Questões Militares
Sobre escolas literárias em literatura
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De penas ralado,
Já cego e quebrado,
Que resta? — Morrer.
Enquanto descreve
O giro tão breve
Da vida que teve,
Deixai-me viver!
Não vil, não ignavo,
Mas forte, mas bravo,
Serei vosso escravo:
Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro
Do pranto que choro:
Se a vida deploro,
Também sei morrer.”
Sobre os versos acima, é correto afirmar que são de um poema
Leia os versos de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa.
Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa –
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
Nesses versos, as estações do ano constituem metáforas pelas
quais o eu lírico
Instrução: O texto a seguir é base para a questão.
Não é possível idear nada mais puro e harmonioso do que o perfil dessa estátua de moça.
Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e lançados, que são hastes de lírio para o rosto gentil; porém na mesma delicadeza do porte esculpiam-se os contornos mais graciosos com firme nitidez das linhas e uma deliciosa suavidade nos relevos.
Não era alva, também não era morena. Tinha sua tez a cor das pétalas da magnólia, quando vão desfalecendo ao beijo do sol. Mimosa cor de mulher, se a aveluda a pubescência* juvenil, e a luz coa pelo fino tecido, e um sangue puro a escumilha** de róseo matiz. A dela era assim.
Uma altivez de rainha cingia-lhe a fronte, como diadema cintilando na cabeça de um anjo. Havia em toda a sua pessoa um quer que fosse de sublime e excelso que a abstraía da terra. Contemplando-a naquele instante de enlevo, dir-se-ia que ela se preparava para sua celeste ascensão.
(José de Alencar, Diva.)
* Pubescência: puberdade.
** Escumilha: borda sobre escumilha (tecido).
Instrução: O texto a seguir é base para a questão.
Não é possível idear nada mais puro e harmonioso do que o perfil dessa estátua de moça.
Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e lançados, que são hastes de lírio para o rosto gentil; porém na mesma delicadeza do porte esculpiam-se os contornos mais graciosos com firme nitidez das linhas e uma deliciosa suavidade nos relevos.
Não era alva, também não era morena. Tinha sua tez a cor das pétalas da magnólia, quando vão desfalecendo ao beijo do sol. Mimosa cor de mulher, se a aveluda a pubescência* juvenil, e a luz coa pelo fino tecido, e um sangue puro a escumilha** de róseo matiz. A dela era assim.
Uma altivez de rainha cingia-lhe a fronte, como diadema cintilando na cabeça de um anjo. Havia em toda a sua pessoa um quer que fosse de sublime e excelso que a abstraía da terra. Contemplando-a naquele instante de enlevo, dir-se-ia que ela se preparava para sua celeste ascensão.
(José de Alencar, Diva.)
* Pubescência: puberdade.
** Escumilha: borda sobre escumilha (tecido).
Instrução: A questão baseia-se nos textos a seguir.
Texto I, de Luís Vaz de Camões
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.
Texto II, de Leonardo Mota
O mundo está de tal forma
Que ninguém pode entender:
Uns devem, porém não pagam,
Outros pagam sem dever.
Instrução: A questão baseia-se nos textos a seguir.
Texto I, de Luís Vaz de Camões
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.
Texto II, de Leonardo Mota
O mundo está de tal forma
Que ninguém pode entender:
Uns devem, porém não pagam,
Outros pagam sem dever.
A Marquesa de Alegros ficara viúva aos quarenta e três anos, e passava a maior parte do ano retirada em sua quinta de Carcavelos. (...) As suas duas filhas, educadas no receio do Céu e nas preocupações da Moda, eram beatas e faziam o chic falando com igual fervor da humildade cristã e do último figurino de Bruxelas. Um jornalista de então dissera delas: – Pensam todos os dias na toilette com que hão de entrar no Paraíso.
(Eça de Queirós. O crime do padre Amaro.)
O comentário do jornalista deve ser entendido por um viés
Instrução: Leia o texto para responder à questão.
Cada um é suas ações, e não é outra coisa. Oh que grande doutrina esta para o lugar em que estamos! Quando vos perguntarem quem sois, não vades revolver o nobiliário* de vossos avós, ide ver a matrícula** de vossas ações. O que fazeis, isso sois, nada mais. Quando ao Batista lhe perguntaram quem era não disse que se chamava João, nem que era filho de Zacarias; não se definiu pelos pais, nem pelo apelido. Só de suas ações formou a sua definição: Ego vox clamantis (Eu sou a voz que clama).
** Matrícula: rol.
III
Sigo depressa machucando a areia
Erva-picão me arranhou
Caules gordos brincam de afundar na lama
Galhinhos fazem psiu
Deixa eu passar que vou pra longe
Moitas de tiririca entopem o caminho
- Ai Pai-do-mato!
quem me quebrou com mau olhado
e virou meu rasto no chão?
Ando já com os olhos murchos
de tanto procurar a filha da rainha Luzia
O resto da noite me enrola
Com relação ao texto citado, é INCORRETO afirmar que ele
A carta
Ali andavam entre eles três ou quatro moças, muito novas e muito gentis, com
cabelos mui pretos e compridos pelas espáduas, e suas vergonhas, tão altas e tão
cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não
tínhamos nenhuma vergonha.
(CAMINHA, Pero Vaz de, In: CASTRO, Sílvio. A carta de Pero Vaz de Caminha: o descobrimento do Brasil. Porto Alegre: L & PM, 1996).
Texto V
As meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinha
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.
(ANDRADE, Oswald de.In: MORICONI, Italo. Os cem melhores poemas do século).
I. Oswald de Andrade, através da paródia, critica a retórica da negatividade utilizada por Caminha para descrever os índios.
II. Oswald de Andrade, dialoga com Pero Vaz de Caminha, ao citar a Carta e evocar a descoberta do Brasil como mito da cordialidade.
III. Oswald de Andrade, opera no diapasão modernista, ao desconstruir o discurso etnocêntrico dos colonizadores.
IV. Oswald de Andrade, transforma as indias em meninas da gare, reescrevendo o trecho mais erótico da Carta.
( ) A ausência de caráter apresenta uma crítica pessimista da alma brasileira.
( ) A caracterização do protagonista como anti-herói, marca uma mentalidade cultural com potencial revolucionário.
( ) Constitui um contradiscurso em relação à consistência hegemônica que se firmou ao longo da história nacional.
( ) Integra o espaço, e o referencial mítico maravilhoso e americano.
( ) Pela inversão parodística, o herói civilizado destrona o anti-herói.
.”
O texto acima refere-se ao
Na obra Quaderna (1960), João Cabral de Melo Neto incluiu um conjunto de textos, intitulado “Poemas da cabra”, cujo tema é o papel desse animal no universo social e cultural nordestino. Um desses poemas é reproduzido ao lado:
Um núcleo de cabra é visível
por debaixo de muitas coisas.
Com a natureza da cabra
Outras aprendem sua crosta.
Um núcleo de cabra é visível
em certos atributos roucos
que têm as coisas obrigadas
a fazer de seu corpo couro.
A fazer de seu couro sola.
a armar-se em couraças, escamas:
como se dá com certas coisas
e muitas condições humanas.
Os jumentos são animais
que muito aprenderam da cabra.
O nordestino, convivendo-a,
fez-se de sua mesma casta.
Acerca desse poema, NÃO se pode afirmar que: