que as doenças ocasionadas pela prática laboral em muitos casos só são entendidas quando em estágios graves. Isto ocorre devido aos sintomas serem comuns e confundidos com moléstias diversas que disfarçam a identificação precoce da doença, gerando um sofrer silencioso e incompreendido por muitos colegas de trabalho e até por familiares.

    Esta síndrome incide em maior número de profissionais, cuja função é cuidar de outras pessoas, tais como: médicos, policiais, bombeiros, agentes penitenciários, dentre outros (ALMEIDA, 2007).


CRUZ, W. H. A saúde mental dos agentes de segurança pública. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-saude-mental-dos-agentes-deseguranca-publica/1630178796 Acesso em: 23 jan. 2026. Adaptado.
Considere o seguinte trecho adaptado do 1º parágrafo: “O estresse compreende uma resposta física (...) podendo ser definido como uma totalização de estímulos (...) que deixam o indivíduo vulnerável”. Assinale a alternativa em que a substituição dos termos sublinhados por pronomes átonos foi realizada de acordo com a norma-padrão.
Alternativas
Q4175954 Português
Assinale a opção em que a colocação pronominal está correta. 
Alternativas
Q4175943 Português

TEXTO


O Pavão


Eu considerei a glória de um pavão ostentando о esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.


Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.


Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


(BRAGA, Rubem. O pavão. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/11513/o-pavao São Paulo. Global, 2005. <https://cronicabrasileira.orgbr/cronicas/11513/o-pavao%20São%20Paulo,%20Global,%202005.>  Acesso em 14 de setembro de 2025) 

No trecho: "Ele me cobre de glórias [...]" (3°§), a colocação pronominal foi feita corretamente. Assinale a opção em que o pronome NÃO está posicionado de acordo com a norma-padrão.
Alternativas
Q4175836 Português

TEXTO 


Uma ideia toda azul


    Um dia o Rei teve uma ideia.


    Era a primeira vida toda, e tão maravilhado ficou com aquela ideia azul, que não quis saber de contar aos ministros. Desceu com ela para o jardim, correu com ela nos gramados, brincou com ela de esconder entre outros pensamentos, encontrando-a sempre com igual alegria, linda ideia dele toda azul.


    Brincaram até o Rei adormecer encostado numa árvore.


    Foi acordar tateando a coroa e procurando a ideia, para perceber o perigo. Sozinha no seu sono, solta e tão bonita, a ideia poderia ter chamado a atenção de alguém. Bastaria esse alguém pegá-la e levar. É tão fácil roubar uma ideia. Quem jamais saberia que já tinha dono?


    Com a ideia escondida debaixo do manto, o Rei voltou para o castelo. Esperou a noite. Quando todos os olhos se fecharam, saiu dos seus aposentos, atravessou salões, desceu escadas, subiu degraus, até chegar ao Corredor das Salas do Tempo. Portas fechadas, e o silêncio. Que sala escolher?


    Diante de cada porta o Rei parava, pensava, e seguia adiante. Até chegar à Sala do Sono. Abriu. Na sala acolchoada, os pés do Rei afundavam até o tornozelo, o olhar se embaraçava em gases, cortinas e véus pendurados como teias. Sala de quase escuro, sempre igual. O Rei deitou a ideia adormecida na cama de marfim, baixou o cortinado, saiu e trancou a porta.


    A chave, prendeu no pescoço em grossa corrente.


    E nunca mais mexeu nela.


    O tempo correu seus anos. Ideias o Rei não teve mais, nem sentiu falta, tão ocupado estava em governar. Envelhecia sem perceber, diante dos educados espelhos que mentiam a verdade.


    Apenas sentia-se mais triste e mais só, sem que nunca mais tivesse tido vontade de brincar nos jardins.


    Só os ministros viam a velhice do Rei. Quando a cabeça ficou toda branca, disseram-lhe que já podia descansar e lhe libertaram do manto.


    Posta a coroa sobre a almofada, o Rei logo levou a mão à corrente.


    — Ninguém mais se ocupa de mim — dizia atravessando salões e descendo escadas a caminho das Salas do Tempo — ninguém mais me olha. Agora posso buscar minha linda ideia e guardá-la só para mim.


    Abriu a porta, levantou o cortinado.


    Na cama de marfim, a ideia dormia azul como naquele dia. E linda. Mas o Rei não era mais o Rei daquele dia. Entre ele e a ideia estava todo o tempo passado lá fora, o tempo todo parado na Sala do Sono. Seus olhos não viam na ideia a mesma graça. Brincar não queria, nem rir. Que fazer com ela? Nunca mais saberiam estar juntos como naquele dia.


