Questões Militares Sobre literatura
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Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.
SONETO VIII
Pede o desejo, dama, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.
Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2
.
Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.
Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)
Foi, senhora, pedir esta baixeza.
(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)
1delgado: delicado.
2sobejar: sobrar, ter em excesso.
3afeito: afeto, sentimento.
4grave: pesada.
5assi: assim.
O centro desejar da natureza.” (3ª estrofe)
Em ordem direta, esses versos assumem a seguinte forma:
Leia o poema de Luís de Camões para responder à questão.
SONETO VIII
Pede o desejo, dama, que vos veja,
Não entende o que pede, está enganado.
É este amor tão fino e tão delgado1,
Que quem o tem não sabe o que deseja.
Não há cousa a qual natural seja
Que não queira perpétuo seu estado,
Não quer logo o desejo o desejado,
Por que não falte nunca onde sobeja2
.
Mas este puro afeito3 em mim se dana,
Que como a grave4 pedra tem por arte
O centro desejar da natureza.
Assi5 o pensamento (pela parte
Que vai tomar de mim, terrestre, humana)
Foi, senhora, pedir esta baixeza.
(Luís de Camões. 20 sonetos, 2018.)
1delgado: delicado.
2sobejar: sobrar, ter em excesso.
3afeito: afeto, sentimento.
4grave: pesada.
5assi: assim.
Leia o trecho do romance Encarnação, de José de Alencar, para responder à questão.
Conheci outrora uma família que morava em São Clemente.
Havia em sua casa agradáveis reuniões de que fazia os encantos uma filha, bonita moça de dezoito anos, corada como a aurora e loura como o sol.
Amália seduzia especialmente pela graça radiante, e pela viçosa e ingênua alegria, que manava dos lábios vermelhos, como dos olhos de topázio, e lhe rorejava1 a lúcida beleza.
Sua risada argentina era a mais cintilante das volatas2 que ressoavam entre os rumores festivos da casa, onde à noite o piano trinava sob os dedos ágeis da melhor discípula do Arnaud.
Acontecia-lhe chorar algumas vezes por causa de um vestido que a modista não lhe fizera a gosto, ou de um baile muito desejado que se transferia; mas essas lágrimas efêmeras, que saltavam em bagas dos grandes olhos luminosos, iam nas covinhas da boca transformar-se em cascatas de risos frescos e melodiosos.
Tinha razão de folgar.
Era o carinho dos pais e a predileta de quantos a conheciam. Muitos dos mais distintos moços da corte a adoravam. Ela, porém, preferia a isenção de menina; e não pensava em escolher um dentre tantos apaixonados, que a cercavam.
Os pais, que desejavam muito vê-la casada e feliz, sentiam quando ela recusava algum partido vantajoso. Mas reconheciam ao mesmo tempo que formosa, rica e prendada como era, a filha tinha o direito de ser exigente; e confiavam no futuro.
Outra e bem diversa era a causa da indiferença da moça.
Amália não acreditava no amor. A paixão para ela só existia no romance. Os enlevos3 de duas almas a viverem uma da outra não passavam de arroubos de poesia, que davam em comédia quando os queriam transportar para o mundo real.
Tinha sobre o casamento ideias mui positivas. Considerava o estado conjugal uma simples partilha de vida, de bens, de prazeres e trabalhos.
Estes não os queria: os mais ela os possuía e gozava, mesmo solteira, no seio de sua família.
Era feliz; não compreendia, portanto, a vantagem de ligar-se para sempre a um estranho, no qual podia encontrar um insípido companheiro, se não fosse um tirano doméstico.
Estes pensamentos, Amália não os enunciava, nem os erigia em opiniões. Eram apenas os impulsos íntimos de sua vontade; obedecendo a eles, não tinha a menor pretensão à excentricidade.
Ao contrário, como sabia do desejo dos pais, aceitava de boa mente a corte de seus admiradores. Mas estes bem percebiam que para a travessa e risonha vestal4 dos salões, o amor não era mais do que um divertimento de sociedade, semelhante à dança ou à música.
Conservando a sua independência de filha querida, e moça da moda, Amália não nutria prejuízos contra o casamento, que aliás aceitava como uma solução natural para o outono da mulher.
Ela bem sabia, que depois de haver gozado da mocidade, no fim de sua esplêndida primavera, teria de pagar o tributo à sociedade, e como as outras escolher um marido, fazer-se dona-de-casa, e rever nos filhos a sua beleza desvanecida.
Até lá, porém, era e queria ser flor. Das suas lições de botânica lhe ficara bem viva esta recordação, que o fruto só desponta quando as pétalas começam a fanar-se: se vem antes disso, eiva5.
