Até ali que sabia das misérias do mundo? Nada. Aquela noite...
E aquela mesma mágoa parecia-lhe agora doce e embaladora, comparando-se à outra, a Sancha, da sua idade, negra, feia, suja, levada a pontapés, dormindo sem lençóis em uma esteira, comendo em pé, apressada, os restos parcos e frios de duas velhas, vestida de algodões rotos, curvada para um trabalho sem descanso nem paga!
Por quê? Que direito teriam uns a todas as primícias e regalos da vida, se havia outros que nem por uma nesga viam a felicidade?
ALMEIDA, J. L. A falência. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 28 dez. 2023.
Nesse fragmento do romance de Júlia Lopes de Almeida, escrito no cenário brasileiro pós-abolição, a narradora exprime um olhar crítico sobre a
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Tema central: Interpretação de Texto. Para resolver este tipo de questão, é essencial identificar tanto as informações explícitas quanto os implicados do texto, analisando atentamente como as palavras e construções revelam uma crítica social.
No fragmento apresentado, a narradora faz uma forte comparação entre sua vida abastada e a experiência sofrida de Sancha, jovem negra, evidenciando-se: “levada a pontapés, dormindo sem lençóis em uma esteira, comendo em pé, apressada, os restos parcos e frios de duas velhas…” Esse contraste ressalta a desigualdade social após a abolição, tema clássico analisado em provas do ENEM e concursos públicos.
Justificativa da alternativa correta – D: “exploração da força de trabalho da população negra”
O texto destaca explicitamente a precariedade das condições de vida e trabalho da personagem negra, evidenciando que, mesmo pós-abolição, perdurava a exploração da mão de obra negra. A relação de trabalho é sublinhada por expressões como “trabalho sem descanso nem paga”, alinhando-se à crítica social do período.
Segundo a “Nova Gramática do Português Contemporâneo”, de Cunha e Cintra, para acertar questões assim, o candidato deve compreender a coerência global do texto, percebendo a mensagem transpassada nas entrelinhas.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Desvalorização da arte feminina: O texto não trata de arte nem menciona produção artística por mulheres.
- B) Mudança das condições de moradia: Apesar de relatar moradia precária, o foco recai na exploração do trabalho, não em mudanças habitacionais.
- C) Emancipação feminina: Não há discussão sobre libertação ou direitos da mulher.
- E) Disputa de poder entre brancos e negros: A narrativa não fala em rivalidade, mas em condições de exploração.
Estratégia: Foque nos termos que qualificam a situação de Sancha e em expressões que denunciam a desigualdade. Atenção a alternativas que generalizam ou afastam do tema central!
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Comentários
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Eu errei a questão. Mas consegui entender depois disso a relação da crítica = exploração contra a escravidão da população negra. Gab D
esse é pra ver se ta vivo
GABARITO: D
No fragmento, a narradora descreve uma personagem criada em uma vida de conforto e privilégio, que, ao comparar sua situação com a de Sancha — uma jovem negra que vive em condições de extrema miséria e exploração —, se depara com a desigualdade social e racial existente no Brasil pós-abolição. Sancha é retratada como alguém que enfrenta uma vida de trabalho árduo, sem descanso ou direitos, sendo tratada de forma desumana.
Esse contraste evidencia a crítica da autora à exploração da força de trabalho da população negra, que, mesmo após a abolição da escravidão, continuava a sofrer opressão e marginalização, sem acesso às mesmas oportunidades ou qualidade de vida que as pessoas brancas. Portanto, a alternativa que melhor representa essa crítica é a d).
Letra D. exploração da força de trabalho da população negra.
O texto evidencia uma crítica à exploração da força de trabalho da população negra e à desigualdade social ao descrever as condições degradantes às quais Sancha era submetida. Ela era maltratada, recebia alimentação precária, dormia sem lençóis, trabalhava sem descanso e, principalmente, não recebia qualquer remuneração pelo seu trabalho.
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