    Tentando na beira da cama o Rei chorou suas duas últimas lágrimas, as que tinha guardado para a maior tristeza. Depois baixou o cortinado, e deixando a ideia adormecida, fechou para sempre a porta.


(COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo, Global, 2005.)

No trecho: "Ninguém mais se ocupa de mim [...]". (12°§), a colocação pronominal foi feita corretamente. Em qual frase a próclise foi usada pelo mesmo motivo do trecho destacado?
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Ano: 2026 Banca: CIAAR Órgão: CIAAR Provas: CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Alergologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Medicina Nuclear | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Mastologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Medicina de Família e Comunidade | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Ginecologia e Obstetrícia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Hematologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Medicina do Trabalho | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Clínica Médica | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Hemoterapia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Medicina Intensiva | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Psiquiatria | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Dermatologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Infectologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Médico Generalista | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Radiologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Endocrinologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Reumatologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Nefrologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Urologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Gastroenterologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Geriatria | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Neurocirurgia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Pediatria | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Pediatria Neonatal | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia de Cabeça e Pescoço | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Geral | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Plástica | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Pneumologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cirurgia Vascular Periférica | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Proctologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Neurologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Oftalmologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Ortopedia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Otorrinolaringologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Anatomia Patológica | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Anestesiologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cancerologia | CIAAR - 2026 - CIAAR - Médico da Aeronáutica - Cardiologia |
Q4139827 Português
Assinale a alternativa cujo enunciado apresenta corretamente a colocação do pronome em relação ao verbo, à luz da norma-padrão, considerando fatores de atração, tempos verbais e a estrutura sintática do período.
Alternativas
Q4375652 Português
Texto para as questão.

Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

    Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem — nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem. Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existência: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos, durante quase dois milênios, desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana.
    Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.
    Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

Prefácio do livro Análise de texto: fundamentos e prática, de Irandé Antunes.

Em se tratando da colocação dos pronomes na passagem a seguir, é correto o que se diz em:
"Me¹ ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se2 relacionam com a água."
Alternativas
Q4171503 Português

Texto 1



O FIM DO MUNDO


    A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembrava-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.


    Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as flores do tapete.


Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.


    Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?


    Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido muito peculiar a cada uma.


    Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.


    O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que ainda nem numa crônica.


    Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.


    Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.


    Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.


    Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...


MEIRELES, Cecília. Quatro Vozes. Rio de Janeiro:

Editora Record, 2002.

Observe o trecho abaixo.


"(...) o mundo não se acabou (...)."-4°§


Assinale a opção em que ocorre a colocação pronominal pelo mesmo motivo do termo destacado.

Alternativas
Ano: 2025 Banca: IDECAN Órgão: PM-BA Prova: IDECAN - 2025 - PM-BA - Oficial Auxiliar |
Q3259206 Português
No trecho “Deu-lhe a fortuna um emprego suave”, o uso do pronome “lhe” obedece às regras de colocação pronominal. Nesse sentido, assinale a alternativa em que os pronomes são utilizados de acordo com a norma padrão.
Alternativas
Q3256058 Português
Texto 2


Por parte de pai 


    Debruçado na janela meu avô espreitava a rua da Paciência, inclinada e estreita. Nascia lá em cima, entre casas miúdas e se espichava preguiçosa, morro abaixo. Morria depois da curva, num largo com sapataria, armazém, armarinho, farmácia, igreja, tudo perto da escola Maria Tangará, no Alto de São Francisco.

    [...] Eu brincava na rua, procurando o além dos olhos, entre pedras redondas e irregulares calçando a rua da Paciência. Depois das chuvas, essas pedras centenárias, cinza, ficavam lisas e limpas, cercadas de umidade e areia lavada. Nas enxurradas desciam lascas de malacheta brilhando como ouro e prata, conforme a luz do sol.  

    [...] Meu avô, pela janela, me vigiava ou abençoava, até hoje não sei, com seu olhar espantado de quem vê cada coisa pela primeira vez. E aqueles que por ali passavam lhe cumprimentavam: “Oi, seu Queirós”. Ele respondia e rimava: "Tem dó de nós". Minha avo, assentada na sala, fazendo bico de croché em pano de prato, não via a rua. 