(Encarnação, 2003.)
1rorejar: gotejar.
2volata: série de notas musicais executadas rapidamente.
3enlevo: êxtase, deleite.
4vestal: sacerdotisa da deusa romana Vesta; mulher muito bonita que devia guardar rigorosa castidade.
5eivar: falhar.
A concepção de amor presente no trecho indica um posicionamento crítico à literatura
LITERATURA
Livro 1: “Campo geral” (Autor João Guimarães Rosa);
Livro 2: “Vidas secas” (Autor Graciliano Ramos).
( ) O narrador da novela, onisciente, e sob a perspectiva do protagonista, conta a história do menino Miguilim que nasceu e morava no Mutum, uma região do sertão mineiro, com os pais, dois irmãos e duas irmãs.
( ) A primeira vez que Miguilim teve medo de morrer ocorreu quando o seo Deográcias, que entendia de remédios, o examinou e disse que o menino, muito magrinho, poderia ficar héctico.
( ) O Tio Terêz, que gostava da mãe de Miguilim, pediu ao menino que entregasse um bilhete a ela, bem escondido, mas Miguilim, tempos depois, disse que havia rasgado o bilhete e jogado os pedacinhos no rego.
( ) Em breve espaço de serenidade e paz, ocorreu desgraças: o cachorro Gigão é estraçalhado por um tamanduá; Tomèzinho é ferroado por marimbondo; o touro Rio-Negro machuca a mão de Miguilim e Dito morre.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é
Lembrou-lhe de repente a notícia do jornal, a chegada do primo Basílio... Um sorriso vagaroso dilatou-lhe os beicinhos vermelhos e cheios. — Fora o seu primeiro namoro, o primo Basílio! Tinha ela então dezoito anos! Ninguém o sabia, nem Jorge, nem Sebastião... De resto fora uma criancice; ela mesma, às vezes, ria, recordando as pieguices ternas de então, certas lágrimas exageradas! Devia estar mudado o primo Basílio. Lembrava-se bem dele — alto, delgado, um ar fidalgo, o pequenino bigode preto levantado, o olhar atrevido, e um jeito de meter as mãos nos bolsos das calças fazendo tilintar o dinheiro e as chaves! Aquilo começara em Sintra, por grandes partidas de bilhar muito alegres, na quinta do tio João de Brito, em Colares. Basílio tinha chegado então da Inglaterra: vinha muito bife, usava gravatas escarlates passadas num anel de ouro, fatos de flanela branca, espantava Sintra!
O trecho acima é retirado do romance de Eça de Queiroz, intitulado O Primo Basílio.
Sobre esse romance, assinale a afirmativa verdadeira.
Assinale a afirmação correta sobre essa obra.
Assinale a afirmação inadequada em relação a esses conhecidíssimos versos.
Assinale aquele cujo tipo está indicado erradamente.

II. trai seu marido, Tuninho, porque ela achava que ele a considerava suja e fria.
III. seu escapismo é fruto de sua insatisfação com a própria precariedade em que vive.
IV. sua obsessão pela morte e por um enterro luxuoso é uma forma de negar sua realidade depauperada.
II. A tomada de consciência em relação ao racismo é um processo que acontece de maneira semelhante para Henrique e Martha, às vezes com culpa, às vezes com júbilo.
III. Martha, apesar de sofrer as consequências do racismo e do machismo, não se sente uma vítima e, por isso, não assume uma postura combativa contra isso.
IV. No romance, um processo que afeta todas as personagens, mas de maneiras diferentes e nem sempre no mesmo grau, é a conscientização sobre o racismo.
2. “Então, no início da rua, você viu uma viatura com sirenes tocando, e àquela altura da sua vida, aos catorze anos, você já havia aprendido que aquela visão era um problema, não que você tivesse consciência de que a polícia te abordava porque você era negro, mas sua experiência já te dizia para se manter longe das viaturas.” (O avesso da pele, Jeferson Tenório).
I. Em Moçambique ou no Brasil, no passado ou no presente, a população negra, jovem ou idosa, deve se portar de determinada maneira a fim de “minimizar” os efeitos do racismo e da dominação.
II. Em Moçambique ou no Brasil, no passado ou no presente, o racismo e a submissão social acontecem a despeito do comportamento da população negra.
III. Mulheres negras que se submetem às violentas imposições dos dominadores racistas são poupadas e acabam por ter alguns privilégios.
“Não, eu não contaria. Não fora para isso que viera para casa. Além disso, não seria eu a destruir neles fosse o que fosse. A seu tempo alguém se encarregaria de os pôr na raiva. Não, eu não contaria.”