    [...] O café, colhido no quintal da casa, dava para o ano todo, gabava meu avô, espalhando a colheita pelo chão de terreiro, para secar. O quintal se estendia para muito depois do olhar, acordando surpresa em cada sombra. Torrado em panela de ferro, o café era moído preso no portal da cozinha. O café do bule era grosso e forte, o da cafeteira, fraco e doce. Um para adultos e outro para crianças. O aroma do café se espalhava pela casa, despertando a vontade de mastigar queijo, saborear bolo de fubá, comer biscoito de polvilho, assado em forno de cupim. [...] Minha avó, coado o café, deixava o bule e a cafeteira sobre a mesa forrada com toalha de ponto cruz, e esperava as quitandeiras.

    Tudo se comprava na porta: verduras, leite, doces, pães. Com a caderneta do armazém comprava-se o que não podia ser plantado em casa. No final do mês, ao pagar a conta ganhava-se uma lata de marmelada. 

    Depois do cafezal, na divisa com a serra, corria o córrego, fino e transparente. Tomávamos banho pelados, até a ponta dos dedos ficarem enrugadas. Meu avô raras vezes, nos fazia companhia. 

    [...] Meu avô conhecia o nome das frutas. Na hora de volitar, ele trazia, se equilibrando pelos caminhos, uma lata de areia para minha avó arear as panelas de ferro. 

    [...] Atrás da horta havia chiqueiro onde três ou quatro porcos dormiam e comiam, sem desconfiar do futuro. Se eu fosse porco não engordava nunca, imaginava. Ia passar fome, fazer regime, para continuar vivendo, 

    [...] Meu avô me convidou, naquela tarde, para me assentar ao seu lado nesse banco cansado. Pegou minha mão e, sem tirar os olhos do horizonte, me contou: 

    O tempo tem uma boca imensa. Com sua boca do tamanho da eternidade ele vai devorando tudo, sem piedade. O tempo não tem pena. Mastiga rios, arvores, crepúsculos. Tritura os dias, as noites, o sol, a lua, as estrelas. Ele é o dono de tudo. Pacientemente ele engole todas as coisas, degustando nuvens, chuvas, terras, lavouras. Ele consome as historias e saboreia os amores. Nada fica para depois do tempo. 

    [...] As madrugadas, os sonhos, as decisões, duram na boca do tempo. Sua garganta traga as estações, os milénios, o ocidente, o oriente, tudo sem retorno. E nós, meu neto, marchamos em direção a boca do tempo. 

    Meu avô foi abaixando a cabeça e seus olhos tocaram em nossas mãos entrelaçadas. Eu achei serem pingos de chuva as gotas rolando sobre os meus dedos, mas a noite estava clara, como tudo mais. 


Queirós, Bartolomeu Campos. Por parte de pai. Belo Horizonte: RHJ, 1995. 

No trecho abaixo, a colocação do pronome obliquo “se",antes do verbo “comprar’, esta de acordo com a normaculta da língua.


“Tudo se comprava na porta: verduras, leite, doces, pães.” (5°§)


De acordo com a norma culta, a colocação do pronomeobliquo atono antes do verbo no trecho acima esta correta porque: 

Alternativas
Q3226481 Português

ÁGUAS DO MAR



    Aí está ele, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.

    Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.

    Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

    São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.

    Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.

    Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem Ihe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.

    O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.

    Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com a altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes bons.

    E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto.

    Mergulha de novo, de novo bebe, mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe о que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica, pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação.

    Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas - ah nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas - mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. As vezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera.

    E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.


LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2020



Observe o trecho abaixo.


"Às vezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com força para trás (...)". 11°§


Em qual opção ocorre próclise pelo mesmo motivo do termo destacado?

Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: PM-SP Prova: FGV - 2025 - PM-SP - Soldado PM de 2ª Classe |
Q3206722 Português
Assinale a frase em que a colocação do pronome pessoal oblíquo está correta.
Alternativas
Q4181444 Português
Missão da Nasa decola rumo ao asteroide Psyche

A agência espacial americana alça voo para o asteroide Psyche, na busca por compreender os mistérios de um mundo metalizado, revelando segredos da formação do sistema solar

Publicado em 13 de outubro de 2023, 12h12


     A Nasa lançou, nesta sexta-feira, 13, uma missão ao distante asteroide Psyche, um mundo feito de metal até então não estudado, que os cientistas acreditam que poderia ser o núcleo de um antigo corpo celeste.

    A sonda da missão Psyche decolou conforme planejado, às 10h19, horário local (11h19 no horário de Brasília), do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX.

[...]

    A humanidade já visitou mundos feitos de rochas, gelo ou gás. Mas "esta será a primeira vez que o fará em um mundo que tem uma superfície metálica", disse Lindy Elkins-Tanton, gestora científica da missão, em coletiva de imprensa.

   A viagem será longa: Psyche está localizada na parte externa do cinturão de asteroides, entre as órbitas de Marte e Júpiter. A sonda da Nasa percorrerá cerca de 3,5 bilhões de quilômetros para chegar até lá, provavelmente no verão boreal (hemisfério norte) de 2029.

   Graças à luz refletida em sua superfície, os cientistas sabem que Psyche é muito densa e feita de metal, além de algum outro material, talvez rochas. "Não sabemos realmente como é Psyche", explicou a pesquisadora. "Costumo brincar que tem o formato de uma batata, porque as batatas têm vários formatos diferentes, então não estou errada".

    Os cientistas pensam que Psyche, com mais de 200 quilômetros de comprimento, pode ser o núcleo de um antigo corpo celeste, cuja superfície foi arrancada por impactos de asteroides.

    A Terra, como Marte, Vênus e Mercúrio, tem um núcleo metálico. "Nunca veremos esses núcleos, é muito quente e muito profundo", disse Lindy ElkinsTanton. A missão a Psyche é, portanto, "nossa única maneira de ver um núcleo".

[...]

   A sonda permanecerá em órbita ao redor de Psyche por pouco mais de dois anos para estudá-la, alternando entre diversas altitudes.

  Serão utilizados três instrumentos científicos: imagens multiespectrais para fotografá-lo, espectrômetros para determinar sua composição e magnetômetros para medir seu campo magnético.

  Para se deslocar, a sonda também utilizará propulsores de efeito Hall, uma novidade nas viagens interplanetárias. Esses motores utilizam a eletricidade fornecida pelos painéis solares da sonda para obter íons de um gás nobre (gás xenônio), que são acelerados pela passagem por um campo elétrico.

   Eles são, então, ejetados em alta velocidade, "cinco vezes mais rápido que o combustível que sai de um foguete convencional", disse David Oh, engenheiro da Nasa. "É o tipo de coisa que vimos em Star Wars e Star Trek, mas hoje estamos tornando o futuro uma realidade", disse ele.

   A missão Psyche também testará um sistema de comunicação a laser, que deverá permitir a transmissão de mais dados do que comunicações por rádio.


Adaptado de: https://exame.com/ciencia/missao-da-nasa-decolarumo-ao-asteroide-psyche/. Acesso em: 14 nov 2023. 
Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3264217 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.  


Incentivo bem-vindo


    Políticas de transferência de renda, quando bem desenhadas e focadas, já se provaram altamente positivas no Brasil e em outros países com grande desigualdade social. A eficácia aumenta quando são centradas em alvos específicos e exigem contrapartidas dos beneficiados. Essa premissa parece ter sido seguida no projeto de lei que cria a Poupança do Ensino Médio, mais conhecido como Pé de Meia, com o objetivo de estimular jovens de baixa renda a concluírem o ensino médio.

    Como bem se sabe, os indicadores educacionais têm sido há décadas um dos principais gargalos para o crescimento econômico e a redução da desigualdade social no Brasil. Manter as crianças na escola foi uma contrapartida incluída pelos gestores públicos para as famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Escola, no fim dos anos 1990. Com a ampliação desse programa de transferência de renda para o Bolsa Família, na década seguinte, essa e outras exigências foram sabiamente preservadas. O resultado foi o inegável salto nas estatísticas de conclusão do Ensino Fundamental 1 e menos crianças expostas à mendicância.

    Aos quesitos básicos para manter-se no programa – assistir às aulas e obter a aprovação no ano letivo –, somam-se as obrigações de concluir o Ensino Médio e realizar os exames do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) e do Enem. Ingressar em uma faculdade, obviamente, será decisão pessoal. Mas os elementos essenciais, em tese, estarão dados.

    Todo esforço é válido para estimular o acesso de jovens de baixa renda ao mercado de trabalho e às universidades. Obviamente, não basta que os alunos sejam incentivados a ficar na escola. É preciso que a escola seja boa o bastante para fazer a diferença na vida desses estudantes.


(Opinião, 19.01.2024. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/opiniao. Adaptado)
 
A colocação pronominal atende à norma-padrão em: 
Alternativas
Q2551741 Português
A questão refere-se ao texto II.

Texto II

Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros buscam alimentação saudável

A maioria dos brasileiros se esforça para manter uma alimentação saudável, buscando consumir produtos mais frescos e nutricionalmente ricos. O resultado faz parte de levantamento inédito divulgado hoje (23) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Oito em cada dez brasileiros afirmam que se esforçam para ter uma alimentação saudável e 71% dos entrevistados apontam que preferem produtos mais saudáveis, mesmo que tenham que pagar caro por eles. O mesmo percentual (71%) admite estar satisfeito com a própria alimentação. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, alimentos saudáveis ajudam a regular o metabolismo. A pesquisa ouviu 3 mil pessoas com mais de 16 anos em 12 regiões metropolitanas brasileiras, entre setembro e outubro do ano passado. A margem de erro é de 1.8 pontos percentuais. O levantamento também compara os resultados atuais com o último estudo, feito em 2010. Apesar da constatação de que os brasileiros têm buscado se alimentar melhor, a pesquisa verificou algumas contradições. A percepção de “ter comido demais” aumentou nos últimos sete anos, passando de 52% em 2010 para 56% no ano passado. Na hora de escolher entre um alimento mais saudável e outro com melhor sabor, 61% admitiram preferir aqueles mais saborosos – alta de cinco pontos percentuais em relação a 2010. O índice de brasileiros que consideram a comida saudável muito sem gosto também é significativo, de 54% em 2010 e 52% em 2017.

Internet

A pesquisa também revelou a mudança na fonte usada como busca de informações sobre alimentação e saúde. Em 2010, a maior parte dos entrevistados (40%) se informava pela televisão, 19% buscavam a internet e 20% consultavam médicos ou nutricionistas. No ano passado, a internet se tornou a principal fonte de informações, com 40% da participação, a televisão caiu para 24% e médicos e nutricionistas responderam por 18%. Outros fatores levados em conta são o receio da violência nas grandes cidades em saídas para restaurantes e a redução de custos, acentuada pela crise econômica. O número de pessoas que disseram não ter tempo para cozinhar diminuiu de 46% para 38%. “Como a crise se prolongou mais do que estamos acostumados, em termos históricos muitas mudanças foram incorporadas”, avaliou o escritor. Nas gôndolas dos supermercados, a expectativa é que, em dez anos, os consumidores passem a procurar por produtos mais nutritivos e sem conservantes. “Cada vez mais, o consumidor vai buscar informação, e vai começar a exigir mais da indústria para que entregue qualidade e transparência na composição do produto”, disse o presidente do instituto.

Agrotóxicos

Entre os aspectos considerados importantes durante o processo de compra está a redução do uso de agrotóxico, cujo índice subiu de 19% em 2010 para 20% no ano passado. O assunto é tema de votação na Câmara dos Deputados, com o projeto que, na prática, revoga a atual lei de agrotóxicos. Criticado por ambientalistas, com o projeto, o registro dos agrotóxicos serviria apenas para produtos que apresentem risco considerado “inaceitável” para a saúde humana e o meio ambiente.
O gerente do Departamento de Agronegócio da Fiesp, defende que a legislação sobre o uso de agrotóxicos seja modernizada. “Você precisa ter mecanismos mais ágeis para incorporar tecnologias. Se hoje um registro de produtos demora sete ou dez anos para acontecer, isso significa que a gente está abrindo mão de novas tecnologias, que geram menos impactos e estariam disponíveis caso esse processo fosse mais rápido”, disse.

Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2018-05/pesquisa-mostra-que-80-dos-brasileiros-buscam-alimentacaosaudavel. Acessado em 20 de nov. de 2023 (adaptado)
Releia o trecho abaixo e observe o termo destacado.
“Você precisa ter mecanismos mais ágeis para incorporar tecnologias. Se hoje um registro de produtos demora sete ou dez anos para acontecer, isso significa que a gente está abrindo mão de novas tecnologias, que geram menos impactos e estariam disponíveis caso esse processo fosse mais rápido.”
Com relação ao emprego dos pronomes em situações de coesão e clareza, avalie as assertivas abaixo.
I. Os pronomes anafóricos referem-se a algo que já foi mencionado no texto.
II. Os pronomes catafóricos antecipam a menção de algo que será apresentado.
III. O pronome relativo “que” assume função anafórica quando introduz uma oração subordinada que se refere a algo mencionado.
IV. Os termos “aquele” e “este”, diferentemente dos pronomes anafóricos e catafóricos, não têm a função de estabelecer relações de referência.
É correto o que se afirma em
Alternativas
Respostas
1: E
2: E
3: A
4: C
5: E
6: E
7: A
8: D
9: B
10: A
11: A
12: C
13: A
14: E
15: E
16: A
17: D
18: D
19: B
20: A